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Política

Bolsonaro diz que incluir governadores no Conselho da Amazônia 'não resolve nada'

13 de fevereiro de 2020 | 15h 58
Bolsonaro diz que incluir governadores no Conselho da Amazônia 'não resolve nada'
O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta quinta-feira (13) que incluir governadores no Conselho Nacional da Amazônia "não resolveria nada". Ele ressaltou, no entanto, que não vai tomar decisões sobre a região sem consultá-los.
 
Bolsonaro foi questionado, durante entrevista na saída do Palácio da Alvorada, se foi dele a decisão de excluir os governadores do conselho, agora chefiado pelo vice-presidente Hamilton Mourão.
 
Ao assinar o decreto que transferiu o colegiado do Ministério do Meio Ambiente para a Vice-presidência, Bolsonaro deixou de fora os governadores da Amazônia Legal. A composição anterior do conselho, estipulada em um decreto de 1995, incluía os governadores. Integram a Amazônia Legal: Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins, Mato Grosso e Maranhão.
 
Segundo Bolsonaro, ter governadores e secretários municipais no colegiado tornaria o grupo muito grande e prejudicaria a eficiência dos trabalhos, além de gerar despesas.
 
“Se você quiser que eu bote, está aqui o Atila Lins [deputado federal PP-AM] para responder. Se você quiser que eu bote governadores, secretários de grandes cidades, vai ter 200 caras. Sabe o que vai resolver? Nada. Nada”, disse Bolsonaro, que acrescentou:
 
“Tem bastantes ministros. Nós não vamos tomar decisões sobre estados da Amazônia sem conversar com governador, com a bancada do estado. Se botar muita gente ,é passagem aérea, hospedagem, uma despesa enorme, não resolve nada”, completou o presidente.
 
Bolsonaro destacou que Mourão tem amplo conhecimento da região, por ter trabalhado na Amazônia durante sua carreira militar – o vice-presidente é general da reserva do Exército.
 
O presidente também afirmou na entrevista que a organização não-governamental Greenpeace, que desenvolve ações de proteção ambiental, é uma "porcaria" e um "lixo".
 
Ele foi questionado sobre posição da entidade, que destacou que o Conselho da Amazônia não tem meta nem orçamento.
 
"Quem é Greenpeace? Quem é essa porcaria chamada Greenpeace? Isso é um lixo! Isso é um lixo!", afirmou Bolsonaro.
 
O Greenpeace é uma das organizações mais famosas de preservação do meio ambiente. Fundada em 1971, a entidade afirma que faz ações não violentas para pressionar empresas e governos a adotar soluções em prol do meio ambiente. Algumas dessas ações são envoltas em polêmicas, como no caso do navio Artic Sunrise – em 2013, o capitão da embarcação e outros 30 tripulantes, entre eles uma brasileira, chegaram a ser presos depois de uma ação contra uma plataforma de petróleo da Gazprom no Ártico. Eles foram acusados de pirataria e de vandalismo.
 
Em 2019, ao realizar um ato contra as manchas de óleo no litoral do Nordeste, a entidade deixou 6 toneladas de lixo no local da manifestação. Segundo a diretora de campanhas do Greenpeace Brasil, Tica Minami, o lixo deixado no local fazia parte do protesto. Três manifestantes foram detidos por descarte irregular de lixo, mas foram liberados no mesmo dia.
 
Atualmente, o Greenpeace desenvolve campanhas pela preservação da Amazônia, emergência climática, proteção de oceanos, contra agrotóxicos na alimentação, em prol do Ártico e dos ursos polares, das abelhas, dos corais da Amazônia e de um mundo verde e pacífico.
 
Após a declaração, o Greenpeace divulgou uma nota para responder o presidente. No texto, a ONG disse lamentar que Bolsonaro "tenha uma postura tão incondizente com o cargo que ocupa".
 
"A organização existe há quase meio século e está presente em 55 países. No Brasil, atua há 28 anos defendendo o meio ambiente e colaborando, inclusive, com autoridades na denúncia de crimes ambientais. Ao longo da história, nossa postura crítica a quem promove a destruição ambiental já causou muitas reações desequilibradas dos mais diferentes personagens. Estamos apenas diante de mais uma delas. Nestes casos, o incômodo de quem destrói o meio ambiente soa como elogio", escreveu o Greenpeace.
 
O governador do Amapá e presidente do Consórcio de Estados da Amazônia Legal, Waldez Góes, lamentou e classificou como “retrocesso” a exclusão dos governadores eleitos do Conselho da Amazônia.
 
Waldez disse esperar “bom senso” do Planalto para revisar a composição do colegiado.
 
"Precisamos andar juntos para enfrentar os desafios amazônicos e garantir mais dignidade e inclusão para nossa população. Estamos à disposição para contribuir com o debate e construção de políticas e estratégias nacionais em conjunto com o novo Conselho”, declarou Goés.
 
O governador do Maranhão, Flávio Dino, também criticou a saída dos governadores do grupo. Na sua opinião, a decisão não foi boa a "democracia do país"
 
“É um método geral do governo Bolsonaro, infelizmente. Uma visão extremista, belicista, de afastamento de setores sociais, políticos e econômicos e isso não é bom para a democracia brasileira”, disse Dino.

FONTE: G1



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