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André Pomponet

No primeiro bimestre, desemprego seguiu a todo vapor em Feira

André Pomponet - 21 de abril de 2017 | 09h 39
No primeiro bimestre, desemprego seguiu a todo vapor em Feira

Todo dia há, na imprensa, dados positivos sobre a situação da economia brasileira. As reformas, afirma-se, vão garantir um futuro róseo aos brasileiros; estamos readquirindo credibilidade, pois os investidores já nos observam com os olhos gulosos de antigamente; o endividamento do consumidor cai e, dessa forma, ele já pensa em voltar a consumir; e os empresários, esses seres de intuição transcendente, já farejam nova fornada de progresso lá adiante.

Quem não gostaria de imergir nas preliminares desse idílio? Aqueles que padecem sob a interminável recessão, sem dúvida, gostariam de viver lá. Mas, por enquanto, isso segue parecendo fantasia. Afinal, pelo menos na Feira de Santana, o desemprego permanece mostrando musculatura.

Dados do Ministério, Trabalho e Emprego (MTE) indicam que, em fevereiro, foram 266 empregos formais a menos. No acumulado do ano – o primeiro bimestre – a soma totaliza saldo negativo de 789 postos. Nos 12 meses encerrados em fevereiro desapareceram nada menos que 6,1 mil empregos.

Afirmava-se, em 2015, que a retomada viria lá adiante, no segundo semestre daquele mesmo ano. Veio 2016 e o discurso se manteve: com a ascensão de Michel Temer (PMDB-SP), o mandatário de Tietê, bastariam alguns meses para os “primeiros sinais” da retomada que, por enquanto, só se enxerga nos discursos do ministro da Fazenda. E, aos poucos, já caminhamos para encerrar o primeiro semestre do badalado 2017, sem mudança no horizonte.

Comércio

Na Feira de Santana, depois da enxurrada de demissões na construção civil, quem começou demitindo em 2017 foi o comércio: - 431 empregos em dois meses; serviços (-214) veio na sequência para, só então, a vilã, a construção civil (-94), num modesto terceiro lugar.

Os serviços, a propósito, no acumulado de 12 meses encerrado em fevereiro, é quem lidera o declínio, com -2,1 mil empregos; um pouco mais distante vem a construção civil com 1,9 mil empregos extintos. Esses dados atestam que o avassalador movimento inicial de retração na construção civil foi se irradiando pelos demais setores, alcançando-os, ainda que com significativo retardo.

Afirma-se – com convicção religiosa – que em junho o movimento descendente no mercado de trabalho estanca; mas que a recuperação será lenta, estendendo-se ao longo dos anos. Nesse cenário ajusta-se a propaganda governista, que dilui direitos com terceirização e reforma trabalhista alegando que, mais à frente, isso vai gerar emprego, ajudando a economia a se reerguer.

O fato é que a Feira de Santana avança pelo terceiro ano consecutivo perdendo empregos. Isso desconsiderando o trimestre final de 2014, que também foi perverso com o trabalhador. Há muita promessa, muita conversa, muita propaganda, mas o fato é que mais e mais famílias vão empobrecendo na Feira de Santana, sem perspectivas de melhora no curto prazo.



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