Professores não tiveram o reajuste na data-base
Ontem os dois lados pareciam próximos de um acordo, mas piorou muito nesta quarta-feira (24) o clima entre o governo municipal e a APLB, o sindicato dos professores, que estão em greve e ainda não iniciaram o ano letivo.
Os professores esperavam este mês reajuste nos salários, mas ao conferirem os contracheques perceberam que ele não aconteceu. A diretora da APLB, Marlede Oliveira, afirma que uma lei municipal acordada com o governo no ano passado antecipou para janeiro o reajuste. Como ele não ocorreu, ela acusou o governo de estar usando o dinheiro do professor para fazer o BRT, durante entrevista ao vivo na tarde de hoje no programa De olho na cidade, na Rádio Sociedade.
“Estão tirando o dinheiro dos trabalhadores para fazer BRT. Porque o prefeito tá dizendo aí que vai fazer o BRT sem dinheiro do governo federal, que ele vai fazer com dinheiro próprio. E aí? Tá tirando do nosso, da Educação para poder fazer BRT?”, questionou.
O fim da greve tinha ficado mais distante quando o governo avisou na sessão de hoje do Legislativo que não mandaria projeto para a Câmara fixando um calendário para concessão da reserva de carga horária, principal reivindicação do movimento.
Com a confirmação de que não haverá reajuste, Marlede adiantou que ela mesma vai defender na assembleia de sexta-feira que as aulas continuem paradas. “BRT pode fazer. Agora não com sacrifício dos trabalhadores. Isso não vamos aceitar. Já estou agora dizendo de antemão, que não aceitarei”, avisou.
SEM DISCUSSÃO
Falando também ao vivo no programa, o secretário de Administração, João Marinho, explicou que houve reajuste em janeiro, para quem ficaria com o salário abaixo do piso nacional definido em Brasília. O piso foi fixado em R$ 2.135,64.
Quanto ao restante da categoria que ganha acima do piso, apesar da data-base ser em janeiro, João alegou que dependia de negociação e que a APLB não tocou no assunto quando se reuniu com ele, a secretária de Educação, Jayana Ribeiro e o da Fazenda, Expedito Eloy, no mês passado. “Sempre houve negociação de percentual”. O secretário acrescentou que "não houve nenhuma lembrança por parte da entidade, de tratar desse assunto, principalmente junto à secretaria da Fazenda".
Ele ironizou a conduta da dirigente sindical e atribuiu o “esquecimento” de Marlede ao fato de ela ter assumido há pouco tempo o comando da entidade. “Se está faltando experiência da direção da APLB na defesa dos associados, não me compete dizer como trabalhar”, completou.
Marlede rebateu que o valor estava definido desde o ano passado, mas segundo João Marinho isso não poderia ter ocorrido, porque o percentual de aumento do piso nacional só saiu este ano.