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Brasil

Manifestações contra Dilma levam multidão às ruas do País

16 de março de 2015 | 11h 23
Manifestações contra Dilma levam multidão às ruas do País
Os protestos foram realizados em todos os 26 estados e no Distrito Federal
Uma multidão foi neste domingo, 15, às ruas para protestar contra a presidente Dilma Rousseff, dois meses e meio após ela dar início ao segundo mandato numa acirrada disputa com o PSDB, principal adversário político do PT. Os manifestantes pediram o fim da corrupção, reclamaram da situação econômica e defenderam o impeachment da presidente. Uma minoria falou em intervenção militar. O antipetismo foi a marca comum entre todos os grupos que decidiram protestar.
 
Segundo o instituto Datafolha, essa foi a maior manifestação política registrada no Brasil desde o movimento das Diretas-Já, em 1984. Em São Paulo, a Avenida Paulista foi praticamente toda tomada. Grupos organizados discursaram de carros de som para um público predominantemente vestido de verde e amarelo. Políticos de oposição até participaram dos protestos, mas preferiram ficar à margem, sem comandar palavras de ordem. Aécio Neves (PSDB) e Marina Silva (PSB), principais adversários de Dilma em 2014, comemoraram a mobilização via rede social.
 
O governo foi surpreendido com a quantidade de gente que foi às ruas. Dilma chegou a afirmar a auxiliares que as manifestações deixam a situação política “mais complicada” do que em junho de 2013, quando uma série de protestos derrubaram a popularidade da presidente. Para dar uma resposta formal aos atos de ontem, Dilma escalou dois ministros para falar com a imprensa. Enquanto seus discursos eram transmitidos por programas de TV, várias capitais voltaram a repetir o panelaço de domingo da semana passada.
 
'2 milhões'
 Os protestos contra o governo Dilma Rousseff ao longo do domingo foram realizados em todos os 26 Estados e no Distrito Federal.
 
Houve manifestações em repúdio à gestão petista nas capitais e em, ao menos, 185 cidades do País. Atos, bem mais tímidos, também foram realizados em Nova York, Londres, Paris e Buenos Aires.
 
Segundo informações oficiais das Polícias Militares dos Estados, no mínimo, 1,950 milhão de brasileiros foram às ruas, a maioria vestida de verde e amarelo e com cartazes pedindo impeachment, renúncia da presidente e até mesmo a intervenção militar.
 
Em São Paulo, a Polícia Militar calculou cerca de 1 milhão de pessoas na Avenida Paulista por volta das 15 horas, momento de maior concentração no local. Nota da corporação informou ter estimado a presença de cinco manifestantes por metro quadrado na avenida e ruas adjacentes.
 
De acordo com o Datafolha, o evento reuniu 210 mil participantes no local. Se levado em conta o histórico de levantamentos do instituto, o ato político de ontem foi o maior já realizado desde o movimento pelas eleições diretas, em 1984, quando cerca de 400 mil pessoas, ainda de acordo com dados do Datafolha, se reuniram no centro de São Paulo.
 
Na sexta-feira, o ato pró-governo e em defesa da Petrobrás, organizado pelas centrais sindicais e por movimentos sociais na Avenida Paulista, reuniu, segundo a PM, número aquém de participantes ao registrado pelo Datafolha. Enquanto os policiais estimaram o público em 12 mil pessoas, o instituto de pesquisa falou em 41 mil.
 
Outras capitais
 Capitais como Vitória e Porto Alegre chegaram à marca de 100 mil manifestantes, segundo as PMs locais, superando até mesmo a expectativa da organização. Em Curitiba, foram calculadas 80 mil pessoas. E em Goiânia, 60 mil.
 
Tradicional reduto do PT, o Nordeste teve passeatas nas nove capitais da região. Cerca de 75 mil nordestinos, segundo a PM, participaram dos protestos. 
 
Ministros dizem que governo defende reforma política e combate à corrupção
 
Os ministros da Justiça, José Eduardo Cardozo, e da Secretaria-Geral da Presidência da República, Miguel Rossetto, comentaram, neste domingo (15), as manifestações ocorridas em várias cidades e garantiram que o governo vai dar ênfase às medidas de combate à corrupção e às discussões sobre a reforma política.
 
Segundo Cardozo, o governo está atento “às vozes das ruas” e os principais temas que foram abordados nas manifestações dos últimos dias deverão ser tratados com prioridade pelo governo nos próximos dias, a exemplo do pacote de medidas de amplo combate à corrupção e impunidade, afirmou.
 
Para o ministro Miguel Rossetto, outro ponto que merece atenção é a repercussão das medidas de ajuste anunciadas pelo governo para garantir a retomada do crescimento econômico.
 
Os ministros garantiram também que o governo vai fortalecer a discussão sobre a questão da reforma política, o que deve garantir algumas medidas importantes para responder aos anseios da sociedade brasileira. 


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