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André Pomponet

Perfil partidário das prefeituras é mais equilibrado desde 2016

André Pomponet - 10 de abril de 2018 | 12h 51
Perfil partidário das prefeituras é mais equilibrado desde 2016

Pouca gente vem comentando, mas o perfil partidário das prefeituras baianas mudou nas eleições de 2016. Desde sempre a situação fazia – no mínimo – 300 prefeituras aliadas. O cenário era válido até 2006 – quando o então PFL, atual DEM, dominava a política local – e, depois, permaneceu parecido com a ascensão petista. Há dois anos, porém, a dinâmica mudou: mesmo na Bahia, o PT sofreu derrota expressiva, passando de 92 prefeituras para apenas 39; e a oposição avançou, conquistando, sobretudo, as prefeituras das cidades maiores.

Três dos quatro maiores municípios estavam com o DEM: Salvador, Feira de Santana e Camaçari. A legenda conquistou também as prefeituras de Barreiras e Alagoinhas. O MDB – então aliado preferencial – levou Vitória da Conquista, Simões Filho e Valença e, agora, herda Feira de Santana com a saída de José Ronaldo de Carvalho e a ascensão de Colbert Filho.No total, a oposição levou oito das 20 maiores prefeituras.

Graças às prefeituras de Salvador e Feira de Santana, o DEM governa 68,3% do Produto Interno Bruto (PIB) dos 20 maiores municípios. O PT – partido do governador Rui Costa, candidato à reeleição – toca apenas 4,3% do PIB dos 20 maiores, em Lauro de Freitas. Seu aliado mais destacado, o PSD do senador Otto Alencar, governa 9,3%.

A hegemonia do DEM manifesta-se também em relação à proporção de votos válidos na Bahia. A legenda recebeu 31,9% desse total nas eleições de 2016. O PSD ocupa uma distante segunda colocação – com 15,9% - e o PT não passa de 7,7%, perdendo inclusive para o atual MDB, que cravou 9,7% do total dos votos válidos naquele pleito. Esses números, evidentemente, incluem Salvador e Feira de Santana, maiores colégios eleitorais do estado e responsáveis por expressiva parcela da população votante.

Quando se considera o total de prefeituras conquistadas, o governismo mostra-se mais forte: o PSD arrebatou 86 e, na sequência, aparece o PP, com 56; o oposicionista MDB figura em terceiro, com 48 prefeituras, para só então aparecer o PT, com 39; na sequência, coloca-se o DEM, com 34 prefeituras. O governismo, portanto, mostra-se proporcionalmente mais forte quando se consideram os rincões, as pequenas cidades espalhadas pelo amplo território baiano, com população mais escassa.

Análise

Os dados acima integram a publicação “Mapa das Eleições nos Municípios Baianos em 2016”, da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), autarquia da Secretaria do Planejamento. E espelham o duro revés petista depois da eclosão da crise econômica, do impeachment de Dilma Rousseff (PT) e das investigações sobre o esquema de corrupção na Petrobras. Mas será que aquela realidade perdura até os dias atuais, pouco mais de um ano depois? E será que provocará efeitos sobre as eleições de outubro para governador?

O DEM exibe como trunfo vencer duas eleições municipais seguidas em Feira de Santana e Salvador. Avançou em grandes centros, ampliou o número de prefeitos – em 2012 elegeu apenas oito – e testemunhou o avanço do MDB e do PSDB, dois potenciais aliados na batalha contra o petismo. Conta, portanto, com um eleitorado amplo que conhece a legenda e suas principais lideranças políticas. É um capital, mas eleições estaduais e nacionais são mais complexas que as disputas locais.

As candidaturas presidenciais bem avaliadas, por exemplo, tendem a influenciar na escolha do eleitorado local, apesar das especificidades municipais. Lula sempre foi um poderoso cabo eleitoral quando presidente, função que Fernando Henrique Cardoso também desempenhou nos anos 1990. Em 2018, porém, o cenário está mais enevoado e não se sabe quem pode canalizar votos para as candidaturas postas ao Palácio de Ondina.

O certo é que o legado de Michel Temer (MDB-SP), o mandatário de Tietê, vai ser refugado de parte a parte: petistas tentarão repassar para os adversários o ônus do descalabro em curso; e não vai faltar quem lembre que Michel Temer era o vice de Dilma Rousseff – portanto integrante da chapa petista – e que Geddel Vieira Lima começou a ascender com o apoio entusiasmado do PT, no segundo governo Lula.

Mas tudo isso são conjecturas, devaneiode quem não consegue, sequer,visualizar o horizonte próximo com clareza.O fato é que o cenário eleitoral permanece turvo, embora alianças já se firmem, permutem-se apoios e, em alguns casos, aposte-se em vitórias retumbantes. Os próximos meses – que devem envolver intensas tramas jurídicas – vão, aos poucos, descortinando o horizonte.



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