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  • Feira de Santana, terça, 25 de setembro de 2018

Educação

Instituições públicas e privadas de Ensino Superior transformaram Feira em um polo educador

Karoliny Dias - 20 de agosto de 2018 | 18h 27
Instituições públicas e privadas de Ensino Superior transformaram Feira em um polo educador

A educação superior chegou à cidade com a Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs). Ela nasceu como resultado de uma estratégia governamental, que tinha por objetivo interiorizar a Educação Superior, até então restrita a Salvador.O atual reitor da entidade, professor Evandro do Nascimento Silva, destacou a grande relevância que a entidade tem para a cidade. Para ele, a Uefs torna Feira de Santana um polo de conhecimento no interior da Bahia e dinamiza o desenvolvimento da região há quatro décadas.

Na opinião de Evandro do Nascimento, a entidade traz várias contribuições para a Feira de Santana.  Uma delas, segundo o reitor, é a injeção monetária na economia local. “Eu estimo que a presença da Uefs faz circular, por ano, cerca de 100 milhões de reais,  com os salários de servidores e terceirizados, com os contratos de serviços que pagamos e com o consumo de estudantes que vêm de outros municípios”, avalia.

A Instituição colabora ainda, conforme o gestor, com a disponibilização de profissionais qualificados para a indústria, para o setor de serviços, para a rede de Educação Básica, para o sistema de saúde local e para o setor público. “Há setores que estão embrionários, mas que são promissores para a nossa economia, e que tem a participação de profissionais formados na Uefs, como é o caso da área de Tecnologia da Informação”, observa.

Outra contribuição importante diz respeito à cultura, através das atividades do Centro Universitário de Cultura e Arte (Cuca); dos diversos museus mantidos pela Universidade; da Feira do Livro; e do resgate de manifestações e festejos populares, como o Bando Anunciador da Festa de Santana. “Temos ainda pesquisas importantes sobre o semiárido, saúde pública, biotecnologia, geotecnologias, literatura regional, para citar algumas áreas. Na Extensão universitária, os projetos e programas realizam o atendimento direto de mais de 200 mil pessoas. Só as Clínicas Odontológicas realizam cerca de 10 mil procedimentos por ano. A Universidade Aberta à Terceira Idade (Uati) atende a 760 idosos”, informa.

UFRB – Em Feira de Santana, ainda existe um campus da Universidade Federal do Recôncavo Baiano (UFRB). A cidade abriga o Centro de Ciência e Tecnologia em Energia e Sustentabilidade (Cetens). Susana Pimentel, diretora do Cetens, destacou que o local tem como missão a formação de profissionais das áreas da Educação do Campo, Engenharias, Tecnologias e Ciências Sociais Aplicadas.

Ainda segundo Suzana, o Cetens oferta cursos de Graduação inovadores, como Licenciatura em Educação do Campo, com habilitação em Ciências da Natureza e Matemática; Bacharelado Interdisciplinar em Energia e Sustentabilidade, Engenharia de Energias, Engenharia de Materiais, Engenharia de Tecnologia Assistiva, Acessibilidade e Engenharia de Produção e Tecnologia em Alimentos; além da Licenciatura em Pedagogia, oferecida através do Programa Nacional de Formação de Professores da Educação Básica (Parfor). Na Pós-Graduação Lato Sensu (Especialização), existe o curso de Especialização em Ambiente Tecnologia e Sustentabilidade.

Susana Pimentel lembra ainda que a atuação da comunidade acadêmica é marcada pela busca por soluções inovadoras e criativas, que permitam o uso e o desenvolvimento de tecnologias a favor do ser humano, ao tempo em que seja conservado e preservado o  meio ambiente. “Podemos observar esse diálogo nas pesquisas realizadas no Centro, as quais envolvem desde a preservação de sementes crioulas até o estudo e desenvolvimento de biocombustíveis”, explica.

O CETENS tem desenvolvido projetos de Pesquisa e Extensão envolvendo temáticas como, por exemplo, o desmatamento e aterramento das lagoas, em virtude da urbanização crescente da cidade de Feira de Santana; a acessibilidade dos espaços públicos e a busca para alcançar as metas do milênio para uma cidade acessível e sustentável; o incentivo de alunos do Ensino Médio para a carreira profissional na área técnica; e a implantação de coleta seletiva nas escolas públicas.

