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César Oliveira

A liberdade que você nem sabe que perdeu ou o despotismo em nuvem

Cesar Oliveira - 20 de junho de 2018 | 17h 26
A liberdade que você nem sabe que perdeu ou o despotismo em nuvem
A liberdade guiando o povo- Delacroix

Reagan dizia que a liberdade estava sempre a uma geração da extinção. A liberdade não é uma dádiva divina. É um exercício cotidiano de vigilância, resistência, sacrifício, pois, só nela é possível o exercício pleno do potencial humano. Nenhuma outra forma de existência é digna ou merecedora de respeito.

A opressão não se faz só pelas armas e dominação violenta. Atualmente, ela assume formais mais sutis, imperceptíveis, de dominação, que podemos chamar de despotismo em nuvem ou imaterial. Não há, na maioria das vezes, um agente impositor definido contra o qual se possa pegar em lanças e combater o moinho, mas mecanismos subliminares que tentam te impor padrões de consumo, comportamento, gostos, modelos, opiniões, e valores. E utilizam como elemento cerceador, não a arma tradicional, mas outras ações, “armas metafóricas”, mas nem por isso menos violenta, ou letal, como a exclusão, a segregação, a não inclusão, a rotulação com algum epíteto que cause constrangimento e desconforto moral.

Aliado a isso, todos os elementos, estruturas, núcleos, conceitos, ritos, valores, que funcionem como forças de resistência, devem ser destruídos, dessacralizados, ou relativizados em sua importância.

A origem podem ser governos, grupos de pressão, minorias, empresas-nação, fundos de capital, produtores e gestores da revolução da comunicação, ou até mais difusas, em certas situações, como flash-mobs sem origem convocatória, gerados por algum fato que atinja um senso comum pré-formado. Frequentemente esses agentes têm interfaces comuns, que convergem para o mesmo interesse de manipulação.

É certo que nunca tivemos tanta liberdade, tanta possibilidade de expressão plena da liberdade, mas ao mesmo tempo ela nunca esteve tão ameaçada, seja pela multiplicidade de agentes limitadores dessa liberdade -que vai do indivíduo-censor à sociedade-censora-, e dos mecanismos disponíveis para esse objetivo.

A nossa não percepção do controle, o que faz com que a capacidade de reação seja reduzida em sua intensidade e persistência, é o maior risco que corremos.

A liberdade não é um território estranho, ou inóspito. Ao contrário, é nossa moradia essencial. E não é um bem imperecível, mas, sim, uma condição sempre ameaçada de extinção. Não há liberdade, sem que se lute por ela. Inclusive, por aquela, que você nem percebe que perdeu.



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