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Valdomiro Silva

Maior ameaça ao Inter não é a série B, mas as atitudes do seu presidente

06 de dezembro de 2016 | 22h 09

Ao propor, numa atitude antiesportiva, anular a última rodada do Brasileirão como manobra para depois "virar a mesa", Inter provoca reação negativa em todo o país

Maior ameaça ao Inter não é a série B, mas as atitudes do seu presidente

O Internacional, com toda a sua bela história, de um dos maiores clubes do Brasil e certamente do mundo inteiro, não pode ser confundido com a bobagem que o seu dirigente maior, o presidente, neste momento está propondo. Tentar, em vão, porque não ocorrerá, evitar a última rodada do Brasileirão 2016, é um golpe baixo, desses que, no pugilato,  são desferidos abaixo da cintura.

Como diria o radialista e experiente cronista esportivo Dilton Coutinho – um dos melhores repórteres de pista do rádio baiano, nos anos 80 e 90 – é “lamentável sob todos os aspectos”.  Leio nas redes sociais a repercussão. Não impressiona a rejeição à medida. Creio que nem o mais fanático torcedor da camisa colorada defenda o que o presidente do seu clube está a recomendar.

O capitão do time, Alex, bom jogador e, dizem, excelente caráter, certamente não parou para analisar o que lhe pediu o dirigente. E acabou permitindo ser usado pelo cartola. Com sua credibilidade e respeito perante o elenco, a imprensa  e a torcida, o meio-campista compareceu diante das câmeras e microfones para tentar convencer que não disputar a última rodada do campeonato seria algo digno, um gesto de solidariedade a Chapecoense, ou mesmo por falta de ânimo dos jogadores de todos os clubes.

Não resta dúvida que o abalo emocional é violento, até mesmo para quem não é jogador profissional, esta tragédia com o time catarinense. Porém, como já escreveram tantos, após dias de luto, de homenagens, de recuperação, a vida precisa seguir e o futebol também. É claro que os outros clubes, muito menos a CBF, irão compactuar com isso.

A meta por trás dessa cantilena, como diria o  vereador eleito Roberto Tourinho, é simplesmente encontrar um argumento para, posteriormente, buscar uma "virada de mesa" e o rebaixamento de três times apenas - o Inter de fora, é claro. Nos dias de hoje, é impensável tamanho absurdo. 

A equipe gaúcha também está lutando, judicialmente, para que o Vitória perca os pontos de vinte e tantos jogos da Série A. Ao repetir  uma tentativa extra-campo que já foi alvo do Bahia, derrotado em seu objetivo, o Inter fatalmente também perderá. A Confederação Brasileira de Futebol anunciou, desde a iniciativa do tricolor baiano, que o Vitória não cometeu ilegalidade na escalação do zagueiro Victor Ramos.

Se houve erro na operação, a tal transferência nacional ou internacional do jogador, a CBF não acusou, tampouco responsabilizou o Vitória, à época do Campeonato Baiano, e agora não irá decidir diferente. Infelizmente, para esta agremiação de tantas glórias, o momento é mesmo muito ruim e as suas chances nas diversas frentes de batalha são remotas, seja no campo ou tapetão.

O melhor a fazer é terminar o Brasileirão honrando as suas tradições, lutando até o fim pela sua manutenção na Série A - afinal ainda restam esperanças - e, caso não seja possível, disputar a Série B. Afinal, no Brasil ou em qualquer outro lugar do mundo, a segunda divisão é passagem, também, de grandes clubes. Não é esse infortúnio que irá diminuir a importância do Inter no cenário do futebol. Risco, de verdade, de desmoralização, representam suas atitudes fora das quatro linhas. Isto sim, é um perigo.

 



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