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André Pomponet

Homicídios sobem 12,45% em relação à década passada

André Pomponet - 16 de dezembro de 2017 | 10h 36
Homicídios sobem 12,45% em relação à década passada

Ainda faltam três anos para o fim da década atual. Mesmo assim, o número de homicídios na Feira de Santana já era 12,45% maior, no início de dezembro, que na década anterior, encerrada em 2010. Os números integram os balanços divulgados pela Secretaria da Segurança Pública e são acompanhados com competente diligência pelos radialistas feirenses especializados em cobertura policial. Há leve variação nos levantamentos, mas a sinalização é a mesma: a barbárie se incorporou à rotina da cidade, com média aproximada de um homicídio por dia nos últimos anos.

Desde janeiro de 2011 até o fim de novembro passado foram registrados 2.428 assassinatos no município. É mais que as 2.159 ocorrências do gênero notificadas entre 2001 e 2010. A diferença corresponde ao acréscimo de 12,45% aludido no parágrafo inicial. Note-se que ainda faltam três anos para o final da década: o crescimento até lá, portanto, vai ser muito expressivo.

Na década atual, somente em 2015 o número de assassinatos foi inferior a 300: os registros oficiais, naquele ano, indicaram 282 mortes. A marca macabra foi restabelecida em 2016 (358 ocorrências) e em 2017 (mais 329 até o final de novembro). Esses números desconsideram os latrocínios – roubos seguidos de morte – e as vítimas de confrontos com a polícia, os famigerados “autos de resistência”.

Uma leitura otimista pode indicar que já houve um intervalo mais macabro, entre meados da década passada e o início da atual: em apenas quatro anos, entre 2009 e 2012, foram precisos 1.518 homicídios. O ano mais terrível foi 2012, quando a velada guerra urbana rendeu 412 cadáveres. Foi naquele ano, a propósito, que a Polícia Militar promoveu um motim que resultou em mais de quarenta assassinatos em um único dia, no mês de abril.

Naqueles quatro anos, a média anual de assassinatos alcançou impressionantes 379,5. Quando se considera a década atual, a média é inferior: 346,8 homicídios por ano, abaixo daquele quadriênio bárbaro. Note-se que, a essa soma, faltam os números de dezembro. É muito acima, porém, que a década anterior, a dos anos 2000, quando foram mortas 215,9 pessoas por ano, em média.

Patamar altíssimo

Pode-se se afirmar que, nos últimos anos, os números tendem à estabilização, mas num patamar altíssimo, que não justifica as corriqueiras celebraçõesOs números, como sempre, sustentam o raciocínio: desde 2007 que, todos os anos, são assassinadas, pelo menos, 235 pessoas na Feira de Santana. E somente em 2007, 2008 e 2015 houve menos que 300 assassinatos na cidade.

O cenário dá margem a inúmeras interpretações. Uma delas é que a política de segurança pública tão exaltada pelos governantes – focada na aquisição de viaturas, armamentos, munição, coletes balísticos e contratação de policiais – é questionável: quanto mais se anunciam medidas do gênero, mais a violência tem crescido. Qual a relação entre as duas variáveis? Mais polícia é a única solução para o problema? Não existem explicações, porque essas políticas públicas não são avaliadas e o tema é tabu para os governantes, que temem perder votos.

Normalmente, se prefere a tradicional demonização dos afrodescendentes pobres, jovensresidentes nas periferias, que figuramentre as principais vítimas desse genocídioque avança no varejo, mas produz resultados no atacado.Tem sido cômodo atribuir suas mortes à guerra de facções ou ao consumo do crack, pretexto que caiu em desuso depois que o sistemático aniquilamento desses infelizes tornou-os menos visíveis pelas ruas.

Não existe guinada civilizatória à vista, que permita outro olhar sobre a barbárie. Muito pelo contrário: o que há é a disposição pela formalização do extermínio, ampliando as salvaguardas dos militares para apertar o gatilho. É o que prometeu quinta-feira (14) um dos principais candidatos à presidência da República, para delírio dos estroinas que o exaltam, babosos.

Ressalte-se que a Feira de Santana é apenas um contundente recorte da triste realidade do país. Brasil afora, todos os anos, morrem dezenas de milhares de pessoas assassinadas.O lúgubre endurecimento que se anuncia é o prenúncio de mais violência, mais mortes, mais dor e sofrimento e mais prejuízos para a sociedade.



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