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Educação

Oposição tem muitas críticas e pouco apoio

29 de março de 2015 | 12h 10
Oposição tem muitas críticas e pouco apoio
Maria do Socorro: eleitores desconhecem o que foi a universidade sem o grupo Mais Uefs no poder

Representante da oposição, a professora  Maria do Socorro  Mateus, do departamento de Tecnologia, lamenta não ter tido apoio para outra chapa, ainda que com poucas chances de vitória. “Não esperávamos vencer a eleição, mas que as pessoas descontentes tivessem oportunidade de votar em outra chapa como forma de manifestação”.

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Em 2007, a chapa Mais Uefs venceu a eleição para a Reitoria obtendo 68% dos votos dos docentes, 60% dos técnicos e 85% dos discentes (alunos). Já em 2011, a mesma chapa foi reeleita com uma votação ainda mais expressiva, contabilizando  75,5% dos votos dos docentes,  77% dos técnicos e 85,4% dos discentes.

Outro fator que, de acordo com Maria do Socorro, pesou muito na decisão de não inscrever uma chapa concorrente, foi o fato de que grande parte dos que viveram outra realidade administrativa na universidade, já terem saído da Uefs. “Desde que o Mais Uefs assumiu a administração, muitos já se aposentaram. Pelo menos metade dos funcionários são novos e não têm como comparar as realidades, pois só conhecem a gestão do professor José Carlos. Isso pesa muito”, avalia.

Segundo Socorro, após a derrota na eleição passada,  os componentes da chapa se voltaram para a sala de aula e pesquisa. “Embora muitos tenham me procurado para ficar à frente da chapa, eu não me prontifiquei a fazer isso. Acho que não seria adequado e coerente lançar uma chapa sem que nos últimos quatro anos eu tivesse me feito transitar pelos conselhos, sendo ouvida pelos funcionários e professores e alunos”, justifica.

"Se você olhar na pagina da Uefs na internet verá que a maioria dos cursos de mestrado tem nota 3 perante a Caps. Sendo que a maior nota é 7. O  que a reitoria fez para que estes cursos saiam do 3? Porque se são criadas estratégias para alavancar estas notas, se consegue mais recursos para os cursos. Cursos com notas baixas podem ser descredenciados por falta de estrutura", avisa.

A oposicionista condena a perda de autonomia, que para ela é crescente. "Falam muito de autonomia, mas nos últimos 8 anos nós perdemos a autonomia, pois antes todas as decisões eram assinadas pelo reitor, a exemplo da aposentadoria. Todas eram assinadas e enviadas para Salvador já autorizadas. Hoje não, a ordem é contrária, o pedido é feito pelo reitor e somente o governo pode autorizar”, exemplifica.

Mesmo no que depende apenas da própria instituição, ela acha que houve retrocesso. "Entre as quatro estaduais, já estivemos em primeiro lugar nas avaliações. Hoje não estamos nem em segundo”, compara.

Quanto a participação social da universidade, ponto reforçado no programa de gestão da chapa Mais Uefs,  Maria do Socorro afirma que a realidade diz o contrário. Cursos com trabalhos sociais desenvolvidos em suas práticas como o de odontologia e saúde pública, tiveram uma perda significativa, porque clínicas escola foram fechadas e somente uma funciona no próprio campus, obrigando a comunidade a vir até a Uefs.

Outro ponto cobrado pela professora foi o hospital escola, quesito primordial para a formação dos alunos de medicina, que foi prometido e até hoje não construído. 

Para ela os avanços se deram para os estudantes, por meio de programas como bandeijão, alojamento e intercâmbio. "Mas só eles tiveram melhorias. Funcionários e professores não tiveram a mesma atenção. Os funcionários, por exemplo, lutam por incluir a comprovação de cursos superiores para ganho de melhorias salariais, como prometido pela reitoria. Agora, após oito anos é que eles começaram a cadastrar os funcionários, sem a menor garantia de que irão conseguir isso", condena.

Maria do Socorro afirma que tudo resulta na falta de estímulo para os professores e funcionários, tanto que professores doutores têm solicitado transferência. "A comunidade acadêmica precisa enxergar e precisa se movimentar. Não vejo zelo,nem vejo dedicação, não vejo um projeto de instituição mas vejo um projeto de poder. Assumiram o poder, tomaram a administração, mas não construíram e não alavancaram a Uefs”, protesta.

 

QUEM É EVANDRO DO NASCIMENTO SILVA

Nascido na zona da mata paraibana, escolheu Feira de Santana para viver. Fez graduação em Ciências Biológicas (1995) e também o mestrado em Ciências Biológicas (Zoologia) (1997) pela Universidade Federal da Paraíba e doutorado em Recursos Naturais e Meio Ambiente pela Universidade de Michigan (2007).

É servidor da Uefs desde 1998 e atualmente professor titular do Departamento de Ciências Biológicas. Tem experiência na área de Ecologia, com ênfase em modelagem de sistemas complexos e estudos sobre biodiversidade na Mata Atlântica. Coordena o Programa de Pesquisas em Biodiversidade e Modelagem Ambiental na Área de Proteção Ambiental do Pratigi, no Baixo Sul da Bahia. Tem publicações científicas como um livro e diversos artigos em periódicos nacionais e internacionais. É editor associado do periódico Sociobiology. Na área de internacionalização universitária, já recebeu 18 alunos estrangeiros para realização de intercâmbio na Uefs, desde 2008.

Atuou no PDG - Plano Diretor de Gestão, como líder de projeto para implantação do sistema integrado de gestão da Uefs, o Sitiens, além de outros projetos. Participou da direção da ADUFS (gestão 2000-2002). Foi Chefe de Gabinete (2007-2011) e Assessor Especial (2012-2014) da Reitoria da Uefs, Diretor da Uefs Editora (2008-2010), e desde 2014 exerce o cargo de Assessor Técnico de Recursos Humanos da PROAD-Uefs.



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