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Educação

Escola na BA posta conversa com questionamento sobre professor trans na equipe e rebate

20 de março de 2019 | 17h 57
Escola na BA posta conversa com questionamento sobre professor trans na equipe e rebate
Foto: Reprodução
Uma escola de Salvador fez uma postagem nas redes sociais, na terça-feira (19), mostrando trecho de uma conversa com uma pessoa que se mostrou interessada em matricular o filho na unidade, mas que questionou o fato da escola ter um professor trans no quadro de funcionários.
 
Na troca de mensagens, a pessoa pergunta: "Vocês têm um professor trans na escola, né?". A funcionária da unidade responde positivamente e diz que o professor Bruno Santana é um excelente profissional.
 
Em seguida, a pessoa diz: "Não que eu concorde, mas você não acha que isso pode ter diminuído o número de matrículas de vocês?". Ao que a escola rebate: "Quem acha que uma pessoa trans, apenas por ser trans, não pode educar seu filho não merece nossa escola".
 
A escola, que fica no bairro do Rio Vermelho atende a 33 crianças de dois a cinco anos e começou as atividades letivas em 2019.
 
Conforme explicou a consultora pedagógica da unidade, Bárbara Pinheiro, após a conversa, a direção da unidade fez o print da troca de mensagens, sem expor o responsável, e postou nas redes sociais. "Nosso interesse é lutar e construir, pela via da educação, o mundo que acreditamos. Não negociamos nossos sonhos!".
 
Os seguidores do perfil da escola apoiaram o posicionamento dos representantes da unidade de ensino: "É preciso seguir acreditando no poder TRANSformador da educação", escreveu um seguidor.
 
De acordo com Bárbara Pinheiro, os nove professores da unidade de ensino foram apresentados no Instagram. Na postagem, há informação de que Bruno Santana é trans, inclusive ele foi o primeiro transgênero a graduar em universidade pública da Bahia. A formatura de Bruno foi no segundo semestre de 2018.
 
"Foi a primeira vez. Nunca fomos interpelados [por ter um professor trans]. Consultamos todos os professores antes de colocar as informações sobre eles na internet", explicou Bárbara.
 
Ela conta que, como participou da consultoria para implementação da unidade de ensino, também fez parte da seleção dos docentes. "Fizemos todas as entrevistas para conversar sobre perspectivas de vida, currículo, e ainda pedimos que ele apresentasse uma aula planejada, mas ele trouxe duas. Mostrou competência técnica, e é isso que se destaca para nós", disse.
 
Bárbara ainda detalhou que a escola segue a metodologia decolonial, que busca por uma educação a partir de outros marcos civilizatórios. "Decolonial é uma educação a partir de outros marcos, não apenas o europeu, que é uma cultura branca, eurocêntrica que marca nossa construção. Nossa escola reúne as histórias de ameríndios e africanos. Cada grupo [sala de aula] é um reino. Então a gente valoriza sempre esses marcos, mas tudo isso articulado com a pedagogia normal, com os eixos determinados pelo MEC", explicou.


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