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  • Feira de Santana, quinta, 23 de novembro de 2017

Valdomiro Silva

O Vitória e a síndrome do Barradão

30 de outubro de 2017 | 14h 26
O Vitória e a síndrome do Barradão
 
 
O Vitória deve estar batendo um recorde, talvez não somente pessoal, neste Campeonato Brasileiro da Série A: o de quantidade de jogos sem vencer dentro de casa, no Barradão. Uma dezena, até aqui. A maioria dessas partidas resultou em derrotas para o time vermelho e preto, a exemplo das mais recentes, 1x2 Sport e 2x3 Atlético-PR, algumas em empate, como a de domingo último, 1x1 diante do lanterna Atlético de Goiás.
 
Aqui em Feira, tempos atrás, havia uma história de cabeça de boi enterrada próximo a uma das traves do Jóia da Princesa. Era uma desculpa que a torcida do Touro do Sertão inventava para justificar insucessos da equipe em seu mando de campo. 
 
O Barradão, diferentemente, sempre foi um estádio muito respeitado e até temido pelos adversários. O dono da casa  manteve, por longo período, um certo prestígio, por ser mandante que não dava oportunidades ao oponente. Fama que veio abaixo, nesta Série A 2017.
 
Isto é como derrocada de credibilidade de alguém que sempre fez as coisas corretamente, sem dar margem a arranhão em seu currículo, e de repente, comete o tal ato falho que joga por terra uma vida inteira ilibada. 
 
Com direito a apelido, "mamão com açucar", dado pelo criativo narrador tricolor Silvio Mendes, o Vitória vê  correr ralo abaixo uma trajetória que lhe deu muito trabalho construir. Virou saco de pancadas dentro de seu "santuário".
 
Como explicar, afinal, o que está acontecendo com o antes temido Vitória no Manoel Barradas? Bem, não dá para dizer algo sobre isto sem mencionar um outro lado da moeda, a bem sucedida campanha fora de casa. Afinal, as coisas se encontram relacionadas de algum modo. Se nos seus domínios o rubro-negro tem sido um fiasco, longe de Salvador os resultados são muito bons. O time nunca venceu tanto no mando advesário.
 
Esta segunda situação parece ser mais simples: com o futebol mais ou menos nivelado, por baixo, a arma mais poderosa das equipes de menor investimento cada vez mais se torna o contra-ataque. Como não há, no campeonato atual, muitas equipes diferenciadas, bem superiores tecnicamente, as que assim se consideram terminam por se lançar ao ataque sem grandes preocupações, não criam tantas chances - ou as desperdiçam em profusão - e acabam sendo surpreendidas.
 
Há, também, nesse "fenômeno", um pouco de menosprezo pelo adversário, algo que o futebol ou qualquer outro esporte não perdoa nunca. Alguns treinadores e jogadores  imaginam poder vencer a qualquer momento, quando enfrentam equipes menores, se desconcentram na defesa e acabam sendo "punidos pela bola".
 
Mas e quanto aos sucessivos fracassos do Vitória no Barradão, nosso tema central? Não se trata de praga, maldição, cabeça de boi enterrada, nada disso. O problema está na precária preparação tática, técnica e algo de psicológico, também, entre comissãp técnica e elenco.
 
Os jogadores não entenderam que, para vencer em casa, precisam, e muito, da estratégia utilizada longe do Barradão: reconhecer, numildemente, as carências técnicas da equipe, e da necessidade de jogar no erro adversário. Em linguagem moderna, não se meter a "propor o jogo", pois disso não é capaz. O técnico Wagner Mancini tem boa noção e conhecimento, mas não consegue a pedagogia e a didática necessárias para sensibilizar os seus atletas.
 
E ainda comete erros crassos como o de domingo. Diante de penalidade máxima em seu favor, a chance real de fazer 2x1, permite o colombiano Trellez, bom jogador por sinal, mas uma incógnita quanto a cobranças da marca da cal, pegar a bola e bater. Eu teria chamado Uilliam Correia, o volante, um dos melhores chutes de toda a Série A, para uma conversa com ele: "é o pênalte mais importante de sua vida.  Escolha o canto e solta um canhão de modo a vazar a rede". Poderia dar errado, mas a escolha certa seria esta, em vista da excelente performance deste jogador em arremates de média e longa distância. 
 
Por fim, diante de tantos resultados ruins em sequencia, pode se dizer que o Vitória está quase lá: na Série B.
 
 


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