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  • Feira de Santana, domingo, 05 de abril de 2020

César Oliveira

Os riscos da menstruação precoce, erotização infantil e a campanha do governo

César Oliveira - 05 de fevereiro de 2020 | 07h 26
Os riscos da menstruação precoce, erotização infantil e a campanha do governo

Há 100 anos a menarca, ou primeira menstruação, aparecia aos 14,2 anos. Atualmente, a média está ao redor de 12 anos, e não é incomum, até com 10. Nos EUA, 15% das meninas tem desenvolvimento de mamas antes dos 8 anos.

As causas são multifatoriais, inclusive a obesidade, muito dominante no fim do século XX. A puberdade precoce é grave porque isso traz uma série de impactos comportamentais e sociais. A menina vivencia antecipadamente os tradicionais conflitos da adolescência, mas com mentalidade infantil e sem a percepção adequada de suas consequências e posição nas relações sociais.

Diversos estudos recentes mostram que jovens com puberdade precoce tem mais chances de iniciarem comportamentos de risco e um estudo da Universidade Cornnel mostrou que essas adolescentes são mais psicologicamente vulneráveis, com maior ocorrência de depressão. Há estudos, também,  que mostram que adolescentes sem os dois pais biológicos presentes tem duas vezes mais chances de terem puberdade mais jovem.

É bom lembrar que ao menstruar as meninas antecipam a maturação óssea e, portanto, crescem menos, tornando-se mais baixas, e parecem ter maior chance de câncer de mama.

Concomitante a isso, temos a sexualização infantil precoce, um dado indiscutível, especialmente estimulado pela mídia que vende um modelo de comportamento que influencia as adolescentes.

A Associação Americana de Psicologia (APA) divulgou, já em 2007, um relatório que analisava 300 estudos publicados, nos quais eram analisados os meios de comunicação -em particular a televisão -, filmes, revistas e letras de músicas e a silhueta das bonecas e comprovou-se a erotização.

O que os especialistas chamam de "erotização" é o aquilo que baseia o valor de uma pessoa essencialmente em seu “sex appeal” . Quem não se enquadra pode ter depressão, distúrbios alimentares e um mau desempenho escolar, advertia a APA.

"As conseqüências da erotização das adolescentes nos meios de comunicação hoje são muito reais e têm, obviamente, uma influência negativa em seu desenvolvimento", afirmava, Eileen Zurbriggen, chefe da equipe de pesquisas.

Aqui no Brasil a erotização da música, dança, propaganda, é muito mais profunda e sem controle e certamente seu impacto é muito mais severo.

Aos que dizem que basta ter educação sexual na escola- realmente necessário-, não custa lembrar que esse ensino implica em uma “ normalização do ato”, afinal, está sendo ensinado pelos professores. Acontece, que sexo não é apenas uma técnica a ser dominada para evitar gravidez precoce e DST. Ele precisa estar associado a afeto, valorização, e dotado de um real significado que vai muito além das limitadas propostas de educação sexual escolar.

A erotização precisa ser combatida com todo empenho, os severos riscos da puberdade precoce devem ser alertados, e a educação sexual precisa ser pensada sob outra forma evitando que funcione apenas como um incentivo sexual subliminar, como tem sido proposto.

Embora não goste do termo abstinência, acho muito significativo e importante a proposta do governo de abrir a discussão sobre o tema e propor que a escolha sexual esteja associada a um momento de maior maturidade.

Nossas crianças não podem continuar sendo vítimas indefesas de uma Sociedade sem limites e dos ativistas de uma falsa liberdade.



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