Professores alegaram necessidade de fazer planejamento
Mesmo tendo encerrado a greve na tarde de terça-feira (1º), os professores da rede municipal de ensino de Feira de Santana não retornaram às salas-de-aula na quarta (2), como determinou, em nota, a Secretaria Municipal de Educação (Seduc).
Logo após a assembleia que pôs fim à greve, realizada no espaço de eventos da Gelateria Italiana, os educadores decidiram que o retorno às aulas só vai ocorrer na segunda-feira (7). Marlede Oliveira, diretora da APLB - Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado da Bahia, afirmou que não houve Jornada Pedagógica e que as escolas precisam fazer seu planejamento.
Algumas reportagens no site da Prefeitura Municipal, entretanto, relatam, inclusive com fotos, que a Jornada Pedagógica aconteceu entre 1 a 3 de fevereiro, no Auditório Central da Uefs.
Apenas a palestra de abertura foi cancelada, por conta de um protesto da APLB – era o prenúncio da greve. O que ocorre é que um dos textos diz: "Nestas quarta e quinta-feira, respectivamente 4 e 5 de fevereiro, a Jornada Pedagógica tem continuidade nas escolas municipais e a programação fica a cargo da gestão das unidades de ensino". Esta “continuidade” foi que não aconteceu, dando lugar a reunião para articular a greve.
De fato, as escolas municipais estão realizando um planejamento interno, como pôde confirmar a equipe da Tribuna em algumas delas. Liliane Santiago, vice-diretora da Escola Municipal Antônio Gonçalves da Silva, no Parque Ipê, considera que apenas “o início da Jornada Pedagógica” se deu na Uefs, quando “foi feita uma assembleia pela APLB e aí os professores, em votação unânime, decidiram não retornar às escolas, e foi o que aconteceu”.
Segundo ela, o segundo momento da Jornada, com isso, ocorre agora, entre quarta e sexta-feira (4). “A gente está cumprindo aquilo que foi acordado junto com a APLB, junto com o sindicato, e também a Seduc está sabendo disso”, relata Liliane.
“Pode ser que alguma escola esteja tendo aula, mas nós não temos conhecimento”, contou Maria das Graças dos Santos, secretária da APLB.
“A Jornada que a secretaria faz, ela é uma jornada de formação geral, então são temas que são importantes ser discutidos pra trazer pra o trabalho em sala de aula, e já na escola a jornada é diferente. Além da formação, a gente faz também o planejamento”, explica a diretora do Centro de Educação Básica da Uefs, Kátia Daniele Silva. “Então essa jornada na escola é super importante”, acredita. Nela, os professores planejam os projetos coletivos e o calendário interno.
“APÓS GREVE, AULA”
Equipes da Seduc estão visitando as escolas, segundo a secretária de educação, Jayana Ribeiro. Ela é enfática ao dizer que “o retorno é para que as escolas funcionem com aula, então tem que ter professor e aluno em sala-de-aula”. E completa: “Terminou a greve, aula. O planejamento foi feito em fevereiro, já houve o período da jornada”. Na segunda-feira (7) a Secretaria deve apurar o resultado das visitas nestes três dias. Em nota, o governo disse que tomaria “medidas legais”, para quem não desse aulas.
A greve começou dia 11 de fevereiro. Sem as aulas desta semana, completam-se 17 letivos parados, quase 10% de um total de 200 por ano, estabelecidos pela lei de diretrizes e bases da educação, prejudicando cerca de 47 mil alunos.
As escolas aguardam, do Conselho Municipal de Educação junto à Seduc, o novo calendário com datas de reposição. Provavelmente o ano letivo irá se estender até janeiro de 2017.