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Educação

Terceirizados sem salários e estudantes sem aulas

Juliana Vital - 26 de maio de 2015 | 08h 01

Algumas unidades vão precisar de um calendário para reposição de aulas

Terceirizados sem salários e estudantes sem aulas
Na terça-feira da semana passada, o Polivalente de portas fechadas: alunos terão que frequentar escola sábado para compensar

A crise da falta de pagamento aos funcionários terceirizados que atuam nas escolas de Feira de Santana, chegou ao extremo de interromper aulas em várias escolas, de maneira que elas serão obrigadas a refazer o calendário escolar, como ocorre em caso de greve de professores.

Existem 1.748 funcionários terceirizados atuando em Feira de Santana e eles se queixam de atrasos de até três meses no pagamento do salário, do vale alimentação e do vale transporte. Este pessoal atua como auxiliares de serviços gerais, na secretaria acadêmica, como merendeiras e porteiros.

No ano passado, os funcionários terceirizados sofriam com a empresa Delta, que foi substituída pela C&C, mas o problema se repete. A Tribuna Feirense constatou interrupção das aulas pelo menos no General Osório, Eliana Boaventura, Escola Maria Quitéria e Polivalente.

O colégio estadual Polivalente tem 1.500 alunos chegou a ficar sem aula por 11 dias. A falta de condições de funcionamento foi pela ausência de todos os 18 funcionários, entre porteiros, merendeiras, serventes e auxiliares administrativos, que decidiram cruzar os braços. Muitos para protestar, outros por falta até mesmo de condições para chegar ao local de trabalho.

A aluna da 6ª série no turno matutino,Renata Kely Silva Costa, 16 anos, foi vários dias ao colégio em busca de informações. "A gente já estava sem merenda há algum tempo, mas daí ficamos sem limpeza e de repente soubemos que não teríamos aula enquanto os funcionários não recebessem o salário. A gente estava se preparando pra iniciar semana de provas da primeira unidade ainda. Imagine o atraso que isso vai ser? Vou acabar ficando aqui nas férias de janeiro", prevê.

O diretor do colégio, o professor Luis Célio de Oliveira Pereira, afirma que a situação já está controlada, pois foi solicitado ao Núcleo Regional de Educação - NRE19, um reforço de profissionais que pudessem dar condições para a escola voltar ao funcionamento. "Além destes, os nossos funcionários resolveram retornar ao trabalho e assim conseguiremos retomar as aulas. O nosso calendário escolar vai precisar ser revisto, e replanejado, tendo que haver reposições das aulas aos sábados e também estendendo o calendário no final do ano. Os alunos não ficarão sem férias no meio do ano", afirma o diretor. A Escola retomou as atividades na quarta feira (20).

No colégio Estadual General Osório, alunos e professores realizaram na manhã da segunda feira (18), uma manifestação na porta, em apoio aos funcionários terceirizados. Como o porteiro, que pediu para se identificar apenas como Roberto. "Eu venho trabalhar porque se eu não vier levo falta, mas ninguém lembra que eu não tenho dinheiro nem pro transporte. Pagaram cento e poucos reais agora, referente a quase nada, nem mesmo ao vale alimentação. São três meses atrasados. Se eu falto, levo falta na frequência. Minha esposa também é funcionária terceirizada em outra escola e também está sem receber, ou seja, não estamos conseguindo pagar as contas da casa", lamenta.

A escola tem 15 salas de aula e funciona em três turnos. Tem 48 professores, mais de mil alunos e chegou a ficar alguns dias com as atividades prejudicadas pela falta de servidores. A direção não quis dar entrevista, mas afirmou que a situação foi informada ao NRE e que há sempre a cobrança para que a situação seja regularizada.

No colégio Estadual Gastão Guimarães, um dos maiores da cidade, trabalham 40 servidores terceirizados, todos com salários atrasados. Muitos deles sem querer se expor, temendo pelo emprego. O porteiro Marcos de 29 anos afirma que vai trabalhar porque pede vale transporte emprestado ao irmão, e paga quando recebe o salário atrasado. "Isso acontece sempre, não é a primeira vez, mas eu tento me virar pra não faltar o trabalho. A sorte é que moro com minha mãe então dá pra tentar administrar a situação, mas a falta do dinheiro é difícil", afirma.

O colégio tem mais de 2.300 alunos e chegou a ficar seis dias sem a presença da maioria dos servidores. Segundo a direção do colégio que também não quis dar entrevista, esta situação tem sido administrada “da melhor maneira possível” e que eles tentam sempre diminuir os efeitos do problema para não interferir nas atividades dos alunos. Por isso, a escola não chegou a suspender aulas.

 

Diretora do Núcleo confirma reposição

Para a diretora do Núcleo Regional de Educação (NRE), Eliane Kátia Lopes, o fato de serem várias empresas já torna a situação problemática. As escolas são atendidas atualmente pelas empresas Contrate, C&C, LC, Map e Sandes. 

Segundo a diretora, a mais problemática tem sido a C&C, que tem 567 funcionários, e inclusive já rescindiu o contrato com o governo do estado. "O supervisor das empresas nos informou para mantermos este pessoal nas escolas, pois a nova vai absorver e pagar a este pessoal. Vai haver a garantia dos direitos trabalhistas, segundo ele", afirmou.

Ela informa que os terceirizados são maioria entre os servidores das escolas e por isso garante que todo o interesse em que a situação seja logo resolvida. "Nosso interesse é que as escolas funcionem e funcionem bem, os gestores estão fazendo um trabalho exaustivo para tentar administrar esta situação junto ao NRE,  para que estas aulas não deixem de acontecer. Estamos preocupados e solidários aos terceirizados, inclusive propus a todos que fizessem uma pauta de reivindicações para que eu pudesse levar para a Secretaria de Educação em Salvador. Até hoje ninguém trouxe pauta alguma. Eles não se organizam, não têm uma representatividade  e inclusive não se sentem representados pelo sindicato”, detalha. Ela afirma que entende o movimento dos terceirizados e diz que o governo está se mexendo. O rompimento do contrato com a C&C seria uma prova disso. Eliane afirmou que vai se reunir com o gestor do colégio Polivalente para refazer o calendário escolar.

A Secretaria Estadual de Educação respondeu à Tribuna Feirense que está em negociação com a C&C para regularizar o pagamento dos salários e acrescentou que a empresa será substituída pela BaseTec Serviços e Empreendimentos.



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