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Economia

Aumento da gasolina também implica impacto no preço do etanol

06 de março de 2021 | 11h 47
Aumento da gasolina também implica impacto no preço do etanol
Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Afetado pelo preço da gasolina, o consumidor está tendo dificuldades também para abastecer com etanol, substituto imediato nos veículos com motor flex. De acordo com a Agência Nacional do Petróleo (ANP), a entressafra e o aumento da demanda fizeram o preço do etanol hidratado acumular aumento de 21,1% desde janeiro.

Segundo a Agência Brasil, o levantamento semanal da ANP indica que o preço médio do litro do combustível passou de R$ 3,221 para R$ 3,901. Apesar de mais cara que o etanol, a gasolina comum subiu menos: 14,6% de janeiro a março. O preço médio do litro da gasolina passou de R$ 4,622 para R$ 5,299.

O aumento foi ainda maior no atacado. O Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) avaliou que o etanol acumula alta de 35% nas usinas do Centro-Sul, principal região produtora do país.

A depender do modelo do veículo, diz o site, o etanol torna-se vantajoso quando custa até ou menos que 75% do valor da gasolina. A ANP levantou que somente seis estados atingiram essa proporção na primeira semana de março: Goiás (68,9%), Mato Grosso (69,3%), Minas Gerais (72,8%), Amazonas (74,4%), Mato Grosso do Sul (74,7%) e Sergipe (74,9%).

Mas o preço do etanol quase se iguala ao da gasolina, em alguns estados. As maiores proporções foram registradas no Amapá (93,9%), Rio Grande do Sul (91%), Santa Catarina (85,9%) e Pará (83%).

DEMANDA E OFERTA – Segundo o portal de notícias, mesmo com o etanol sendo desvantajoso na maioria dos estados, a demanda pelo substituto da gasolina está crescendo. A edição mais recente do Boletim de Monitoramento Covid-19, do Ministério de Minas e Energia, mostra que o consumo de gasolina em 2021, até 23 de fevereiro, tinha caído 4,1% em relação ao mesmo período do ano passado. Em contrapartida, na mesma comparação, o consumo de etanol hidratado subiu 6,1%.

À demanda maior do etanol, somam-se fatores ligados à safra de cana-de-açúcar. A tradicional entressafra, no início do ano, encarece o etanol no primeiro quadrimestre. Neste ano, porém, a oferta continuará baixa por mais tempo.

A União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Única) avalia que a safra deste ano deve atrasar. A causa é estiagem registrada no segundo semestre do ano passado no Centro-Sul. A escassez de chuva na primavera faz com que as plantações de cana levem mais tempo para se desenvolver. Com isso, parte das usinas acaba adiando a colheita, que costuma ocorrer no início de abril.

Ainda conforme a Agência Brasil, durante a entressafra, a produção de etanol de milho costuma substituir o combustível proveniente da cana-de-açúcar. O ritmo, no entanto, não é suficiente para repor a oferta. Segundo o mais recente levantamento da Única, até a metade de fevereiro, a produção de etanol acumulava 29,68 bilhões de litros, queda de 8,54% sobre os 32,45 bilhões de litros obtidos no mesmo período na safra 2019/2020.



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