Uma das maiores dificuldades da entidade, ainda conforme Suzana Pimentel, diz respeito aos recursos do Governo Federal, necessários para a construção da sede própria no terreno doado, e já escriturado em nome da UFRB, localizado às margens da BR 116 Sul.

Silvio Soglia, reitor da UFRB, diz que apenas parte dos recursos, frutos do pacto com o Ministério da Educação, foram disponibilizados conforme previsto para a instalação e a consolidação dos projetos intrínsecos à concretização das principais etapas da respectiva unidade. “O CETENS está em plena fase de consolidação e expansão, alinhada com a política de interiorização do Ensino Superior federal na Bahia. Todo o esforço tem sido feito para que possamos prover a infraestrutura necessária relativa à consolidação da UFRB em Feira de Santana”, completa.

INSTITUIÇÕES PRIVADAS – Em Feira de Santana, existem diversas faculdades e universidades privadas, em duas modalidades: presencial e de Educação à Distância (EAD). Três delas figuram entre as Instituições de Ensino Superior da rede privada mais bem avaliadas do país: a Faculdade Nobre (FAN), a Faculdade Anísio Teixeira (FAT) e a Unidade de Ensino Superior de Feira de Santana (Unef). Essa conclusão veio de dados do Índice Geral de Cursos (IGC), divulgados em novembro de 2017, no site do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). 

O diretor presidente do Grupo Nobre de Ensino, professor Jodilton Souza, destacou que “a cidade era carente em termos de Instituições de Ensino que ofertassem melhores condições físicas, humanas, laboratorial e, sobretudo, de qualidade pedagógica”, o que, segundo ele, motivou a implantação de cursos inovadores. As faculdades Unef e FAN são, hoje, segundo o seu diretor presidente, o maior polo local e regional de formação acadêmica, com 17 cursos de Graduação e oito de Pós-Graduação. “Trouxemos cursos que antes não existiam em Feira, nem na universidade pública. Depois das nossas faculdades, os feirenses passaram a não mais precisar se deslocar até Salvador para contar com uma formação de qualidade. Feira de Santana está em destaque nacional”, afirma.

Jodilton salienta ainda que os investimentos na Educação Superior na cidade já dão frutos. Na FAN, ele destaca que existe o Núcleo de Prática Jurídica e o Balcão de Justiça e Cidadania, que fazem mais de 200 atendimentos gratuitos semanais. Além disso, o Grupo Nobre mantém a Clínica Multidisciplinar de Saúde, com mais de 300 atendimentos semanais em Fisioterapia, Psicologia, Nutrição e Educação Física. O Núcleo de Estudo, Pesquisa e Extensão (Nepex) é o que Jodilton considera como uma das principais atividades de Extensão desenvolvidas pela FAN. Ele também destaca o Projeto Vida Nobre, que assiste a quase 150 idosos, de forma multidisciplinar.

O projeto Unef Sustentável, vinculado às Engenharias, também traz muitos benefícios para a cidade e para o todo o planeta, na visão do gestor. As Faculdades contam ainda com dois referenciais de grande importância para desenvolver suas múltiplas atividades de Pesquisa e Extensão: o INCARDIO, que ultrapassou a marca de mil cirurgias cardíacas; as Clínicas Portal da Saúde; e a Associação Desportiva Bahia de Feira (ADBF), instalada, recentemente, na Arena Cajueiro.

Outra instituição considerada como uma das maiores da Bahia e que também se instalou em Feira de Santana é a Universidade Salvador (Unifacs). Márcia Barros, reitora da entidade, ressaltou que a escolha da cidade se deu pelo fato de Feira ser o principal centro urbano, político, educacional, tecnológico, econômico, cultural e comercial do interior da Bahia e também a principal e mais influente cidade do interior da região Nordeste.

