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André Pomponet

Sábios e gurus se engalfinham e Brasil segue à deriva

André Pomponet - 23 de abril de 2019 | 19h 34
Sábios e gurus se engalfinham e Brasil segue à deriva

Se algum hipotético extraterrestre acompanha o cotidiano político do Brasil nalgum ponto longínquo do universo, certamente já firmou a convicção de que a coisa, por aqui, não tem nenhuma chance de dar certo. A penúltima – há sempre algum novo absurdo despontando no noticiário – foi a contenda envolvendo três figuras graúdas: o ex-astrólogo, guru do novo regime, um dos rebentos do mandatário do Vale do Ribeira e o próprio vice-presidente, o general aposentado Hamílton Mourão.

O primeiro despejou impropérios sobre o Exército e o vice-presidente num canal virtual. A peça – como sempre, pejada de palavrões – foi compartilhada por um dos filhos de Jair Bolsonaro (PSL-RJ), expert em mídias sociais. No rebuliço que se seguiu, a reação mais adulta, mais uma vez, foi a de Hamilton Mourão, que se limitou a ironizar o ex-astrólogo.

Pior que o quiproquó foi a razão apontada pela imprensa: julgam que Jair Bolsonaro anda assombrado com a projeção do vice. Pelo que se especula, teme que o parceiro de chapa se torne um novo Michel Temer, aplicando-lhe uma rasteira e assumindo o poder. A ele, obviamente, estaria reservado o papel de “Dilmo”. Este, aliás, já é o apelido com o qual o tratam nos corredores do Congresso Nacional.

Muitos não perceberam, mas surge uma nova zona de tensão no conturbado governo que planejava redimir o Brasil. E é preocupante, pelo potencial de causar estragos. Soma-se ao desconcertante laranjal, à suspeita proximidade das milícias cariocas, às reiteradas declarações desastradas, à incompetência, à escassez de ideias e à ausência de projetos, para não tornar a lista enfadonha de tão longa.

Azedando tudo, os primeiros indícios de que a economia brasileira, na melhor das hipóteses, vai crescer ínfimos 2% em 2019. Ou seja, bordejará a estagnação, se o cenário mais positivo se confirmar. É o que estimam organismos internacionais e respeitáveis instituições financeiras. Há quem vocifere, acusando essa gente de ser “comunista”, mas o fato é que, salvo algum milagre – o que não existe na seara econômica – o crescimento vai ser medíocre mesmo.

Não faltou quem apostasse que Bolsonaro seria “domado” ou que a cadeira de presidente o “consertaria”. Quem se fiou nisso foi, no mínimo, ingênuo. Outros, esperançosos, creem que tudo vai se ajeitar, que o governo entrará nos trilhos. Os dois grupos estão sofrendo baixas. Afinal, pesquisas de opinião já captam queda na popularidade presidencial; e muitos empresários, os entusiasmados de ontem, estão arredios, não coçam os bolsos para investir.

As eleições presidenciais de 2018 atiraram o Brasil num beco sem saída. As firulas, os clichês e a pirotecnia distraíram a plateia durante uns poucos meses. Mas isso está acabando. Afinal, o repertório é exíguo e já se esgota. E há, aí, um País cheio de problemas para ser tocado:

- Mas por quem?

É o que já indaga por aí, atônito, o sujeito mais esclarecido, atento ao noticiário.



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