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André Pomponet

Absolvição de Temer é mau agouro para trabalhador

André Pomponet - 28 de outubro de 2017 | 09h 24
Absolvição de Temer é mau agouro para trabalhador

Michel Temer (PMDB-SP), o mandatário de Tietê, segue firme no poder. Quarta-feira (25) ganhou mais uma no Congresso Nacional: aquela Casa idônea arquivou o segundo pedido de investigação feito pela Procuradoria Geral da República (PGR) contra ele. Entende, portanto, que ele não é o chefe do “quadrilhão” aludido na denúncia. Mas a interpretação não foi assim, gratuita. Houve estímulos. Muitos estímulos: até a escravidão foi revogada numa polêmica decisão para agradar a bancada ruralista. Isso para não mencionar o balcão – onde se mercadeja cargo, verba, obra, apoio, voto – que segue funcionando a toda.

Enquanto isso, o mandatário de Tietê segue recorrendo àretórica de rábula do século XIX para reafirmar que o Brasil está voltando aos trilhos do desenvolvimento, conforme sua metáfora desgastada. E tome anunciar avanço, que o brasileiro médio – aquele que não tem acesso às afamadas malas e pastas de dinheiro – continua sem perceber.

Botar a comida no fogo, por exemplo, está ficando complicado. Todo mês o preço do botijão sobe. Festivamente, o governo anunciou que a política de preços dos combustíveis – o que inclui o gás de cozinha – seguiria as cotações internacionais. Esqueceram-se de avisar a dona-de-casa que isso implica em aumento todo mês. É o que acontece desde junho.

Mas não ficou só nisso. A verdade” tarifária da energia elétrica vergasta o brasileiro há um bom tempo. As reduções são ocasionais – simples trégua numa sucessão de aumentose, lá adiante, os preços sobem novamente. Manter os eletrodomésticos de casa funcionando vem implicando em custos crescentes. Não sai barato desfrutar do mínimo de conforto no Brasil.

A tarifa de água é estadual, mas também sobe todos os anos – e bem acima da inflação – pelo menos na Bahia. Ainda assim, logo que expurgou o petismo, Michel Temer e sua turma até se arvoraram a privatizar as empresas estaduais de água e saneamento, vendendo as maravilhas da medida, mas o surto privatista arrefeceu. Por enquanto.

Espoliação

Esse é a dimensão inflacionáriado salseiro no qual o emedebismo mergulhou o País. E que – justiça seja feita – ganhou impulso formidável a partir de 2015, quando Dilma Rousseff (PT) resolveu desdizer o que dissera antes das eleições. Mas não ficou nisso aí. É que o mandatário de Tietê sacou da algibeira um receituário que não passou pelo crivo das urnas, com novos atentados ao bolso do brasileiro pobre.

Um deles, exaustivamente discutido nesse espaço, foi a lipoaspiração do Bolsa Família. Milhões de beneficiários foram excluídos, sob a controversa alegação de fraudes, desligamentos voluntários e documentação irregular. A investida desconsiderou até o garrote da crise sobre o brasileiro humilde, mais necessitado do benefício durante a recessão.

A contrarreforma trabalhista e a aprovação da terceirização ampla, geral e irrestrita, também atingem impiedosamente o bolso do trabalhador. Com elas, até o salário mínimo obrigatório vai ser revogado, a partir da compressão da jornada de trabalho. Os efeitos ainda não se fizeram sentir, mas haverá menos dinheiro no bolso e, consequentemente, circulando na economia.

A última rasteira – isso para mencionar só as que circunscrevem à seara econômica e que atingem mais frontalmente o trabalhador – foi decisão de não fazer o pagamento do PIS – um salário mínimo – àqueles assalariados que recebem até o teto de dois mínimos mensais. Sem rumo e sem repertório,o governo recorre à chantagem como estratégia de convencimento. Alega que, sem reforma da Previdência, foi forçado a isso.

Politicamente, o mandatário de Tietê desidrata a olhos vistos. Mas como capitaneia um governo que não tem qualquer escrúpulo na hora de alvejar pobre e trabalhador, é provável que outras desgraças sobrevenham até meados de 2018. Para isso, conta com um Congresso colaborativo e uma grande imprensa conivente.



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