Gravado no ano de 2001, em Salvador, o primeiro registro de estúdio do grupo baiano Matita Perê chega aos principais serviços de streaming de música no dia 30 de abril.
Há 25 anos, o álbum Matita
foi gestado no estúdio Som da Águas, sob os cuidados técnicos de Bráulio
Villares e Ramos de Jesus, para ser o CD demo que condensaria sua proposta artística.
Copiado, artesanalmente, em mídias de CD e distribuído, gratuitamente,
nos primeiros anos, o disco, com oito faixas, sete delas autorais, ganhou vida
própria e o coração de ouvintes, fazendo com que o grupo decidisse, agora, por
lançá-lo de forma oficial.
O álbum ajudou a fidelizar um público para o Matita Perê, que também recebeu, por
este trabalho, elogios de grandes artistas, como Wagner Tiso, Danilo Caymmi e
Roberto Menescal.
Apesar de ter sido gravado em apenas dois dias e mixado na
manhã do terceiro, Matita (2001)
atingiu surpreendente qualidade musical. O álbum traz a energia sonora dos primeiros
anos do grupo, formado, em julho de 1999, pelos compositores Borega e Luciano
Aguiar.
Com baião, samba e balada, o trabalho apontava, desde então,
o caminho da complexidade harmônica e melódica que o Matita Perê, de forma natural, sempre trilhou, com o pé fincado nas
raízes da música popular brasileira.
No estúdio, os matitas Borega e Luciano contaram, em todas as
faixas, com músicos e amigos irmanados, que, por anos, acompanharam o projeto:
o baterista George Soares, o contrabaixista Augusto Júnior e o flautista João
Liberato.
Importante citar, ainda, a participação do percussionista Giba Conceição, que, por coincidência, apareceu no estúdio naqueles dias e acabou tocando cuíca e berimbau na faixa instrumental Samba dos Alfaiates da Misericórdia (Borega).
Abre o disco o baião Rosiana,
uma parceria de Borega e Luciano Aguiar, que evoca o universo do romance Grandes Sertão: Veredas, de Guimarães
Rosa. A canção, vale ressaltar, recebeu nova versão no segundo álbum oficial do
grupo, intitulado Reino dos Encourados
(2017). Este disco contou com a participação do novo integrante do grupo, o
compositor e maestro Rafael Galeffi, que chegou em 2014.
Também compõe o CD de 2001 outra parceria da dupla Borega e
Luciano, Tão Longe e Tão Perto de Jobim,
uma homenagem ao maestro soberano. Luciano Aguiar assina, sozinho, a mineira De Itajubá; Mão à Palmatória; e o baião Triângulo.
E Borega é responsável por Budi, outra
faixa instrumental do CD.
Além disso, Borega é, também, o arranjador do disco, que traz uma versão muito original para Só Louco (Dorival Caymmi) – única faixa de outro compositor que integra o álbum e que contribuiu para aproximar os matitas dos grandes músicos brasileiros citados anteriormente, dos quais eles são fãs.