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Saúde

Estado de São Paulo associa morte de adolescente vacinada contra Covid-19 à doença autoimune

18 de Setembro de 2021 | 15h 31
Estado de São Paulo associa morte de adolescente vacinada contra Covid-19 à doença autoimune
Foto: Reuters

A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo informou, nesta sexta-feira (17), que análises técnicas indicaram que "não é a vacina a causa provável do óbito" da adolescente de 16 anos, ocorrida sete dias após a imunização contra a Covid-19, na cidade de São Bernardo do Campo.

Segundo a Agência Brasil, o órgão atestou que a morte da menina foi atribuída ao diagnóstico da doença autoimune denominada Púrpura Trombótica Trombocitopênica (PPT). A enfermidade foi identificada com base no quadro clínico e em exames complementares. "A PTT é uma doença autoimune, rara e grave, normalmente sem uma causa conhecida capaz de desencadeá-la, e não há como atribuir relação causal entre PTT e a vacina contra Covid-19 de RNA mensageiro, como é o caso da Pfizer", justificou a pasta, por meio de nota.

A análise foi realizada por 70 profissionais, reunidos pela Coordenadoria de Controle de Doenças (CCD) e pelo Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE). Participaram especialistas em Hematologia, Cardiologia, infectologia, além de profissionais atuantes nos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (Crie) do estado.

Representantes dos municípios de São Bernardo do Campo, Santo André e São Paulo também colaboraram no processo de investigação, bem como do Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (CIEVS). "As vacinas em uso no país são seguras, mas eventos adversos pós-vacinação podem acontecer. Na maioria das vezes, são coincidentes, sem relação causal com a vacinação. Quando acontecem, precisam ser cuidadosamente avaliados", explicou o infectologista Eder Gatti, do CVE. Ele coordenou a investigação e atua no Instituto Emílio Ribas. 

A morte da adolescente foi divulgada, na última quinta-feira (16), pelo Ministério da Saúde, durante uma coletiva de imprensa. A secretaria de Saúde de SP, diz a Agência Brasil, informou que os resultados da análise serão submetidos à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

A jovem foi a óbito no dia 2 e havia sido imunizada sete dias antes, com a vacina da Pfizer/BioNTech. O imunizante é o único, no Brasil, a ter autorização da Anvisa para jovens de 12 a 17 anos. "Os eventos adversos graves, principalmente aqueles que evoluem para óbito, são discutidos com uma comissão de especialistas para se ter uma decisão mais precisa sobre a relação com a vacina. Quando um caso vem à tona sem que este trabalho esteja finalizado, cresce o risco de desorientação, temor, de rejeição a uma vacina sem qualquer fundamento, prejudicando esta importante estratégia de saúde pública que é a campanha de vacinação", observou Gatti.

A secretaria estadual de Saúde de São Paulo informou que pessoas com histórico de doenças autoimunes podem receber as vacinas contra Covid-19 disponíveis no país, e devem consultar o médico, caso tenham dúvida. "A rede de saúde está orientada quanto à conduta de imunização de todos os públicos por meio de Documento Técnico do Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE)", afirmou o órgão.

O que diz a Anvisa - Segundo a Agência Brasil, na noite de ontem, a Anvisa divulgou uma nota técnica, informando que se reuniu com a Pfizer para tratar da suspeita de reação adversa grave à vacina da farmacêutica. No encontro, não foram apresentadas "novas informações sobre o caso".

O órgão regulador salientou que, mesmo com a Nota Informativa do Centro de Vigilância Epidemiológica de São Paulo, cuja conclusão diz não ser possível atribuir diretamente o óbito à aplicação do imunizante, vai participar de uma ação de campo, nos próximos dias, em conjunto com autoridades locais de saúde, a fim de obter mais informações sobre a investigação do caso. "Até o momento, os achados apontam para a manutenção da relação benefício versus o risco para todas as vacinas autorizadas no Brasil, ou seja, os benefícios da vacinação excedem significativamente os seus potenciais riscos", garante o documento.



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