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Instituição ajuda deficientes visuais de Feira de Santana promovendo inclusão social

Karoliny Dias - 11 de setembro de 2018 | 10h 52
Instituição ajuda deficientes visuais de Feira de Santana promovendo inclusão social
Foto: Divulgação

O Centro de Apoio Pedagógico ao Deficiente Visual Jonathas Telles de Carvalho (CAP DV) é uma entidade filantrópica, sem fins lucrativos, que realiza um trabalho reconhecido em toda a Bahia com quem possui algum tipo de deficiência visual. A entidade foi criada pelos Clubes do Rotary de Feira de Santana, no ano de 2005, com a finalidade de dar aos cegos ou pessoas com visão subnormal um atendimento especializado, em virtude da carência de serviços e recursos, especialmente na área educacional, que pudessem atender às necessidades mais básicas dessas pessoas.

A diretora da entidade, Adenilde Chaves de Oliveira, ressalta que a instituição é pública em nível estadual. Segundo ela, o Governo do Estado mantém o quadro de professores e funcionários, além de destinar as verbas de alimentação, manutenção e material de expediente. “O trabalho é fruto de um convênio entre a Fundação Jonathas Telles de Carvalho e os Clubes do Rotary de Feira de Santana”, explica.

O CAP DV tem como objetivo ser um Centro de Referência na Área de Deficiência Visual, tanto em nível local quanto regional. Desde a sua fundação, a entidade busca conscientizar a comunidade acerca de seu papel no processo de inclusão das pessoas com deficiência visual, único meio de garantir-lhes a cidadania plena. Para tanto, vem realizando diversas ações para facilitar a inserção social e educacional dessas pessoas.

AUTONOMIA – Como valores principais, a instituição tem o respeito às diferenças, a valorização das potencialidades da diversidade humana, o compromisso e a competência dos profissionais envolvidos e a prontidão no atendimento. “Segundo a Lei 13.146, de 06 de julho de 2015, o aluno com deficiência visual tem o direito de ser incluído na sociedade e de ter autonomia em sua vida. O cumprimento desses direitos é imperativo. Assim, cabe a nós do CAP DV conduzi-lo, a fim de que possa ter condições de acessibilidade aos diversos contextos sociais: educação, saúde e trabalho”, completa Mide, como a gestora é mais conhecida.

Localizado em uma das avenidas mais movimentadas de Feira de Santana, a Eduardo Fróes da Motta (Anel de Contorno), o Centro de Apoio Pedagógico ao Deficiente Visual Jonathas Telles de Carvalho também mantém um convênio com a Secretaria Municipal de Educação, para a realização dos serviços de Educação Especial.

A diretora salientou ainda que, em sua maioria, seus alunos são cegos ou com baixa visão, estudam em escolas públicas, privadas e universidades. Há, também, aqueles que não possuem escolaridade ou que já concluíram os estudos regulares. “Cuidamos de crianças, jovens, adultos e idosos, oriundos da comunidade de Feira e de outras cidades, que necessitem de atendimento nos programas oferecidos pela instituição”, informou.

O CAP DV tem programas específicos para os alunos, indicados segundo as necessidades de cada um. “Utilizamos como critério de avaliação uma entrevista, com anamnese, para compilação de dados preestabelecidos, que permitem fazer uma síntese da situaçãopresente ou da história de doença e de saúde do indivíduo, acompanhada de relatório médico expedido por profissional especializado na área. E, assim, direcionamos o aluno para o programa que ele necessita”, observa.

FALTA DE ACESSIBILIDADE – Adenilde de Oliveira destacou que as principais dificuldades dos deficientes visuais atendidos pela instituição dizem respeito à acessibilidade. Chegar até a sede é complicado, sobretudo por causa da situação da rua e do sistema de transporte coletivo ineficiente. Conforme Mide, a via que dá acesso ao local está esburacada. Por isso, ela pede que os órgãos responsáveis tomem providências, a fim de amenizar a situação. “Somos um centro de apoio que atende pessoas com deficiência visual. Deveria ser uma rua bem acessível, com rampas, calçamento de boa qualidade e boas calçadas com pista tátil. Muitos alunos nossos têm dificuldades de chegar à instituição”, criticou.

Na opinião da diretora, a cidade de Feira de Santana não tem um olhar voltado às pessoas com deficiência visual, o que torna difíceis atividades que poderiam ser simples. “Passeios sinalizados, rampas de acesso, semáforos sonoros, elevadores em repartições públicas e faixas de pedestre com sinalização específica para o deficiente visual são carências imediatas, que precisam ser resolvidas. Os materiais de divulgação impressos também não são adaptados em restaurantes e repartições públicas. Cardápios, propagandas, folhetos, folders não são adaptadas para que o deficiente visual tenha acesso”, observou.

A lei de número 8213/91 destina cotas a pessoas com deficiência em empresas com mais de 100 funcionários e, conforme a gestora, tem sido um importante instrumento de inclusão social. “Dois a cinco por cento dos cargos devem ser preenchidas por pessoas com necessidades especiais. Somos muito solicitados para empregar os nossos alunos”, afirmou.

A diretora salientou que tem alunos que fizeram concursos, passaram e que, hoje, fazem parte do mercado de trabalho. “Temos uma aluna que é professora do município de Amélia Rodrigues; outra que é telefonista; e um aluno que é funcionário do INSS, após ter se formado em administração de empresas”, destacou. 

Adenilde Chaves de Oliveira finalizou citando a Lei 10.098/2004, que “prevê a acessibilidade ao Deficiente Visual, para a eliminação de barreiras aos espaços tanto educativos quanto sociais”, e lamentou que ela não seja colocada plenamente em prática em nosso país.



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