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  • Feira de Santana, sexta, 23 de outubro de 2020

André Pomponet

Ato une camelôs e professores no centro da Feira

André Pamponet - 23 de setembro de 2020 | 15h 06
Ato une camelôs e professores no centro da Feira
Foto: Divulgação
O centro da Feira de Santana foi palco ontem (22) de um protesto ímpar que uniu duas categorias com demandas bem diferentes: os professores da rede municipal, com seus salários cortados, e os camelôs e os ambulantes que estão para ser relocados para o shopping popular construído ali do lado do maltratado Centro de Abastecimento. Há, porém, um elemento que une as pelejas das duas categorias: a dificuldade da prefeitura em dialogar e costurar acordos, sobretudo agora, no excepcional contexto da pandemia do novo coronavírus.
 
Os camelôs estão sendo relocados no meio da pandemia da Covid-19. As perspectivas para a economia brasileira só são promissoras nos discursos do Ministério da Economia. País afora, o que se vê é desemprego, corte salarial, falências e incertezas sobre o futuro. É natural, portanto, o temor com o que vem aí pela frente. Sobretudo porque ninguém sabe quando a pandemia acaba.
 
Os valores cobrados no shopping popular assustam os trabalhadores que estão sendo relocados. Nem mesmo a festejada isenção das taxas – acena-se com oito meses de carência – garante nada, pois todo mundo intui que, até lá, a economia brasileira não decola e a Covid-19 permanecerá aí, na praça. Com desemprego e pandemia, difícil a prometida festa do consumo, do progresso, no festejado empreendimento. E se vier a inadimplência, o que farão os trabalhadores desalojados? Ninguém fala.
 
Questões espinhosas como estas passaram a exigir negociação, o que não houve desde o começo da pandemia. A solução é uma nova concertação, estabelecendo consensos, novos prazos e novas condições. Caso a prefeitura não ignorasse as sucessivas manifestações – foram muitas desde o começo do ano – o impasse não estaria aí, projetando sombras às vésperas das eleições.
 
Professores - Os professores, por sua vez, defrontam-se com a mesma dificuldade do Executivo feirense de estabelecer negociação. Dias atrás até houve o anúncio de um recuo da Prefeitura, mas, à frente, aconteceu um inexplicável recuo do recuo. E o impasse se traduziu, hoje, em mais uma manifestação que – como é óbvio – tornou ainda mais caótico o habitualmente confuso trânsito no centro da cidade.
 
Para desqualificar os manifestantes, com muita frequência alega-se que as manifestações são “políticas” e que os participantes têm “interesses políticos”. É como se quem ocupasse os principais cargos políticos do município também não tivesse interesses políticos e atuasse movido só por desprendimento, por amor à Feira de Santana. Além de antiquíssimo, o argumento é inócuo.
 
A Prefeitura da Feira de Santana precisa passar por mudanças. Recrutar gente jovem, mais qualificada e adotar métodos mais modernos de gestão. Salvador, aqui do lado, por exemplo, podia servir de inspiração. As manifestações estão desembestando para uma crise no meio do período eleitoral. Nada pior para um prefeito que tenta a reeleição, como Colbert Martins Filho. 
 
Anunciada com pompa, a parceria público-privada do shopping popular pelo jeito não conta nem com um modelo de governança, pois não se fala nele. E sem um gabinete de crise – composto por negociadores experientes – os secretários municipais saem para matar qualquer bola no peito, mesmo sem nenhuma intimidade com as metafóricas pelotas políticas, que são cheias de arestas...


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