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André Pomponet

Lições de 2018 para as eleições de 2020

André Pomponet - 11 de junho de 2019 | 20h 09
Lições de 2018 para as eleições de 2020

Foram divulgadas as primeiras pesquisas e enquetes relacionadas às eleições para a Prefeitura da Feira de Santana em 2020. Objetivamente, esses levantamentos servem para animar torcidas, alimentar acaloradas discussões entre acólitos, sinalizar quem permanece vivo na memória do eleitor. Contribuem, também, para que as especulações continuem, intensas, até o próximo levantamento. Mas não servem – e isso é óbvio – para antecipar resultado, nem garantir vitória antecipada.

No estacionamento da prefeitura, nos corredores das repartições, nas mesas dos bares frequentados por gente da imprensa, nos becos próximos da Câmara Municipal, até nas feiras-livres dos bairros se vê gente alimentando especulações, cogitando nomes, num exercício frenético que, mais adiante, costuma se revelar inútil.

Isso, justiça seja feita, não acontece apenas na Feira de Santana: nas médias cidades baianas, em Salvador e, sobretudo, nas pequenas e pacatas cidades dos grotões o vício é o mesmo. A variação se dá apenas na amplitude do catálogo de postulantes, na avaliação do prefeito de plantão, se é pré-candidato à reeleição ou não.

O problema é que só se discutem nomes. E os projetos? Quando serão discutidos, caso existam?

As eleições presidenciais de 2018 renderam uma amarga lição. Muita gente se elegeu – inclusive o próprio presidente da República – apostando no ódio, na cizânia, na divisão, no “nós contra eles”; políticos malandros, muitos se ajustaram à “nova política” e à “antipolítica”, renegando a própria biografia, apesar das extensas trajetórias políticas; outros, exímios “gestores”, foram alçados ao Executivo, revelando-se incapazes até de gerir botequim de periferia.

Os resultados estão aí, conforme se vê. Alguns, mais espertos, camuflam a própria incompetência despejando rios de dinheiro público em publicidade, contratando marqueteiros afamados. Constroem uma “marca” – um clichê que resume tudo – e, escudados nela, alimentam suas ambições. São os finórios no ofício.

Tudo isso – é necessário ressaltar – gira no circuito dos “nomes”. E os projetos?

É ocioso listar o grande número de carências da Feira de Santana. Algumas são antiquíssimas, nunca foram atacadas; outras ganham o verniz típico das medidas cosméticas, ressurgindo mais adiante; algumas apenas começam a se revelar, mas exigem explicação, diagnóstico, planejamento, expressões difíceis de enxergar no dia-a-dia da cidade.

Os períodos eleitorais são propícios para esse tipo de discussão, só que costumam ser desperdiçados. Há, porém, uma circunstância nova, que foi a eleição de um presidente que não tem qualquer rumo ou proposta para o País, à exceção de sua “agenda da morte”.  Daqui a um ano, a catástrofe será muito mais visível.

Na Feira de Santana, seria desejável que se começasse a aprender com isso e, a partir daí, não desperdiçar a oportunidade de reescrever o sempre previsível futuro do município...



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