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PANORAMA ECONÔMICO
André Pomponet - andrepomponet@hotmail.com
A geografia comercial do centro da Feira

 O final de ano é a época mais favorável para a economia brasileira. É quando muitos trabalhadores recebem o décimo-terceiro salário, injetando recursos no comércio. É quando os demais agentes econômicos também recebem gratificações adicionais ou, simplesmente, se endividam para financiar a fartura que marca os festejos do final de ano.
 Nas indústrias essa fartura chega um pouco antes, já que a produção se acelera no início do terceiro semestre, para que os produtos estejam nas lojas no início do trimestre seguinte.  No fim da cadeia, o comércio mostra se as pessoas estão otimistas e, portanto, gastam mais, enchendo as lojas. Em tempos de retração e desemprego as vendas caem, porque aumenta o temor de dívidas. Aí então os comerciantes se lamentam e o povo reclama do governo.
 Feira de Santana é uma cidade comercial e, por natureza, aqui é mais fácil visualizar os costumeiros solavancos da economia. Isso por dois motivos: o primeiro é que a cidade tem uma população significativa, com poder aquisitivo maior que nos demais municípios da região. Logo, as pessoas residentes aqui compram mais. O segundo motivo – e o mais importante – é que a condição de entreposto comercial atrai fluxos de consumidores de cidades próximas e até mais distantes.
 No período natalino, quando as coisas vão bem na economia e as pessoas têm dinheiro, uma agitação febril toma conta da Feira de Santana. As ruas comerciais se enchem, vendedores se esgoelam em pregões nas portas das lojas, os consumidores pechincham e avaliam cuidadosamente os produtos. Ao final do dia os pontos se enchem e incontáveis sacolas e uma alegria ruidosa tomam conta dos ônibus.

 Detalhes

 Essa descrição é trivial, comum a qualquer cidade, até tentarmos entender o movimento no centro comercial da Feira de Santana. Um exame mais detalhado permite enxergar quais ruas e avenidas atraem os mais ricos, os mais pobres e os que residem em outros municípios. A diversidade e a capacidade de atender a uma vasta clientela contribuem para a cidade se constituir em referência comercial.
 Os mais abastados normalmente são vistos circulando pelos shoppings ou pelas lojas mais sofisticadas do centro da cidade. Estas não têm exatamente um local de predominância: espalham-se aqui e ali, na Senhor dos Passos ou na Getúlio Vargas, às vezes próximas a lojões populares. Os mais ricos quase sempre evitam multidões e voltam para casa de carro.
 Os pobres acotovelam-se nos espaços mais identificados como o povão: Marechal Deodoro, Sales Barbosa e ruas próximas, onde se multiplicam as bancas com roupas e o apelo dos preços baixos. São esses que lotam os pontos de ônibus e enfrentam filas, aglomerações e empurra-empurra em busca dos preços que se ajustam ao orçamento apertado.
 Já os visitantes de outros municípios compram bastante nas lojas populares, ensaiam alguma ostentação nos espaços mais sofisticados, mas predominam mesmo é nas imediações do Centro de Abastecimento. Quase sempre é por ali que estão os produtos adequados aos consumidores dos pequenos municípios e outros, residentes na zona rural.

 “Feiraguai”

 Mas, na Feira de Santana, a “Terra Prometida” do consumismo é o “Feiraguai”. É lá que todos se irmanam: o rico, o pobre e o forasteiro das vizinhanças. Ali se vê o rico que vai comprar o tênis “apenas para caminhar de manhã cedo”, o pobre que não pode comprar aparelho de DVD nas lojas do ramo e o forasteiro que ainda se encanta com as “modernagens” eletrônicas. Ao lado do Centro de Abastecimento, hoje, é a grande referência comercial da cidade.
 No Natal de 2007 o universo conspira a favor dos consumidores de produtos importados. Além das expectativas favoráveis em relação à economia, que parece estar ingressando num ciclo de crescimento sem turbulências, a cotação do dólar presta imensa contribuição, já que nos últimos meses permanece abaixo de R$ 2.
   Nos próximos dias a movimentação deve se intensificar bastante pelas ruas do centro. Torçamos para que o calor castigue menos o consumidor feirense e as expectativas de maior crescimento se confirmem, no próximo