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Educação

Condensadores encalham até no leilão de inservíveis

Glauco Wanderley - 22 de junho de 2015 | 10h 18

Bebedouros comprados em 2009 deveriam produzir água a partir do ar

Condensadores encalham até no leilão de inservíveis
Os condensadores arrumados para visitação no Joia da Princesa: não houve interessados

Rejeitados nas escolas onde foram instalados, quebrados e sem peça de reposição, os condensadores de água que supostamente matariam a sede dos estudantes das escolas públicas municipais foram acabar na lista de “bens inservíveis” do município, para o leilão ocorrido no final de maio. Mas ninguém quis arrematar. Talvez porque estivesse muito caro. Talvez porque nem como sucata se saiba o que fazer com o aparelho, comprado em grande quantidade no governo Tarcízio Pimenta e anunciado como algo revolucionário.

O que hoje é sucata sem comprador, custou R$ 1.970.000,00 em 2009. Desde o começo a compra foi muito questionada. Não se tinha notícia do uso deste equipamento em larga escala em lugar algum. A promessa foi de que ele produziria água a partir da umidade do ar, tornando a Embasa obsoleta. O que é bem questionável, numa região de clima predominantemente seco.

Havia também o problema do custo da maravilha tecnológica. Cada uma das 300 unidades saiu por R$ 6.566,67. Para efeito de comparação, o atual governo comprou ano passado 263 bebedouros tradicionais, em modelos com três torneiras. O valor unitário foi de R$ 2.053,23, de acordo com a secretaria municipal de Educação.

Um problema adicional do condensador é que o aparelho funcionava com 220 volts, mas a rede elétrica das escolas é 110 volts. A necessidade de adaptação pode ter interferido tanto no rendimento quanto na durabilidade.

O certo é que o equipamento começou a dar razão aos críticos ainda durante o governo passado, que o implantou. A queixa era de que quando funcionava, a produção de água era pouca para a necessidade, acabando nas primeiras horas da manhã e voltando a aparecer só no dia seguinte.

Quando José Ronaldo assumiu pela terceira vez o cargo de prefeito, as diretoras já eram unânimes em rejeitar a cara máquina. Vivia parada e ainda ocupava muito espaço quando era recolhida a alguma sala que servisse como depósito improvisado. Segundo a secretária de Educação, Jayana Ribeiro, as diretoras pediam o recolhimento pela secretaria.

Assim foram montados dois lotes para integrar o leilão que a prefeitura organizou, com bens de todas as áreas do governo. Um lote com 58 condensadores, outro com 145. O menor totalizava R$ 217.542,69 e o outro R$ 557.495,76. Em ambos o custo unitário era de quase R$ 4 mil, ainda muito próximo do valor original pago pelo governo em 2009. O secretário de Administração, João Marinho, acredita que esta pode ter sido a causa da ausência de comprador.

Como a prefeitura jamais tinha vendido nada parecido, não havia um parâmetro de preço. Ao mesmo tempo, explica João, não se podia desvalorizar demais, para não dar margem a uma acusação de negligência. Num próximo leilão é bem provável que o produto venha com um preço mínimo generoso, para ver se alguém se dispõe a pagar por ele. Até lá devem ser incorporados os 97 que ainda faltam para completar os 300 comprados por Tarcízio, hoje integralmente recolhidos aos depósitos da secretaria de Educação.

 

“TROUXE BENEFÍCIOS"

O ex-prefeito Tarcízio Pimenta não admite que a compra foi um erro. Ele afirma que o condensador cumpriu seu papel e que qualquer equipamento tem seu tempo de duração. Garante que em sua época o fabricante deu assistência sempre que solicitada. "Um equipamento que 60 crianças manipulam por dia, não tem como não apresentar avarias", pondera. Ele considera que deixar de utilizar é uma opção do governo atual, a qual ele faz questão de ressaltar que também não critica.

“A aquisição dos condensadores, como da lousa eletrônica, Saúde Digital e Cidade Digital [programa de internet gratuita] foram inovadores e trouxeram benefícios”, argumenta, inserindo outras ações do governo em única lista para defender o "bebedouro digital", como acabou apelidado o mais controvertido de todos.

Segundo o ex-prefeito, vários outros municípios adotaram o sistema. No entanto não conseguiu lembrar de nenhum ao falar com a Tribuna Feirense. Na época talvez existissem. Hoje, é altamente improvável. No governo atual, membros da secretaria de Educação tentaram, pela internet e por telefone, contato com a empresa HNS máquinas e condensadores de água Ltda. em Cambuí, Minas Gerais. Em vão. "Parece que não existe mais", cogita a assessora de comunicação da Educação municipal, Lineia Fernandes.

 

Lousas digitais funcionam plenamente

Se os bebedouros fracassaram, a lousa eletrônica, ferramenta voltada para o uso direto na aprendizagem, também introduzida nas escolas na gestão de Tarcízio Pimenta, está em pleno funcionamento, segundo a secretaria de Educação. Há 108 delas, instaladas em 102 escolas, com previsão de aquisição de mais 42.

O município mantém um site com aulas prontas, em várias disciplinas que o professor pode acessar diretamente através do equipamento. Os planos de aula que o professor elabora também podem ser enviados e acessados por meio da lousa eletrônica.

No conteúdo interativo há também jogos, animações, mapas, atividades, experimentos científicos e videoaulas.

Como não poderia deixar de ser, a lousa eletrônica tem acesso à internet e pode ser empregada em qualquer operação que se faz em um computador ou tablet, como desenhar ou escrever.



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