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André Pomponet

Novela do transporte coletivo lembra filme de terror

22 de abril de 2015 | 10h 27
Novela do transporte coletivo lembra filme de terror
Meses atrás, no início de janeiro, apontávamos 2015 como um ano crucial para a questão do transporte público na Feira de Santana. Os acontecimentos que se seguiram – encrencas judiciais relacionadas à nova licitação, manifestações contra a derrubada de quase 200 árvores para implantação do chamado BRT, queixas que se avolumam relacionadas aos serviços prestados pelas empresas – mostraram a extensão do drama e sinalizam que, pelo menos no médio prazo, as perspectivas de solução são desanimadoras.
 
À exceção da propaganda em período de campanha eleitoral – que sempre pinta a realidade com tons róseos – ninguém, em sã consciência, enxerga virtudes no transporte público na Feira de Santana. Listar os problemas tornou-se ocioso, até enfadonho: veículos velhos e sujos; tarifa incompatível com a qualidade dos serviços; lotação em excesso; e longas esperas nos pontos constituem rotina e já não espantam.
 
Nos últimos anos, a única boa notícia foi a redução transitória no valor da tarifa – de R$ 2,50 para R$ 2,35 – em função das pressões decorrentes das jornadas de junho de 2013, que mobilizaram o Brasil. Mas novo reajuste já foi concedido, inclusive superior àquele valor inicial, absurdo para a qualidade do serviço prestado.
 
Veículos quebrados, causando transtornos em vias de tráfego intenso, tornaram-se corriqueiros, com imagens compartilhadas nas redes sociais. Isso para não mencionar ônibus que pegaram fogo com passageiros a bordo e as incontáveis manifestações da população em bairros periféricos. Apesar de todos os problemas exaustivamente apontados pela população, as soluções continuam sendo adiadas com vigorosos golpes de barriga.
 
 
E o BRT?
 
Mesmo com os crônicos problemas à espera de solução, a prefeitura resolveu apostar suas fichas na implantação do chamado Bus Rapid Transit, o BRT. Vendido como novidade na Feira de Santana, o sistema apresenta limitações e já está saturado em cidades onde foi implantado com grande badalação, a exemplo de Curitiba, no Paraná, Bogotá, na Colômbia e, mais recentemente, no Rio de Janeiro. Mas, por aqui, é vendido como sinônimo de modernidade.
 
Inicialmente, a prefeitura mostrou-se pouco disposta a discutir o projeto: limitou-se a apresentá-lo em reuniões fechadas com meia-dúzia de espectadores, sem debate. Depois, sob pressão, inclusive do Ministério Público, foi forçada a promover reuniões que suscitaram mais dúvidas que respostas, conforme se pretendia. É o caso da derrubada de árvores na avenida Getúlio Vargas, que segue exigindo explicações.
 
Depois de tantas idas e vindas, aguardam-se os próximos capítulos da novela. Apesar de toda a pompa, seguem as dúvidas sobre até que ponto o BRT vai ajudar a resolver os problemas no transporte coletivo no município. O próprio traçado anunciado – contemplando as avenidas Getúlio Vargas e João Durval – é objeto de diversos questionamentos.
 
 
O moribundo SIT
 
Problema maior, todavia, é o do chamado Sistema Integrado de Transporte, o SIT. A realização de uma nova licitação parecia a oportunidade de ouro para a prefeitura se redimir, corrigindo o amontoado de problemas que foram se acumulando ao longo dos anos. Subitamente, aparece um acordo estendendo a vigência do contrato atual por mais 12 anos, assinado pela gestão anterior. Parece coisa de filme de terror.
 
É evidente que, mais adiante, vai se chegar a alguma solução, porque permanecer como está é impossível. O problema é que, enquanto isso, a população padece recorrendo a serviços de péssima qualidade. E a prefeitura se mostra, até aqui, incapaz de resolver um gargalo crucial na vida da cidade, poupando os usuários de penosos sacrifícios diários.
 
Sempre se divulgam, com estardalhaço, levantamentos de instituições obscuras apontando a Feira de Santana como uma cidade favorável a novos investimentos. Não parece: à medida que não se consegue solucionar problemas elementares como o do transporte público, fundamental para assegurar a competitividade, como é que se vai atrair novas empresas, gerar mais empregos? Fica a indagação ressoando no ar.


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