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André Pomponet

Com a eleição, fala-se novamente no Centro de Convenções

André Pomponet - 05 de junho de 2018 | 13h 20
Com a eleição, fala-se novamente no Centro de Convenções

Quem passa pelo lado de fora não deixa de sentir indisfarçável mal-estar. O polêmico Centro de Convenções da Feira de Santana, localizado ali no bairro São João, próximo à avenida João Durval, segue aguardando uma decisão sobre o seu destino. Hoje, como está, não deixa de constituir um monumento à “não-decisão” dos sucessivos governos petistas que se revezam no comando da Bahia desde 2007. As obras foram paralisadas há mais de dez anos e, embora a cidade careça do equipamento, não se resolve o interminável imbróglio.

A novela é longa: as obras começaram no segundo governo Paulo Souto, na primeira metade da década passada. Com a entrega do equipamento, esperava-se fomentar o turismo de negócios no município e assegurar um espaço para a realização de grandes eventos na Feira de Santana. Só que, em 2006, antes da conclusão da obra, Paulo Souto foi derrotado na disputa pelo governo da Bahia e o drama começou.

Nesses mais de dez anos foram apresentadas várias versões para a interrupção da obra. A mais recorrente apontava para erros estruturais que inviabilizariam o equipamento. Depois, essa versão foi abandonada, mas o futuro Centro de Convenções foi se deteriorando, enquanto prosseguiam, pela imprensa, os choques de versões, altamente partidarizadas.

Hoje não passa de uma estrutura inacabada que, aos poucos, vai se convertendo em ruínas sob a inexorável ação do tempo. Sequer existem placas sinalizando o que é aquela estrutura cinzenta, com manchas escuras e vergalhões expostos, enferrujados, apontando para o céu. As que havia, foram consumidas pelo sol inclemente e pelas chuvas.

Eleições

O Centro de Convenções só volta à pauta nos períodos eleitorais. Em eleições passadas, às vezes, apareceram por lá trabalhadores fazendo uma manutenção cosmética, encenando uma retomada nas obras, que era abandonada logo depois do pleito. Compunha bem o figurino dos governos dinâmicos, que trabalham, que estão atentos. Tudo para enganar o eleitor.

Como não pode deixar de ser, em 2018, volta-se a falar do Centro de Convenções. E o discurso é promissor: já se visualiza o equipamento construído, funcionando, sendo repassado à prefeitura. Faltam cerca de quatro meses para as eleições. Provavelmente depois de outubro o silêncio habitual vai voltar a prevalecer, como acontece desde sempre.

Seria bom que viesse à luz uma explicação plausível para a década de abandono da obra. Desculpas foram se avolumando, pouco convincentes, enquanto o tempo e o descaso dilapidavam o suado dinheiro do contribuinte gasto com projeto, cimento, ferro, concreto e mão-de-obra. Nalgum lugar civilizado – o que não é o caso – a situação provocaria escândalo, indignação. Mas não aqui.

Prioridades

Construído, o Centro de Convenções funcionaria como um vetor de desenvolvimento para aquela região da Feira de Santana. Hotéis, bares, restaurantes – o próprio shopping que funciona lá perto – seriam beneficiados, com a dinamização da economia das proximidades. De quebra, seriam gerados empregos, muito bem-vindos, sobretudo nesses tempos de aguda crise econômica.

Feira de Santana também iria se credenciar para atrair eventos de maior porte, o que se traduziria em mais turistas – quem viaja para participar de evento costuma desembolsar, na média, mais que o turista habitual – e, quiçá, no impulso a equipamentos que permanecem subutilizados, como é o caso do aeroporto, com seu solitário voo semanal dos dias atuais.

Enfim, se estabeleceria uma espiral virtuosa. Mas graças à tibieza na tomada de decisão sobre o Centro de Convenções – e à pusilanimidade do feirense, que deveria reforçar as cobranças – o problema se arrasta, há impressionantes 11 anos. E, pelo jeito, o que está se produzindo é só marola, que vai expirar depois de passadas as eleições...



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