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Apae promove inserção de deficientes intelectuais no mercado de trabalho

Vanessa Testa - 10 de setembro de 2018 | 15h 56
Apae promove inserção de deficientes intelectuais no mercado de trabalho
Foto: Divulgação

Oferecer uma equipe multiprofissional para promover assistência a milhares de pessoas, através de serviços, capacitações e instruções. Esses são os principais objetivos da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Feira de Santana. Fundada em 1967 e desativada em 1974, a instituição teve o seu funcionamento reativado a partir do ano de 1984, quando passou a prestar serviços de forma contínua até os dias de hoje.

Atualmente, cerca de 1.200 pessoas são atendidas pela entidade, que se mantém através de doações da população, de projetos pontuais e também de parcerias com os poderes públicos Federal, Estadual e Municipal. Esse grupo de pessoas assistidas pela Apae não se limita apenas à Feira de Santana. Moradores de pelo menos 28 municípios são atendidos pela instituição, que funciona de segunda à sexta-feira, nos turnos matutino e vespertino.

Com mais de 30 anos de atuação, a Apae de Feira de Santana conta com uma equipe multiprofissional que soma, aproximadamente, 200 funcionários, dentre fisioterapeutas, médicos e psicólogos. Em sua maioria, os serviços prestados pela entidade são gratuitos.

Parte de uma rede de mais de 2 mil associações de pais e amigos dos excepcionais em todo o Brasil, a Apae de Feira de Santana assiste a pessoas com Deficiência Intelectual e/ou Múltipla, Síndrome de Down e Transtorno do Espectro Autista (TEA). E, a cada dia, consolida-se como uma organização de referência na cidade e região.

SETORES – Através do Setor Educacional, a Apae oferece diferentes atividades. A escola atende a 482 pessoas com déficit intelectual, de 8 a 30 anos, através do Atendimento Educacional Especializado (AEE). Os indivíduos, ao manifestarem interesse em ingressar na escola, participam de uma série de avaliações e, somente após isso, seguem para as atividades promovidas pela instituição.

Na Apae, são ministradas aulas de linguagens, comunicação, noções de matemática, atendimento psicopedagógico, dentre outros, em momentos individuais ou em grupo. É também função do Setor Educacional o fomento de oficinas pré-profissionalizantes, que compõem uma cartela de cursos ofertados pela entidade, a exemplo de oficinas de serigrafia, artesanato e confeitaria.

Na área de Assistência Social, a Associação orienta os pais e responsáveis sobre direitos e deveres, além de prestar assessoria jurídica. Por fim, o setor de Prevenção e Saúde da Apae oferece uma série de exames à população (a maioria deles gratuitos), a exemplo dos testes do pezinho, da linguinha e da orelhinha, além de eletroencefalograma. Realizados nos primeiros dias de vida do bebê, esse exames ajudam a detectar doenças e condições que têm tratamentos ou até cura, se diagnosticadas cedo.

ANEXOS – Atualmente, a estrutura da Apae compreende mais três anexos à sede. No espaço denominado Núcleo Especializado para Pessoas com Espectro do Autismo (NEPEA), inaugurado em agosto de 2017, são atendidas 100 pessoas autistas, que têm entre 4 e 12 anos. No local, situado na Rua Paulo Afonso, bairro Jardim Cruzeiro, são desenvolvidas atividades como musicoterapia, equoterapia, acompanhamento nutricional e psicológico, que auxiliam no desenvolvimento de crianças e adolescentes portadores de TEA.

Outro anexo da Apae é o Centro de Convivência para Pessoas Idosas com Deficiência (Conviver), que funciona na Rua Santa Cruz, bairro Jardim Cruzeiro. Lá, os assistidos dispõem de serviços de massoterapia, enfermagem, educação física, psicologia e psicopedagogia. De acordo com a diretora da Apae, Mary Portugal, são atendidas, no Centro Conviver, pessoas a partir de 35 anos, aproximadamente. Ela explica que, para a parcela da população que possui deficiência intelectual, a condição de “idoso” não se inicia aos 60 ou 65 anos. O envelhecimento, para esses indivíduos, é precoce. Ainda segundo a diretora, esse é um dos locais da Apae que possui vagas disponíveis.

O último anexo é o Centro Especializado em Prevenção e Reabilitação (Cepre), que está localizado na Rua São Cosme e Damião, no bairro Santa Mônica. Atendimentos com fisioterapeutas, neuropediatras, assistentes sociais, ortopedistas e terapeutas ocupacionais, por exemplo, são oferecidos no local, que abraça pessoas com deficiência na faixa etária de 0 a 14 anos.

MERCADO DE TRABALHO – Um dos projetos promovidos pela Apae de Feira de Santana é o Programa de Educação e Colocação no Mercado de Trabalho (PECT), que busca promover a preparação e a qualificação profissionalizante das pessoas com deficiência intelectual, através de oficinas pré-profissionalizantes. Por meio de cursos de capacitação e qualificação profissional, o potencial de cada aluno é aperfeiçoado, sempre visando sua inserção no mercado de trabalho.

As oficinas de Artesanato, de Confeitaria e de Serigrafia são oferecidas a 120 alunos, nos turnos matutino e vespertino. Nesses cursos, o intuito é promover a preparação profissionalizante das pessoas com deficiência intelectual, oferecendo oportunidades de experimentar atividades acadêmicas e práticas complementares, priorizando conteúdos voltados à autonomia pessoal, formação de hábitos e atitudes para o trabalho e compreensão do universo laboral.

Segundo a assessoria da Apae, 70 alunos dessas oficinas estão incluídos no mercado de trabalho, em Feira de Santana. Ainda de acordo com a assessoria, a instituição presta acompanhamentos a esses alunos, com a finalidade de garantir a permanência deles em seus respectivos empregos.

Um bom exemplo de que uma vida pode ser transformada através do cuidado e da capacitação profissional é Augusto Cezar da Silva Nunes. Ele é portador de deficiência intelectual e, por isso, passou dois anos na Apae. Lá, participou de oficinas pré-profissionalizantes e, através da instituição, conseguiu uma vaga de emprego no Café 2 de Julho, onde atua como repositor e atendente, desde 2009.

De acordo com Zenilda Rebouças de Almeida, gerente da empresa, Augusto Cezar tem um perfil exemplar: é assíduo, dedicado e mostra comprometimento em todas as tarefas que desempenha no local de trabalho. Questionado sobre o que pensa acerca dos serviços prestados pela Apae, ele reconheceu o trabalho desenvolvido pela entidade: “A Apae é uma instituição maravilhosa. Foi através dela que eu consegui o meu emprego. Eu amo o que faço e, se não fosse a Apae, eu não chegaria onde cheguei”, assegura.



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