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Valdomiro Silva

A fortuna do sheik do PSG e a cabeça de Neymar

25 de setembro de 2017 | 19h 15
A fortuna do sheik do PSG e a cabeça de Neymar

Árbitro de vídeo, briga de Neymar com Cavanni para bater pênaltis no PSG, Bahia e Vitória na Série A... são muitos assuntos acumulados, pela minha inércia nesta coluna. O chefe César Oliveira deve estar prestes a me demitir. Mas peço uma nova chance, prometo ser mais assíduo.

Vou tentar falar de tudo um pouco, ao longo da semana. Começando pela guerra de estrelismo no PSG. Os dois atacantes do time francês se deram ao ridículo de, diante das câmeras, demonstrar toda a sua imaturidade, falta de humildade, arrogância.

Alguém com um mínimo de bom senso evitaria tudo aquilo. Mas isto, parece-me, é algo precário, na cabeça de Neymar e do uruguaio. O brasileiro, aliás, é o causador principal do imbróglio.

Cavanni é o batedor de pênaltis do PSG, muito antes de Neymar chegar. Como é que se troca um batedor de tiro livre da marca da cal, no futebol? Todo mundo sabe: é quando o atual cobrador perde uma sequencia de duas ou três oportunidades. Aí, a torcida exige a mudança, o técnico tenta um novo batedor e este assume o posto, até que também sofra desperdícios em série, dando lugar ao próximo escolhido. Não é assim?

Então, Neymar deveria aguardar sua vez, e não querer se impor naquele momento, por força da fama e do salário, maiores que os do colega. Mas não é a toa que o futebol é o mais pobre dos esportes, em se tratando de regras e de civilidade, da parte de atletas, torcedores, dirigentes e, porque não, também da imprensa que o acompanha.

Do alto de seus 25 anos (se com os pés Neymar é genial, em cabeça e juízo, ainda é um juvenil), da fortuna amealhada em meteórica carreira e da vaidade extrema, o brasileiro entendeu que quem manda no PSG é ele, ninguém mais. E que pode fazer o que quiser.

Nesse aspecto, faço um adendo, a transferência de clube pode lhe fazer algum mal no que diz respeito a formação de sua personalidade, ainda em curso. No Barcelona, pelo que se percebe, a disciplina é algo valorizado. No PSG, cujo proprietário é o sheik bilionário Nasser Al-Khelaif, a linguagem das soluções é uma só: grana.  

E Cavanni, poderia ter tido outra reação? Sim, claro. Fosse ele um homem humilde, para não permitir se envolver naquele papelão (filmado com a bola nas mãos e discutindo com o companheiro), poderia ter dado a permissão ao Neymar.

Abraçava-o após o gol. Cumprimentava-o no vestiário. Na segunda-feira (o jogo foi domingo? Nem lembro mais) convidaria o colega, o treinador de ambos e um diretor para uma conversa. Defenderia que continuasse sendo ele o batedor oficial, por não haver nenhuma justificativa para a troca. Ouviria os argumentos.

Se houvesse consenso, permaneceria ele sendo o batedor. Caso o clube (leia-se técnico e dirigente) decidisse diferente, que o batedor seria outro a partir dali, como funcionário da instituição, lhe caberia respeitar a medida, pois não existe ofensa alguma nela. É uma questão de escolha, prerrogativa da agremiação.

Para fechar com “chave de ouro” o episódio, e demonstrando que a coisa, por lá no PSG, é resolvida única e exclusivamente na base do vil metal, acharam de fazer uma proposta em dinheiro para o uruguaio abrir mão da titularidade dos penais. Cavanni não aceitou.

Não pensem os senhores que foi um gesto nobre da parte dele. Os motivos da negativa nada tem de nobre. Mas  vou parar por aqui. Diante de algo tão mesquinho e insensato, bem típicos do futebol, até já ocupei demais o tempo dos leitores. Até breve.



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