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André Pomponet

A influência da biometria sobre as eleições em Feira

André Pomponet - 28 de janeiro de 2018 | 11h 33
A influência da biometria sobre as eleições em Feira

Na quarta-feira (31) finda o prazo estabelecido pela Justiça Eleitoral para o recadastramento biométrico dos eleitores de diversos estados brasileiros, incluindo aí a Bahia, representada por dezenas de municípios. A Feira de Santana também figura na lista daquelas cidades nas quais o recadastramento é obrigatório. A promessa da direção do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) é de que não haverá prorrogação: quem perder o prazo não vota e fica exposto a uma série de penalidades, o que inclui a perda de benefícios sociais, a exemplo do Bolsa Família.

Balanço divulgado semana passada pela imprensa indicava que cerca de 66% dos eleitores de Salvador já tinham feito o recadastramento. A estimativa era que aproximadamente 70% dos portadores de título eleitoral no estado fará a biometria até o final do prazo, no meio da semana. É possível que o percentual da Feira de Santana fique próximo da média do estado: a partir daqui, resta esperar o balanço com os números definitivos.

O processo foi bastante tumultuado no município: a dificuldade para agendar horário pela internet exigiu sucessivas incursões e muita paciência, nem sempre com final feliz para o eleitor. Outros penaram em filas quilométricas, sob o sol inclemente ou ensopando-se nas chuvas ocasionais. Passar a madrugada em frente à sede do tribunal, ali nas imediações da avenida José Falcão, compôs o calvário de muitos.

É provável que parte dos eleitores que não vai se recadastrar já morreu, se mudou ou já não tem obrigação de votar, como diversos idosos. Só que esse contingente, ao que tudo indica, é reduzido em relação ao universo daqueles que não vão fazer a biometria. Sendo assim, fica a incógnita: quem serão os eleitores que não poderão comparecer às urnas em 2018?

Revoltados?

Muitos brasileiros – incluindo aí vários feirenses – estão revoltados com a bandalheira política e não pretendem votar. A inquietação pode ser aferida nas eleições municipais de 2016: somados os votos brancos e nulos e as abstenções, 98,9 mil dos 397 mil eleitores feirenses deixaram de votar. Esse número superou a soma dos votos dos candidatos a prefeito derrotados naquele pleito, que não passou de 86 mil.

O número, inclusive, não é distante da quantidadede eleitores que – estima-se grosseiramente – não deve se recadastrar. Só que, entre os recadastrados, a tendência é que muitos não compareçam às urnas pelos mais variados motivos. Não se duvide que o universo de votos válidos se reduza ainda mais em relação à eleição anterior, o que amplia a incerteza para os candidatos que vão garimpar seus sufrágios por aqui.

Entre os vagalhões desse mar de incertezas políticas, algumas questões se sobressaem: qual o perfil do eleitor que vai deixar de ir à urna? Caso haja um perfil predominante, qual (ou quais) candidatos tendem a ser prejudicados? O naufrágio de Lula vai interferir sobre seus eleitores? Fatores geográficos (distritos, bairros, zonas eleitorais, etc.) pesam nas estatísticas? Só uma acurada pesquisa para esclarecer essas dúvidas.

Quem for garimpar seus votos na Feira de Santana precisa estar atento para os efeitos da biometria sobre o universo de eleitores. Isso caso – ressalte-se – o prazo não seja estendido e o número de recadastrados não se amplie de maneira expressiva. O cenário político, por si só, anda demasiado conturbado. E, por aqui, o recadastramento surge como variável que pode influenciar a realidade eleitoral da Feirade Santana.



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