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André Pomponet

Calor escaldante influi nos hábitos do feirense

André Pomponet - 06 de março de 2018 | 13h 55
Calor escaldante influi nos hábitos do feirense

As temperaturas elevadas, registradas praticamente todos os anos, já dão sinais de que começam a influenciar os hábitos da população feirense. Isso principalmente ao longo do verão. Segunda-feira (05) os termômetros registraram inacreditáveis 38 graus; Hoje, a máxima alcançou impressionantes 36 graus. O problema é que as temperaturas mínimas também não são nada refrescantes: nos últimos dias, vêm oscilando entre 28 e 29 graus, o que não permite sequer aquela aragem agradável da madrugada.

Quem sai às ruas sente a pele arder, ressecada, sobretudo a partir dos finais de manhã e até depois do meio da tarde. O horizonte próximo – mesmo o fim da rua – tremula em ondas de calor. E a luminosidade intensa ofusca a vista, impõe óculos e boné para os mais sensíveis.

As árvores escassas, nessas canículas intensas, projetam sombras mesquinhas, sobretudo ao meio-dia. A trégua que oferecerem é precária: venta pouco e o bafo quente, ardido, dilui o efeito do resguardo passageiro do sol. O asfalto, o concreto e o vidro – constantes imutáveis na paisagem feirense – amplificam a sensação de calor.

No céu, o azul contracena com punhados de nuvens disformes, encardidas, que vão se arrastando pela amplidão. Aqui ou ali uma delas encobre o sol, ofertando uma trégua breve. Mas as nuvens, nos últimos dias, têm sido mais raras e logo cedo é possível perceber, pela luminosidade do céu, que o dia vai ser escaldante.

Hábitos

Hoje se vê pouca gente circulando pela cidade nas horas de sol mais intenso. Quem se arrisca empunha acessório que, antes, só era visível nas garoas do inverno ou sob as trovoadas do verão: a sombrinha ou o guarda-chuva; quem perambula como ambulante e é mais prudente resguarda-se com aquelas malhas que protegem dos raios ultravioletas. Bonés ou chapéus são indispensáveis também.

É provável que, nesses meses de estio intenso, comércio e serviços registrem alteração no fluxo de clientes: mais cedo, com o sol ainda morno – como diz o tabaréu – talvez a afluência de consumidores seja maior; mas, à medida que o astro dourado escala o alto do céu, o feirense desaparece, para só voltar a circular lá quase no fim da tarde, quando o horizonte começa a ficar alaranjado.

Rotina do gênero lembra as povoações longínquas, miúdas, do sertão agreste. Só que o desmatamento, o aterramento das lagoas e o excesso de vidro, concreto e asfalto na paisagem urbana aproximaram Feira de Santana dessa realidade. Justamente aqui, cujas temperaturas eram mais apenas porque a cidade desfrutava do privilégio de integrar o “Sertão Atlântico”, para se recorrer a uma licença poética.

A previsão do tempo indica que, nos próximos dias, a temperatura média vai cair um pouco: as máximas se reduzirão a até 33 graus e, as mínimas, bordejarão os 27 graus. Noutras palavras, o sufoco das máximas vai declinar um pouco, mas as mínimas vão permanecer desconfortavelmente altas. Bonés, chapéus, sombrinhas, malhas guarda-chuvas e outros acessórios vão, portanto, seguir pontuando na paisagem feirense.



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