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André Pomponet

Colapso reforça necessidade da discussão sobre o transporte público

01 de setembro de 2015 | 09h 48
Colapso reforça necessidade da discussão sobre o transporte público

A profunda crise que aflige o transporte coletivo na Feira de Santana constitui uma oportunidade de ouro para se discutir o sistema no município e, quem sabe, avançar alguns passos em direção ao seu aprimoramento. Ao contrário do que alegaram as empresas, o imbróglio não é fruto de uma ínfima e transitória redução no valor da passagem – de R$ 2,50 para R$ 2,35 –, adotada sob a efervescência das manifestações de junho de 2013. Por outro lado, as empresas não são as únicas responsáveis, já que o sistema vem se deteriorando há vários anos, sob o olhar complacente de sucessivas administrações municipais.

No noticiário, promete-se a redenção num intervalo curto: nos próximos meses, 270 ônibus novos – conforme se frisa com ênfase – estarão em circulação, atendendo os feirenses. Isso como resultado da licitação concluída há poucos dias. O detalhe – que não é um mero detalhe – é que a própria licitação não previa uma frota inteira de ônibus “zero quilômetro”, como se alardeia. Ninguém sabe, portanto, se isso não passa de mais uma mera promessa. 

Para mais adiante, promete-se o festejado Bus Rapid Transit – o polêmico BRT. Embora incontáveis indagações ainda permaneçam no ar, o desmatamento já está em curso na avenida Getúlio Vargas, que vai perder boa parte de sua cobertura vegetal. Alega-se na propaganda oficial que ipês e flamboyants darão lugar ao progresso. É o mesmo discurso usado nos anos 1970, quando a centenária feira-livre foi transferida do centro da cidade para o hoje maltratado Centro de Abastecimento.

Com base nas informações oficiais, pode-se deduzir que, a partir da conclusão das obras do BRT – cujo traçado, inclusive, ainda é objeto de incontáveis questionamentos – estará concluída a modernização do transporte público na Feira de Santana. Afinal, não se fala em nada mais substancial para os próximos 15 anos, prazo de vigência do contrato de concessão recém-licitado.

 

Incremental

As questões urbanas relacionadas à Feira de Santana sempre foram pouco discutidas. Sobretudo em relação ao seu transporte público, que, ao longo de décadas, experimenta mudanças meramente incrementais, desconsiderando as contínuas transformações visíveis na malha urbana. É, portanto, o descolamento entre a realidade da cidade e a estrutura arcaica da oferta de serviços públicos que aprofunda a escassez e a precariedade desses serviços.

Nos últimos anos, o município sofreu mudanças importantes em sua estrutura urbana. Bairros inteiros surgiram com o boom imobiliário, regiões despovoadas foram ocupadas, novos espaços comerciais e de serviços surgiram e se consolidaram, alterando o perfil da cidade. Esses movimentos exigiriam permanente atenção das autoridades, sobretudo com o uso de instrumentos de planejamento, como o plano diretor, o que acabou não acontecendo.

Mudanças do gênero impõem, mais do que reforçar, aqui ou ali, uma linha ou outra, estudos mais sistemáticos sobre a mobilidade do feirense. E – quem sabe – até se partir para pensar noutros modais. Mas, como se sabe, nada mudou: no máximo, muda a cor do ônibus, o número da linha, adiciona-se uma rua ou outra à rota, mas a essência permanece inalterada.

Ir à Uefs, por exemplo, é um martírio. Intermináveis esperas dificultam a vida dos estudantes ou de quem necessita se deslocar até a instituição.  E a situação se estende a quaisquer deslocamentos, sobretudo a partir dos bairros periféricos. Nos finais de semana, a espera pode durar duas horas. Apesar de todas as promessas, nada sinaliza que essa situação vá mudar no médio prazo.



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