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Economia

Pobreza e desigualdade aumentaram nos últimos 4 anos no Brasil, diz Fundação Getúlio Vargas

Da Redação - 10 de setembro de 2018 | 16h 44
Pobreza e desigualdade aumentaram nos últimos 4 anos no Brasil, diz Fundação Getúlio Vargas
Foto: Reprodução

“Qual foi o impacto da crise sobre a pobreza e a distribuição de renda?”. Lançado pelo FGV Social, o levantamento indica aumento da pobreza e da desigualdade até o segundo trimestre de 2018.

De acordo com o estudo da Fundação Getúlio Vargas, atualmente, há 23,3 milhões de pessoas vivendo abaixo da linha de pobreza, com rendimentos abaixo de R$ 232 por mês. O número corresponde a 11,2% da população. A instituição também comprovou que a miséria subiu 33% nos últimos quatro anos. O estudo indica que são 6,3 milhões de novos pobres adicionados ao estoque de pobreza, número maior do que a população do Paraguai.

Ainda segundo a FGV, do final de 2014 até junho de 2018, o Índice de Gini (coeficiente criado pelo matemático italiano Conrado Gini para medir o grau de concentração de renda em determinado grupo) subiu a uma velocidade 50% maior do que vinha caindo na época de queda da desigualdade brasileira, iniciada em 2001. Perfazendo quase quatro anos consecutivos de aumento de concentração de renda. Tal fato, conforme o estudo, não acontecia desde a derrocada do Plano Cruzado de 1986 até 1989, o recorde de desigualdade nas séries brasileiras.

De acordo com Marcelo Neri, diretor do FGV Social e coordenador do levantamento, a nova Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) mostrou uma grande queda de renda per capita média do trabalho desde o ápice, no final de 2014, até meados de 2016, quando retornou aos níveis de 2012. Desse período para cá, recuperou-se 40% desta perda média. Em compensação, o bem-estar social caiu 10,6% desde 2014 até meados de 2016, regredindo a um patamar similar ao do ano de 2012.

Ainda segundo Neri, diferentemente da renda per capita média, o bem-estar manteve-se nestes níveis desde então, o que, segundo ele, significa que, “em termos bem-estar geral da nação, não se pode falar em recuperação, mesmo que tímida. Essa aparente contradição ocorreu, pois o avanço conquistado pela renda média foi neutralizado pela alta da desigualdade”, explica.

O estudo da FGV revela também que a PNAD mostrou perda de renda de 7% em 2015. Já a nova PNAD Contínua, revelou queda de renda individual do trabalho, não ficando restrita somente aos ocupados. Entre 2015 e 2018, a renda média caiu 3,44%. Esta perda foi mais forte entre os jovens (-20,1% entre 15 e 19 anos e -13,94% entre 20 e 24 anos); pessoas com ensino médio incompleto (-11,65%); responsáveis dos domicílios (-10,38%) e regiões Norte (-6.08%) e Nordeste (-6.43%).

No entendimento da FGV, a própria desigualdade aprofunda a recessão, já que os pobres consomem uma parcela maior da renda. “O aumento da pobreza foi impulsionado por essa forte recessão, acompanhada pela piora da desigualdade.  O bolo de renda caiu para todos, mas mais ainda para os mais pobres. O desemprego explica a totalidade da queda de renda do trabalho dos brasileiros”, diz o estudo.

A Fundação Getúlio Vargas constatou ainda que a pobreza voltou aos níveis do começo da década (2011), o que faz com que esse período se caracterize como uma década perdida. Levando em conta a desigualdade, o retrocesso não fica atrás. O Brasil não experimentava mais de três anos de aumento consecutivo de desigualdade desde 1989. E essa piora na performance social do Brasil também explica o mau desempenho econômico, segundo a FGV.

O FGV Social possui longa tradição em captar as inflexões das séries sociais brasileiras, sendo reconhecido pela rapidez com que processa os microdados públicos. A equipe foi a primeira a detectar a queda da pobreza depois do Plano Real, bem como o seu aumento no primeiro ano do governo Lula. Identificou também as quedas consecutivas posteriores e mostrou que o Brasil atingiu com antecedência as metas de redução de pobreza dos “Objetivos do Desenvolvimento do Milênio” da Organização das Nações Unidas (ONU).



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