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César Oliveira

Os fatos que abalaram a República

Cesar Oliveira - 02 de junho de 2018 | 14h 19
 Os fatos que abalaram a República
Pedro Parente

A quatro meses do primeiro turno eleitoral o Brasil segue sacudido por emoções nunca vistas. Iniciadas com a condenação e prisão do ex-presidente Lula; a intervenção federal no Rio de Janeiro; a definição de prisão após condenação em segunda instância; a fúria libertadora de Gilmar Mendes, no STF; a greve dos caminhoneiros e a demissão de Pedro Parente, da Petrobrás.

Em todas elas, o pano de fundo é a sucessão presidencial, uma terra em que o principal candidato, Lula, estará fora do jogo, condenado por seus crimes. Nesse cenário- uma terra de ninguém- cada movimento é uma oportunidade de declarações estapafúrdias e populismo barato. No último ato, com Temer, cada vez mais acuado pela Lava-jato, a greve dos caminhoneiros, que começou como manifestação legítima, tornou-se locaute, e completou-se com infiltrados, manipulação política e um prejuízo monumental a economia do país. O presidente- desrespeitado, acintosamente- em reuniões, tudo cedeu aos condutores, e considerou-se iluminado por encontrar como solução para o problema a retirada de recursos da Saúde e Educação, mostrando que a pressão tem afetado sua noção de realidade.

Ao lado disso, a renúncia de Pedro Parente- adorado pelos mercados e acionistas e odiado pelos brasileiros que arcam com o custo de sua política de preços-, após promover 107 reajustes de combustível em 10 meses, em fúria, só comparável ao Ministro Gilmar, que deferiu 15 habeas-corpus, em 15 dias, no STF. Aliás, contratos de sócios de Parente, com a Petrobras, viriam à tona, se uma CPI fosse instalada, o que, certamente, contribuiu para sua decisão. 

Detalhe importante foi o apoio inicial da população, à greve, em uma espécie de catarse social, de incorporar a greve alheia para chamar de sua, apenas, para mostrar seu descontentamento com tudo isso que está aí.

Outro dado a chamar atenção foi a aprovação de  35% da população a intervenção militar, descartada repetidamente pelos oficiais das Forças Armadas, que tem mostrado um comportamento exemplar,  até aqui. Isso, apesar deles terem se transformado em pau para toda obra, pelo presidente Temer, que em toda situação de crise, recorre aos militares.

Enfim, foram dias tensos, graves, com uma série de fatos que vão continuar impactando negativamente na economia, reduzindo o PIB, agravando a retomada do emprego, gerando mais instabilidade e insatisfação do brasileiro com a impunidade.

A proximidade cada vez maior da eleição irá levar a outros fatos, talvez, mais provocativos. Como nunca antes nesse país testaremos nossos limites institucionais e precisaremos estar atentos, vigilantes, para evitarmos o fracasso de nosso processo democrático.



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