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Política

Engenheiros da Petrobras vão lançar campanha em defesa da empresa

22 de janeiro de 2015 | 20h 26
Engenheiros da Petrobras vão lançar campanha em defesa da empresa
Uma campanha para mobilizar o Brasil em defesa da Petrobras será lançada no dia 4 de fevereiro com ato público no Clube de Engenharia, no Rio, por iniciativa da Associação dos Engenheiros da Petrobras (AEPET) em parceria com o clube, a mais antiga e tradicional entidade da categoria. A iniciativa foi anunciada na última terça  (13/1) ao ser empossada a nova diretoria da AEPET para o triênio 2015/2017 - que será presidida pelo engenheiro Felipe Coutinho – no auditório do clube.
 
Em discurso, Coutinho destacou que as revelações da Operação Lava Jato multiplicadas pela mídia “demonstram a fragilidade institucional da Petrobras perante seus fornecedores de bens e serviços”, principalmente empreiteiras cartelizadas e exatamente por isto, na sua opinião, não é suficiente apenas condenar os corruptos e garantir o ressarcimento de fraudes: “É preciso alcançar os agentes ativos e principais beneficiários da corrupção – os empresários organizados em cartel para obter contratos super-lucrativos com a Petrobras e lesá-la”.
 
Coutinho frisou:
“A Petrobrás sempre esteve e ainda está cercada por interesses privados que disputam diretamente o petróleo ou a riqueza produzida pela companhia”.
O assédio de empresas privadas à Petrobrás é intenso, “todas em busca de contratos lucrativos, uma prática que é extensão à ocupação, por interesses particulares, do Estado Nacional Brasileiro”.
 
O novo presidente da AEPET fez questão de dar nome aos bois e citou entre os interessados em lucrativos lesivos à Petrobrás  os bancos e seguradoras - em busca de juros privilegiados; industriais que consomem combustíveis e produtos petroquímicos, querendo subsídios; revendedores de combustíveis querendo  a mesma coisa; produtores de etanol e biodiesel, também em busca de subsídios; petrolíferas privadas, estrangeiras e brasileiras, interessadas em acesso fácil ao petróleo brasileiro e as tecnologias dominadas pela Petrobras; mesmo interesse das consultorias em busca de informações privilegiadas “que lhe proporcionem vantagens junto a corporações para as quais secretamente trabalham” e, ainda, grandes as empresas de comunicação em busca de lucrativos contratos de publicidade.
 
“Poderosos interesses econômicos disputam o acesso direto ao petróleo brasileiro e à renda petroleira. As multinacionais do petróleo e seus lobistas no Instituto Brasileiro do Petróleo, no Congresso Nacional, nos ministérios da República e na mídia empresarial - não cansam de tentar sabotar a Petrobrás em sua histórica cólera privatista”, destacou também o novo presidente da Aepet no seu discurso de posse.
 
Já Fernando Siqueira, reempossado na vice-presidência da entidade, chamou a atenção para o fato de que embora atuem há muitos anos dentro da Petrobras, as empresas estrangeiras de auditoria Price Waterhouse Coopers e a KPMG em momento algum alertaram sobre as irregularidades descobertas na administração da Petrobras e agora amplamente divulgadas pela mídia de mercado.
 
Siqueira pregou a “renacionalização” da gestão da Petrobras, argumentando que hoje várias empresas estrangeiras atuam na administração da Petrobras – sendo a Price Waterhouse, por exemplo, responsável pelo planejamento estratégico; e a Boston Group, responsável pelo planejamento tático operacional da companhia. Segundo Fernando Siqueira, também vice-presidente do Movimento em Defesa da Economia Nacional (Modecon), entidade fundada pelo jornalista Barbosa Lima Sobrinho, no total, 14 empresas estrangeiras, a maioria de origem norte-americana, são responsáveis, inclusive, pela gestão do banco de dados da Petrobrás.
 
