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  • Feira de Santana, segunda, 13 de abril de 2026

Saúde

Centro de Controle de Endemias de Feira de Santana intensifica ações de vigilância e combate à leishmaniose

13 de Março de 2026 | 18h 48
Centro de Controle de Endemias de Feira de Santana intensifica ações de vigilância e combate à leishmaniose
Foto: Divulgação/SMS

O Centro Municipal de Controle de Endemias mantém um trabalho contínuo de vigilância e combate à leishmaniose no município de Feira de Santana, com ações que incluem o monitoramento do mosquito transmissor, a investigação de casos e a testagem de animais em diferentes regiões da sede e da zona rural do município.

Doença infecciosa causada por um protozoário e transmitida pela picada do mosquito flebotomíneo, popularmente chamado mosquito-palha, a leishmaniose acomete animais, sobretudo cães, e, também, seres humanos, configurando-se, portanto, como uma zoonose.

Somente em 2025, o órgão coletou 562 amostras de animais para testagem da doença. Desse total, 81 apresentaram resultado positivo no teste rápido. Outros 36 casos foram confirmados, posteriormente, em laboratório, por meio da análise de amostras de sangue.

Nos cães, a doença, que é popularmente conhecida como calazar, provoca queda de pelos, crescimento anormal das unhas, lesões na pele e emagrecimento progressivo. Diante de suspeita, os tutores devem procurar o Centro de Controle de Endemias, a fim de realizar as testagens.

Ronaldo Lima, agente de endemias responsável pelo serviço, informa que, “quando há suspeita de infecção em cães, os agentes realizam o teste rápido, cujo resultado fica pronto em cerca de 20 minutos”. Se der positivo, “é feita a coleta de sangue do animal, para confirmação no Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen)”.

De acordo com o gestor, quando o resultado é confirmado em laboratório, o animal é submetido à eutanásia. A medida é recomendada pelos protocolos sanitários, a fim de evitar a manutenção do parasita no ambiente e reduzir o risco de transmissão pelo mosquito.

Além do atendimento à comunidade por demanda espontânea, as ações de vigilância são realizadas de forma programada, em áreas previamente identificadas como positivas para a presença do mosquito-palha, transmissor da doença.

O levantamento é feito pelo setor de entomologia em parceria com a Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) e o Ministério da Saúde (MS). Para identificar a presença do inseto, equipes instalam armadilhas em locais estratégicos, geralmente, em residências ou propriedades rurais.

Os equipamentos permanecem no local durante toda a noite, período de maior atividade do mosquito. No dia seguinte, os agentes recolhem as armadilhas e encaminham o material para o laboratório, onde os insetos capturados são separados, identificados e catalogados. Isto permite mapear as áreas com maior circulação do vetor.

Outra frente de atuação é o controle químico das áreas com maior risco de transmissão. A estratégia consiste na aplicação residual de inseticida, realizada com bomba costal, para reduzir a presença do mosquito transmissor.

Conforme o órgão, o controle químico é executado em ciclos, geralmente, entre os meses de janeiro e maio e de agosto a dezembro, podendo se estender, por até dois anos, em determinadas localidades. Paralelamente, as equipes realizam o chamado inquérito canino, que avalia a presença da doença na população de cães. 

ÁREAS MONITORADAS – Atualmente, a programação de combate à leishmaniose contempla 47 áreas, entre bairros de Feira de Santana e propriedades rurais localizadas nos distritos. Entre os locais que registraram maior número de casos no ano passado, estão o distrito da Matinha, o povoado Genipapo, a sede de Ipuaçu e o povoado Fazenda Umbuzeiro.

Na sede, os bairros Campo do Gado Novo, Aviário, George Américo, Queimadinha, Caseb, Feira VII, Gabriela e Rua Nova, e as localidades de Caraíbas, Pampalona e Novo Horizonte, estão entre as áreas monitoradas.

Segundo Ronaldo Lima, as ações têm atenção especial nas regiões rurais. “O foco maior são as fazendas, onde há um índice elevado de cães com a doença e maior presença do protozoário”, destaca.

LEISHMANIOSE EM HUMANOS – De acordo com a enfermeira e referência técnica de leishmaniose da Vigilância Epidemiológica, Camila Sena, no segundo semestre de 2025, não houve registro de casos positivos em humanos que vivem no município de Feira de Santana.

Ainda assim, diz ela, o monitoramento segue ativo, em 2026, já que notificações de casos suspeitos continuam sendo investigadas pelas equipes de saúde. “Hoje, temos um cenário tranquilo. Em 2025, não tivemos casos positivos em humanos, mas seguimos em vigilância, em 2026. Sempre que recebemos notificações suspeitas, realizamos a investigação no local e, até o momento, não houve confirmação da doença”, detalha.

A leishmaniose é uma doença zoonótica e vetorial, ou seja, transmitida por um vetor, que é o mosquito-palha. A transmissão ocorre quando a fêmea do inseto pica um animal infectado, geralmente um cão, que funciona como reservatório da doença, e, posteriormente, pica uma pessoa. “É importante destacar que a doença não é transmitida de pessoa para pessoa, mas apenas por meio da picada do mosquito infectado”, observa.

Nos seres humanos, a doença pode se manifestar de duas formas principais: a visceral e a tegumentar (cutânea ou mucosa). Na primeira, considerada a mais grave, o paciente pode apresentar febre prolongada, aumento do fígado e do baço, além de outros sintomas sistêmicos. Já na segunda, surgem feridas ou lesões na pele e nas mucosas, no local da picada do mosquito.

Segundo Camila Sena, o diagnóstico depende da forma clínica apresentada. “Na forma visceral, conseguimos confirmar por meio de teste rápido disponível no Município. Já na forma tegumentar, a lesão é avaliada pelo infectologista e solicitada biópsia para confirmação”, explica.

Apesar de preocupante, a doença tem tratamento, principalmente, quando diagnosticada precocemente. Segundo a gestora, toda a rede de saúde está preparada para identificar e notificar casos suspeitos, enquanto o acompanhamento é realizado por infectologistas em ambulatório especializado.

Nos casos mais graves, o diagnóstico pode ocorrer diretamente nas unidades hospitalares. A enfermeira alerta que a prevenção é fundamental. Para tanto, é preciso manter quintais limpos; evitar o acúmulo de lixo e matéria orgânica; cuidar da saúde dos animais; e comunicar casos suspeitos às autoridades sanitárias. Estas, segundo ela, são atitudes que ajudam a reduzir o risco de transmissão da doença.



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