Há 11 anos instalada aqui, a Unifacs também tem ações voltadas à comunidade. O Projeto de Integração Social (Integra) é realizado em parceria com a Prefeitura Municipal de Feira de Santana, ajuda no desenvolvimento econômico-social da cidade e permanece, até os dias atuais, como meio de subsistência de pequenos comerciantes. Em 2018, o projeto já disponibilizou 320 vagas para treinamentos e capacitações. As ações alcançarem outras feiras e centros comerciais. Atualmente, o Integra possui cerca de 120 alunos inscritos como voluntários, oriundos de diversos cursos de Graduação.

“Esse projeto compreende ações acadêmicas interdisciplinares de prestação de serviços a feirantes, seus familiares e clientes. Desde 2017, realiza ações de capacitação dos feirantes para manipulação, higiene e conservação de alimentos perecíveis. Promove ações de saúde com a comunidade de feirantes e clientes e desenvolve uma tecnologia social de gerenciamento de resíduos sólidos e reorganização logística para feiras livres”, informa a reitora.

Outro projeto de Extensão é o Festival Unifacs de Sustentabilidade Cultura e Arte (Fusca), que tem por objetivo incentivar, promover e realizar atividades de arte e cultura, não apenas no âmbito da Universidade, mas também em espaços públicos, culturais e pontos de cultura de Salvador e de Feira de Santana.

CURSOS EAD – A Educação à Distância (EAD) nasceu para atender a uma demanda muito grande de pessoas que já deixaram, há muito tempo, a escola formal, mas não ingressaram no Ensino Superior em função da dificuldade de conciliar estudo e trabalho. “A EAD possibilita que as pessoas organizem seu tempo de estudo com autonomia e cumpra as atividades requeridas sem necessariamente ter uma frequência diária no ambiente físico da Instituição de Educação Superior”, destaca a professora Anaci Bispo Paim, especialista nesse tipo de universidade.

Ainda conforme a Educadora, esse é um modelo de universidade flexível, que permite ao aluno buscar desenvolver as ações que lhe são estabelecidas pelo curso da sua opção, de modo a organizar o seu tempo, além de ser bem acessível em termos de mensalidades, o que é uma vantagem importante em um país em crise, como é o caso do Brasil. “A EAD exige do aluno disciplina, porque ele tem uma agenda a cumprir. Normalmente, existe um dia presencial no polo onde a instituição está desenvolvendo suas atividades, mas ela tem um ambiente virtual de aprendizagem e diversas outras ações contínuas. Na maioria das vezes, até mesmo diárias”, ressalta.

Além disso, as universidades EAD viabilizam o retorno à educação para uma parcela significativa da população que não tinha essa oportunidade, principalmente por conta do tempo dedicado a outras atividades. Também diminuem as fronteiras geográficas, chegando a pontos bem distantes do estado e do país, evitando os deslocamentos, às vezes, de longas distâncias.

Segundo Anaci Paim, que já foi reitora da Uefs, essas instituições permitem ainda a qualificação dos quadros de profissionais e a inclusão digital, por utilizarem computadores e internet como ferramentas de estudo. “É a democratização do Ensino Superior. Atualmente, mais de 1 milhão e meio de alunos realizam esse tipo de curso”, observa.

Anaci Paim disse que, inicialmente, houve resistência por parte do feirense em relação à Educação à Distância, por não haver o conhecimento de como ela funcionava, ou seja, havia um pré-conceito sobre o assunto. “Quando as pessoas não sabem como a metodologia é desenvolvida e como o trabalho é realizado, elas assumem uma posição de resistência, por acharem que se trata de um ensino massificado, em que o aluno não vai à instituição e tem apenas que cumprir atividades que ele enviar pelos Correios ou internet. E não é bem assim. As atividades são organizadas de acordo com o projeto pedagógico de cada curso. A obediência à Legislação e as diretrizes curriculares são as mesmas de um curso presencial. O que muda é somente a metodologia”, explica, salientando que é fundamental a participação do aluno e o acompanhamento regular do mesmo, através de uma equipe multidisciplinar, que possibilita o desenvolvimento de todas as ações necessárias.

A docente salientou ainda que não vê desvantagens nesse tipo de ensino, apenas algumas dificuldades. Uma delas é o fato de o Ensino à Distância não poder oferecer todos os cursos. Há restrições para alguns cursos da área de saúde. Mas, de resto, ela enfatiza que o ensino EAD apenas beneficia a população.



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