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André Pomponet

Manifestações de 28 de abril podem ser tardias

André Pomponet - 17 de abril de 2017 | 17h 20
Manifestações de 28 de abril podem ser tardias

Estão prometidas mobilizações contra as reformas do emedebê para meados de abril. Para ser mais preciso, em 28 de abril. Podem até ter eficácia contra a reforma da Previdência, já que o governo vem anunciando recuos que só as votações, mais adiante, poderão confirmar. Mas contra a reforma trabalhista, pelo jeito, as manifestações vão se tornar inócuas. É que, até lá, calculam os governistas, a votação já terá acontecido na Câmara dos Deputados. A última trincheira – imaginária – será o Senado.

A oposição – que inclui a esquerda esfacelada -, pelo jeito, insiste no conchavo parlamentar como alternativa para barrar as danosas mudanças em andamento. E se esquece de tentar colocar o povo na rua, que é o que pode segurar a avalanche de retrocessos. A estratégia é frágil: as festejadas reformas contam com o entusiasmado apoio de parcela expressiva do legislativo conservador. Dificilmente deixarão de ser aprovadas.

Pouca gente conhece o alcance da reforma trabalhista que se desenha. Afinal, só se fala no parcelamento das férias do trabalhador; e na imperiosa necessidade de se “modernizar” a legislação “caduca” herdada da Era Vargas, conforme o clichê habitual compartilhado por governantes, empresários e meios de comunicação.

Tudo isso enquanto o tsunami de lama que emporcalha a classe política, incluindo aí oito ministros do governo de plantão, flui caudaloso nos telejornais. O próprio mandatário de Tietê, Michel Temer (PMDB-SP), não pode ser enquadrado na ciranda, mas segue sonegando respostas a inúmeras perguntas que permanecem no ar.

Futuro

Na História recente, nunca o futuro do Brasil esteve tão nebuloso. Por um lado, o passado político recente vem à tona, com uma multidão de políticos pilhados em conluio com empreiteiras, num monumental esquema de corrupção. Por outro lado, as pretensas reformas que deveriam sinalizar para o futuro trazem um inconfundível odor de atraso, de século XIX, quase de senzala.

Mais estarrecedor ainda é que o país está imerso na mais profunda crise econômica de sua história. E apesar de toda a festiva cobertura da imprensa, a atividade produtiva segue claudicante. Sucedem-se os discursos otimistas, os acenos de indicadores subjetivos, mas se vê pouca coisa concreta até aqui. A retomada da economia é, ainda, uma aposta incerta num porvir impreciso.

Milhões de brasileiros seguem desempregados. Outros tantos veem seus empreendimentos definhando, porque a clientela sumiu: ou perdeu o emprego ou perdeu renda. A pobreza – exaltada há pouco como em vias de extinção nas próximas décadas – retornou vigorosa, conforme já atestam alguns levantamentos de organismos internacionais.

Passado um ano, o governo não tem medidas concretas que ajudem a tirar o país da recessão. Tudo isso sob uma desconcertante letargia da população. Tanto que a prometida greve geral de 28 de abril pode chegar meio tarde.



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