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César Oliveira

Na luta pelo poder não existe santo

César Oliveira - 18 de junho de 2017 | 23h 14
Na luta pelo poder não existe santo
          Mais do que um processo de corrupção endêmica, avassaladora, que serve de sustentáculo a projetos de poder baseados na fraude e no dinheiro ilegal, de forma pluripartidária, embora “institucionalizada pelo PT”, temos um processo de mistificação e manipulações como nunca vi, desde a redemocratização.  
 
           Entre as tantas variáveis  destaca-se , indiscutivelmente, uma agilidade inédita, em relação ao resto de seu mandato, do Procurador Geral, Janot, em viabilizar as denúncias contra Aécio e Temer, e promover as prisões com urgência, mesmo que a base de acordos de delação altamente questionáveis e que inclui até perdão criminal, utilização de fita sem perícia, e membro da sua equipe na Lava-Jato orientando delação do mafioso Joesley; o inusitado empenho da Rede Globo fazendo ordem unida em todas as suas unidades de jornalismo, por ter decidido –sabe-se lá por qual razões, afinal, não é seu padrão- derrubar Temer; e Temer, cercado de delatados da Lava-Jato, como seus principais amigos, e, ele próprio, gravado em conversas indecentes com um mafioso  que confessou mais de 245 crimes,  delatado por empreiteiras, fingindo que comanda o país como um vestal da moralidade. 
 
           Enquanto isto se esfacela em condutas esquisitas e opções jurídicas estranhas, nossos Tribunais de Justiça superiores, estranhamente, ou convenientemente, poupados das delações da Lava-Jato, afinal, até mesmo Joesley, não entregou ninguém do Judiciário. Aliás, na  “delação de encomenda”, Joesley, dedica-se com afinco a pegar Temer- certamente foi seu preço-,  e poupa Lula, dizendo que suas conversas” não republicanas” era apenas com o ex-ministro da Fazenda, Mantega, propineiro e sonegador de impostos.
 
          Quer dizer, o maior golpe no BNDES, do maior corrupto nacional, iniciado e realizado no governo Lula, foi criado e tratado apenas com um Ministro, sem aval presidencial. Joesley quis conversar com Temer, mas nunca fez questão de conversar com Lula, contentando-se com o segundo escalão? Ah, me bata um abacate! Aliás, Mantega- que ainda está solto-,   ao que parece, terá sua cabeça servida na bandeja, como São João, para poupar o chefe. Parece que Palloci- o habilidoso-,  seguirá o mesmo caminho e discurso. 
 
          O governo Temer, que acerta na economia, apesar de todas as avarias, terá de partir para a barganha, buscando a sustentação e a aprovação das reformas, que, se vierem, custarão mais caras,  com certeza. A manutenção do seu mandato, não será feita pelos deputados apenas por pensarem no futuro do Brasil. Argumentos mais convincentes já começam ser liberados e teremos, com certeza, um novo capítulo de horror, visto que, na bandidagem atual, até os que permanecem calados, na cadeia, estão recebendo dinheiro pelo silêncio. 
 
          Verdade que, se de um lado, a dupla Fachin-Janot, age sob questionamentos, do outro, Temer,  é acusado de mandar espionar  Ministro do STF e de usar o Estado para perseguir os opositores. O que estamos assistindo, não nos enganemos, não é só uma busca por Justiça, mas uma luta intestinal, violenta e sem escrúpulos, pelo poder, envolvendo os mais diversos interessados: mídia, Judiciário, políticos, grupos empresariais, mas cada um com sua conveniência.  O povo, serve apenas para pagar o pato. 


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