“É preciso reverter esta situação, renacionalizando a administração da Petrobras”, disse Siqueira lembrando que recentemente o dissidente americano Edward Snowden revelou que os órgãos de espionagem do governo dos Estados Unidos, além de gravarem telefonemas dentro da Petrobras, recebem a cada 72 horas uma grande massa de dados internos da Petrobras – via espionagem eletrônica.
 
Siqueira chegou a provocar risos na plateia ao lembra-la que, em recente depoimento no Congresso, “a presidente da Petrobras, Graça Foster teve coragem de afirmar que os dados sigilosos da Petrobras estão seguros porque três empresas americanas são responsáveis por criptografar essas informações”.
 
Siqueira lembrou que a Noruega, graças ao petróleo, ocupa hoje o primeiro lugar em qualidade de vida na Europa graças ao petróleo, depois que descobriu no Mar do Norte reservas estimadas em 25 bilhões de barris, dos quais ainda restam 8 bilhões inexplorados, e a criação de um fundo soberano que já tem acumulados cerca de 900 bilhões de dólares para serem usados quando a riqueza do petróleo terminar. “O Brasil, que tem muito mais petróleo do que a Noruega, é um dos países mais viáveis do planeta e pode sonhar em construir um futuro muito melhor para os seus filhos porque além do petróleo, temos riquezas minerais estratégicas e território que permite que se façam colheitas o ano todo – desde, é claro, que toda esta riqueza se destine ao povo brasileiro”.
 
Na sua fala Siqueira chamou a atenção para a importância de ressaltar que “a Petrobras não é o antro de corrupção que a imprensa afirma ser: ela tem 88 mil funcionários, trabalhadores sérios, honestos e competentes e 360 mil funcionários terceirizados e não pode, de maneira nenhuma, ser representada por meia dúzia de pessoas que não cumprem com suas obrigações éticas e funcionais”.
 
Siqueira também destacou a importância do trabalho da AEPET em defesa da companhia: “Na assembléias gerais extraordinárias sempre levantamos questões como a compressão da tarifa dos combustíveis prejudiciais à companhia, denunciamos o ‘epicismo’ – a contratação de empresas por pacotes, uma regressão de 40 anos na companhia, que facilitou a ação de cartéis porque uma empresa que ganha a concorrência, como dona do pacote, subcontrata concorrentes fomentando a corrupção; denunciamos a terceirização que já chega a 260 mil empregados e põe em risco a própria sobrevivência da Petrobras e denunciamos também a compra da refinaria de Pasadena, como um mau negócio”.
 
O novo presidente da Aepet, Coutinho, ainda em seu discurso de posse, destacou ser “um dos objetivos do nosso programa para o próximo triênio avaliar a relação entre a Petrobrás e seus fornecedores de bens e serviços”, para propor soluções institucionais “para corrigir a fragilidade, agora inegável, da companhia frente a ação dos corruptores, ao tráfico de influência dos políticos corruptos e também frente ao oportunismo de executivos de aluguel”.
 
Coutinho disse ainda que “entender o fenômeno da corrupção, seus aspectos legais e ilegais, é imprescindível para propor medidas institucionais efetivas e concretas em defesa da Petrobrás. A solução passa por maior transparência, democracia no local de trabalho e pelo controle social”.
 
Já o presidente que sai, engenheiro Silvio Sinedino, que faz parte como representante dos empregados no Conselho de Administração da Petrobras, revelou ao passar o cargo que a política de contenção de preços dos derivados do petróleo praticada pelo governo causou um prejuízo de R$ 60 bilhões à Petrobras, que foi obrigada a passar anos vendendo gasolina e óleo diesel a um valor inferior ao que pagava no exterior.
Fechando sua participação, Siqueira condenou a política de remuneração instaurada na empresa no governo de FHC, quando os gerentes foram cooptados mediante aumentos nas remunerações que os distanciaram dos dos demais funcionários e aumentaram o poder de chantagem da direção.
 
Siqueira vê um lado positivo no momento pelo qual passa a Petrobrás, já que na sua opinião a total apuração das denúncias será benéfica no médio prazo. “Temos chance de reduzir a corrupção. Além disso, os corruptores também foram citados”, ponderou.


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