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Segurança

Delegado regional acha que Feira não é tão violenta

25 de maio de 2015 | 15h 00

Mais de 90% das mortes estão ligadas ao tráfico, segundo Uzzum

Delegado regional acha que Feira não é tão violenta
O delegado Uzzum atuou em várias cidades e diversos setores da polícia

Nascido na cidade de São Paulo há 39 anos, o delegado regional João Uzzum trabalha há 13 anos na Bahia. Sua vocação sempre foram os serviços de segurança. Ainda na terra natal, pertenceu à guarda metropolitana e faz questão de incluir no currículo o ano e meio que passou como soldado na Força Aérea Brasileira.

Depois de se formar em Direito e obter a vaga de delegado em concurso na Bahia, ele começou atuando em Condeúba, na região de Vitória da Conquista. Aproximou-se da região de Feira quando foi transferido para Ipirá. O passo seguinte foi na Delegacia de Tóxicos e Entorpecentes de Feira, por três anos. Depois de um período em delegacia de Salvador, retornou para a Decarga, por mais cinco anos. Ainda passou por Camaçari antes de assumir pela primeira vez uma coordenadoria, em Itaberaba, onde não chegou a ficar um ano antes de ser nomeado para Feira de Santana.

Em meio à alta criminalidade que o cidadão feirense vivencia, o delegado pode ser considerado um otimista. Ele considera que Feira de Santana não é tão violenta e assegura que o trabalho da polícia (civil e militar) vem sendo cada vez mais eficaz, como disse na entrevista a seguir, concedida à repórter Juliana Vital.

 

 

Como a secretaria de segurança pública e a Policia civil pensam o trabalho de segurança em Feira de Santana?

Houve grande investimento na parte de segurança pública nos últimos anos em Feira, com a construção do novo complexo policial, que era uma coisa extremamente necessária para o trabalho da Polícia Civil, pois antes tínhamos instalações inadequadas. Hoje temos um bom número de viaturas. Antes eram da frota própria. Agora elas são terceirizadas e não precisamos mais nos preocupar nem com manutenção nem com abastecimento. Nos últimos três ou quatro anos a gente observa uma significativa melhora na situação, principalmente estrutural, da segurança pública em Feira de Santana. Neste novo complexo a gente acomoda decentemente os policiais e atende bem as vítimas. Considero isso um avanço, pois hoje não existe policial sem arma, nem falta de equipamento de segurança, como coletes. Há alguns anos tínhamos dificuldades até em ter equipamento de segurança para o próprio policial. Muito equipamento foi comprado e melhorou muito neste aspecto.

 

A 1ª Coorpin atende a quantas cidades atualmente?

A 1ª Coordenadoria da Polícia do Interior atendia anteriormente  17 cidades, o que tornava o trabalho da Polícia Civil bem difícil de administrar. Só a cidade de Feira em si já absorve muito o trabalho da polícia, isso foi mudado. Hoje a 1ª Coorpin atende apenas 7 cidades. A população flutuante de Feira é muito grande e com a diminuição de cidades atendidas a gente pode prestar um melhor trabalho.

O Departamento de Polícia Técnica tem recebido novos equipamentos e ultimamente tem melhorado muito essa questão das perícias. Hoje não temos mais demora de laudos policiais, eles têm vindo dentro do prazo e isso ajuda muito na investigação.

 

O efetivo em Feira é suficiente?

Em Feira de Santana nós temos um número que não é ideal, mas conseguimos fazer o trabalho. Nós estamos tendo um concurso agora, a academia está perto de começar e teremos um aporte de pessoas. Esperamos que com 3 ou 4 meses de curso haja uma melhora, não só na sede, mas nas outras seis cidades que integram a 1ª Coorpin.

A demanda obviamente é maior, estamos solicitando o aumento de efetivo especialmente em algumas delegacias específicas, mas vale destacar que em todas as coordenações do interior do Estado, o município mais beneficiado é Feira. Sem dúvida nenhuma é a mais bem equipada, tanto em estrutura como em relação ao número de pessoas

 

Como tem sido a investigação e elucidação dos crimes na cidade? Feira está em listas de cidades mais violentas do país.

Esta questão do crime, é preciso ter um olhar macro sobre ela. Muitas são as causas dos crimes. Nunca vai existir uma cidade sem crime, é uma coisa intrínseca do ser humano. Em Feira de Santana estamos tendo diminuição em número de homicídios e de latrocínio. A delegacia de tóxicos e entorpecentes tem feito apreensões significativas. Recentemente tivemos apreensões de grande vulto, de drogas e de armas. A quantidade de pessoas presas pela policia Militar em Feira também é extremamente relevante. É impressionante a quantidade de armas que a Polícia Militar apreende. Isso demonstra que você tem uma Polícia Militar presente, que faz muitas abordagens, que revista muitos veículos, revista pessoas e atinge seu objetivo. É óbvio que você ter alguma coisa no plano do que é ideal é difícil, mas nós temos uma diminuição.

O resultado do trabalho de todo este grupo (que inclui a polícia técnica) é que temos um presídio cheio de presos. Existem em torno de 1.500 pessoas presas. Todas passaram pela Polícia Civil e muitas inicialmente pela Polícia Militar, pelas delegacias, por perícias. Isso é um trabalho conjunto que resulta nas prisões e nas condenações. A gente tem que destacar que Feira de Santana pelo tamanho que tem, pela quantidade de pessoas que tem... você mede muito a criminalidade também, na minha opinião, observando a questão de crimes violentos. O latrocínio, aquele indivíduo que é morto para ser roubado, é baixíssimo em Feira de Santana, é um índice muito pequeno.

 

A maior parte das mortes é relacionada às drogas?

Não há dúvida, ultrapassam seguramente os 90% dos homicídios em Feira de Santana, questões relacionadas a droga. Aí você observa questões de disputa por tráfico, tem dívidas, desentendimentos nascidos em razão do tráfico de drogas, vinganças.

 

A cidade é destino ou passagem desta droga?

Hoje Feira é um grande destino, aqui existe um mercado consumidor muito grande. Existem ações do nosso departamento de narcóticos, que tem apreendido grande quantidade de drogas no interior da Bahia, especialmente maconha, erradicação de roça. Observa-se que grande parte vinha pra Feira mas acaba-se interceptando. Mas o grande x da questão da droga é que existe o tráfico porque o consumo é exacerbado. É uma questão de saúde pública, social, de educação. As pessoas deveriam diminuir o consumo de entorpecente e obviamente o tráfico sofreria um declínio. É complicado só a polícia sendo a parte gestora disso tudo. Tem a questão da família também.



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