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Educação

Feira de Santana: de entroncamento rodoviário a polo educacional

Vanessa Testa - 17 de agosto de 2018 | 16h 46
Feira de Santana: de entroncamento rodoviário a polo educacional
Foto: Vanessa Testa

Nascida da movimentação dos tropeiros pela Estrada Real, que ligava o sertão às demais zonas do país, e da formação das feiras livre e de gado, Feira de Santana foi, por séculos, uma cidade essencialmente comercial. Mas esse perfil econômico, alavancado ainda mais por ser o Município um importante entroncamento rodoviário, começou a mudar a partir da implantação, em 1968, da Faculdade de Educação, parte da política de interiorização da Educação Superior, fomentada pelos governos federal e estadual. Posteriormente, em 1970, a cidade foi contemplada com a criação da Fundação Universidade de Feira de Santana (FUFS), que originou, em 1976, a Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs). Desde então, a Princesa do Sertão vem, cada dia mais, se consolidando como polo educacional.

Educadora há mais de 40 anos, a professora Anaci Bispo Paim analisa os avanços do perfil educacional de Feira de Santana. De acordo com a pedagoga, que já ensinou desde o ensino fundamental até o superior, a educação feirense mudou bastante nos últimos anos. “Há algumas décadas, o que dava destaque a Feira era o fato de ser um entroncamento rodoviário, um ponto de passagem obrigatório para pessoas que vinham das regiões Sul, Sudeste e Norte do país. Depois de algum tempo, a cidade começou a vivenciar outro momento de evolução econômica, política e social. E o advento da Uefs contribuiu muito para isso. Hoje, Feira é um grande polo educacional da Bahia”, destaca a ex-reitora da instituição.

Para Anaci Paim, o crescimento do complexo educacional da cidade tem sua importância, visto que é suprido por professores que aqui se formam e aqui ensinam.  “É muito bom, na visão sistêmica de Educação, conseguir desenvolver um projeto mais integrado com comunidades de todas as esferas, etapas e níveis de educação, que vá desde a Educação Infantil, passando pelo Ensino Fundamental, Médio e Educação Profissional até a Educação Superior, nas diversas modalidades, sejam presenciais ou à distância, e chegando até o Mestrado e o Doutorado”, analisa.

O fato de Feira contar com cursos de Pós-Graduação, presenciais e à distância, inúmeras Especializações, Mestrados e Doutorados é também um ponto positivo, na opinião da professora. “Há alguns anos, se você quisesse fazer um Mestrado ou Doutorado, tinha que se deslocar da Bahia. Atualmente, isso não é mais preciso”, relembra Anaci.

EDUCAÇÃO BÁSICA – Apesar de a Educação Superior ter crescido e se qualificado de forma abrangente na cidade, os indicadores da Educação Básica ainda não são satisfatórios. O último Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB), divulgado em 2015, apresentou nota 4, número inferior à meta prevista, que era de 4,3.

Desde 2011, a meta não é alcançada. Entretanto, comparados aos últimos crescimentos, que eram de 0,2, o avanço de 0,6 na nota de 2015 foi algo, à época, comemorado pela secretária Municipal de Educação, Jayana Ribeiro. Em matéria anteriormente publicada no jornalTribuna Feirense, a secretária disse que o maior desafio de sua pasta era melhorar o IDEB do Município. Para alcançar esse objetivo, ela disse que é preciso superar outro desafio: fazer com que os professores melhorem as metodologias utilizadas em sala de aula, a fim de que os alunos sejam alfabetizados corretamente e de que tenham prazer em estudar.

Melhorar os indicadores educacionais de uma cidade de mais de 600 mil habitantes não é tarefa fácil. É uma missão de alta complexidade, que depende de um conjunto de ações, como a existência de escolas equipadas e adequadas às necessidades da comunidade; itens como merenda escolar, infraestrutura, energia e água a pleno funcionamento; materiais escolares suficientes; além de transporte de qualidade, boa integração com a família e valorização dos educadores.

Ter uma boa formação nas séries iniciais é crucial para o desenvolvimento de um estudante. Uma boa base é a garantia de que o aluno estará preparado para avançar rumo aos diferentes níveis da Educação. Para Anaci Paim, Feira ainda carece de melhorias nessa fase educacional. “Os indicadores de Feira de Santana não são os mais satisfatórios. Ainda temos escolas na faixa de 2,0 pontos numa escala de 0 a 10 do IDEB, tanto no Ensino Fundamental, quanto no Médio. E isso não é bom. É preciso investir mais nas séries iniciais. É preciso investir na Educação Infantil. Não vamos melhorar o nível do aluno que está ingressando na Educação Superior, se não tivermos um investimento vultoso na sua base educacional”, observa.

EDUCAÇÃO INTEGRAL – Anaci Paim chama a atenção para mais um fator: o número insuficiente de Escolas em Tempo Integral, não só em Feira de Santana, mas também em todo o país. De acordo com o Plano Nacional de Educação (PNE 2001/2011), deve ser implantado, no Brasil, o aumento progressivo da jornada escolar. O documento estipula a duração de, pelo menos, sete horas diárias para o atendimento de tempo integral nas escolas. Para tanto, é indispensável que existam estruturas adequadas à proposta, além de corpo docente suficiente para cumprir essa demanda.

O documento de 2001 estipula ainda que a prioridade do Tempo Integral deve ser das crianças pertencentes às camadas sociais mais necessitadas. Mas não é o que se vê na realidade. Segundo dados da Secretaria de Educação do Estado da Bahia, 101 escolas estaduais apresentam a modalidade, em 49 municípios baianos, totalizando 30 mil vagas. Em Feira, no entanto, apenas oito escolas trabalham em regime de Tempo Integral, um número muito pequeno diante da quantidade de estudantes e, principalmente, dos números correspondentes à parcela mais carente da cidade.

As Escolas em Tempo Integral trazem diversos benefícios para os alunos. Além de contribuir com uma melhora no aprendizado geral, a proposta se converte em mais tempo e espaço para estudar, participar de oficinas, desenvolver ações pedagógicas nos mais variados contextos, além de aumentar significativamente o contato dos alunos com a arte, o esporte, a ciência e a cultura.

A falta de uma unidade na gestão educacional também é um ponto destacado pela professora Anaci Paim. Ela chama a atenção para problemas político-sociais enfrentados no país: “No Brasil, você começa um projeto bom. Quando ele está em desenvolvimento, muda-se o partido, muda-se a política partidária. Logo, aquele projeto já não serve mais, já não é continuado. É preciso ter objetivos mais perenes, independente de partidos políticos. Os países que evoluíram na Educação têm projetos de dez, 20, 30 anos em andamento. O que é bom continua. Não importa a biografia do autor”, conclui.



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