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César Oliveira

Nem fake, nem conspiração

Cesar Oliveira - 07 de setembro de 2018 | 14h 10
Nem fake, nem conspiração
Bolsonaro, após cirurgia

É preciso que fique claro que a resposta ao radicalismo, na democracia, é mais democracia e, não, mais radicalismo. Assim, por mais comprometimento moral, ideológico, financeiro, ou oportunista, que alguém tenha, é preciso que se seja claro: Bolsonaro e família merecem toda solidariedade, como humano; e a agressão, merece implacável condenação.

Dito isso, esclareço que só um estado de turvação mental, ou desespero de interesse, pode levar a comentários postados nas redes sociais e bancas de jornalismo.

De um lado, gente achando que a situação poderia ser um atentado fake - como se uma situação daquelas pudesse ser controlada- baseado no fato que o pano que recobria o candidato estava branco, e o sangramento não se desse para dentro da cavidade, e não para fora;  ou porque a equipe de preparação estava sem luva, o que comporiam indícios bastantes para a conclusão da falsidade. Inacreditavelmente, até  Noblat, do site mais conhecido, do país, questionou a PF porque não havia sangue na foto da faca, que entrou e saiu em segundos e cortou um vaso interno. É de espantar.

Do outro lado, gente apelando a teorias conspiratórias e construindo um atentado montado por adversários, sem nenhuma evidência até o momento, até porque Bolsonaro era o adversário ideal para todos, no segundo turno, como mostram as pesquisas. Por mais detestável que seja o PSOL, o fato do agressor ter sido filiado ao partido, não nos permite, ainda, agregar culpa ao partido. Até agora,  temos um fanático religioso, confuso (seja de forma verdadeira ou intencional, para disfarçar) com uma atividade política autônoma, ainda que tenha afinidades esquerdistas.

Goste-se ou não da agenda de Lula,  Bolsonaro, Boulos, Amoedo, ou qualquer outro, é preciso que seja absolutamente garantido o direito de cada um expor suas ideias, logo, Bolsonaro é vítima e não culpado, por mais que seu discurso pregue violência. Do mesmo modo que uma mulher não pode ser acusada de culpada pelo assédio porque usou uma saia curta.

Não existe ética de circunstâncias, tampouco escrevo para agradar a opinião de um, ou outro, lado. A democracia não tem meio termo, e nosso compromisso deve ser com a verdade.



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