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Glauco Wanderley

Sérgio Carneiro sai do PT e busca partido para 2016

Glauco Wanderley - 04 de Maio de 2015 | 18h 28

Político evitou falar em candidatura, mas disse que quer participar da vida pública

Sérgio Carneiro sai do PT e busca partido para 2016
Sérgio, que já candidato pelo PT em 2008, admite que sonha em ser prefeito de Feira de Santana

O ex-deputado Sérgio Carneiro anunciou na tarde de hoje em entrevista ao programa De Olho na Cidade, de Jorge Bianchi e Valdeir Uchoa que está de saída do PT, mas pretende seguir na vida pública. Sua desfiliação é justificada exatamente por esta perspectiva, já que ele afirma que nunca pretendeu sair da política, mas “foi saído”, porque o PT não lhe deu legenda para ser candidato nem o procurou para exercer qualquer função, após a vitória do candidato petista, Rui Costa, para o governo do estado.

Sérgio disse que não tem definição sobre o partido ao qual vai se filiar e muito menos sobre candidatura a prefeito no próximo ano, pois “ninguém é candidato de si mesmo”. Mas avaliou que a notícia de sua desfiliação do PT teve uma repercussão maior do que ele imaginava, o que renovava as esperanças de ser “lembrado”. “Em assim sendo, é possível que alguém se interesse por mim. Parece que o PT não tinha interesse, mas por essa repercussão, parece que a gente vale alguma coisa”, comentou.

Em 2010, Sérgio foi candidato a deputado federal mas ficou como suplente. Em função da saída de deputados que foram exercer outros cargos, conseguiu passar uma parte da legislatura em Brasília. Foi deputado até novembro de 2012 e desde então não exerceu mais função pública e nem foi candidato no ano passado.

CANDIDATO A PREFEITO

Desde 1996 o deputado estadual e líder do governo, Zé Neto, é candidato a prefeito de Feira de Santana pelo PT. Com exceção do ano de 2008, quando o candidato pelo PT foi Sérgio Carneiro, que teve como vice Messias Gonzaga (PC do B). José Ronaldo, que vencera no primeiro turno em 2000 e 2004, tinha como candidato Tarcízio Pimenta. Venceu no primeiro turno também (por pouco, com 54% dos votos válidos). Sérgio Carneiro ficou em terceiro lugar, com 19% (atrás dos 24% de Colbert).

José Ronaldo voltou à prefeitura em 2012. No processo, transformou em aliado o adversário histórico Colbert Martins, que desde então só fez encolher politicamente. Se por cansaço ou falta de renovação seu terceiro mandato está longe de obter a aceitação dos dois primeiros, o cenário continua sendo-lhe favorável para chegar ao quarto mandato em 2016.

Seu principal adversário, Zé Neto, acumula poder em Salvador, mas não consegue se viabilizar como candidato competitivo em Feira. Ao longo dos anos, teve contra si o temperamento, o controle com mão de ferro sobre a estrutura de poder do estado em Feira, que exerce sozinho (o que leva à consequente má vontade dos “companheiros” na hora de vestir a camisa nas eleições) e sua péssima comunicação com o público, apesar do espaço ilimitado que ocupa nas emissoras de rádio (e até por isso). Como se não bastasse, o PT vive seu pior momento diante da opinião pública, enquanto o governador Rui Costa tenta administrar um estado encalacrado financeiramente, vendo-se obrigado a cortar, cortar, cortar, demitir, e atrasar pagamentos.

Até aqui, José Ronaldo é um governante desgastado, com oponentes mais desgastados ainda. O que poderia atrapalhar seus planos de reeleição é uma disputa com muitos candidatos competitivos, que, mesmo sem tantas possibilidades individuais de vitória, tivessem potencial de votos suficiente para que um deles fosse ao segundo turno, onde a união de adversários seria pela primeira vez uma ameaça sólida ao seu reinado.

É isto que a entrada no cenário de Sérgio Carneiro pode proporcionar ao pleito de 2016, numa hipótese em que a disputa tivesse também o próprio Zé Neto, Fernando Torres, Irmão Lázaro e mais um ou dois (Rasta? Geilson? Colbert? Dilton Coutinho?). Caso contrário, ainda que muitos esperneiem, a eleição se encaminhará monotonamente para a quinta vitória de Ronaldo.



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