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André Pomponet

Servidor público é eleito causa das mazelas do País

André Pomponet - 26 de dezembro de 2017 | 09h 49
Servidor público é eleito causa das mazelas do País

Servidor público virou a causa de todas as mazelas que afligem o Brasil. Não são os políticos corruptos com suas escandalosas malas de dinheiro, não são os aspones” que transportam malas regurgitando cédulas a mando dos próceres dos “quadrilhõesnão são os empreiteiros corruptos que compram – com o próprio dinheiro público, diga-se de passagem – políticos que, adiante, no exercício do mandato, vão atender todas as suas exigências com diligente presteza.

Também não são os parlamentares que – dia sim e outro também – aprovam generosas renegociações de dívidas que causam espantosos rombos no erário público. Ou as bancadas do dízimo, do boie da bala – que encorpam o festivo “centrão” – que, sempre à disposição no balcão, votam, aprovam e defendem qualquer medida, desde que seus interesses pecuniários sejam recompensados.

A caçada ao funcionalismo público rendeu até uma desonesta propaganda do nocivo emedebê, que atribui aos servidores a responsabilidade pelas desigualdades no País. Tudo isso para aprovar a badalada reforma da Previdência, que vai avançar na supressão dos direitos dos trabalhadores brasileiros.

Até um mote mentiroso inventaram: o de que a reforma não vai afetar a vida de quem ganha pouco. Empulhação: a base do cálculo vai ser ampliada, abrangendo todo o período de contribuição, empurrando o benefício para baixo. Antes, na fórmula para calcular o benefício, entravam só 80% dos rendimentos, justamente os mais elevados.

Quem ganha o mínimo também não tem motivos para sorrir: afinal, lá adiante, nada garante que não venha aí um brutal arrocho. Sem contar que os infelizes contratados pelo regime intermitente dificilmente vão ser absorvidos pela Previdência oficial no longo prazo. Sorrateira, a propaganda mentirosa buscou atrair a simpatia dessa parcela da população para aprovar a contrarreforma em fevereiro.

Bahia

Mas o servidor público não está sendo fustigado só com a reforma da Previdência. Virou moda cassar o reajuste linear que, no papel, é direito do trabalhador. E isso é pluripartidário: vai do emedebismoem Brasília ou no Rio de Janeiro até o petismo na Bahia que, desde sempre, alega sintonia e entrosamento com o trabalhador.

Em 2018, provavelmente, serão três anos sem reajuste linear na Bahia. Coisa de provocar inveja no sisudo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles. Aposentados e pensionistas, coitados, figuram entre as maiores vítimas: os parcos vencimentos de muitos deles estão se tornando insuficientes para fazer frente à elevação dos preços do botijão de gás, da energia elétrica, da água e dos alimentos que subiram após anos de contenção forçada no desastrado mandato de Dilma Rousseff (PT).

Muitos deles, idosos, têm que comprar remédios – que sobem todos os anos – e segurar o rojão dos planos de saúde. Papos informais nas clínicas da cidade evidenciam a insatisfação tanto com a ausência de aumento salarial – as perdas acumuladas bordejam os 20% - quanto com as restrições de atendimento no plano de saúde oficial do Estado.

É muita insatisfação reprimida pelo brasileiro, em geral, e pelo servidor público, em particular. Mas ano que vem tem eleição. Há quem já se julgue eleito e há quem se enxergue como paradigma de uma gestão lapidar. Em outubro do próximo ano veremos se tanta propaganda realmente contaminou o eleitor, convencendo-o. Ou não.



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