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  • Feira de Santana, sexta, 19 de junho de 2026

André Pomponet

A primeira névoa no fim de abril

André Pomponet - 05 de Maio de 2026 | 08h 34
A primeira névoa no fim de abril
Foto: Reprodução/TV Bahia

Não sei bem se foi a primeira névoa do ano, mas, com certeza, foi a primeira que se estendeu até mais tarde na Feira de Santana. Aconteceu um pouco cedo, no último dia de abril. Estendeu-se até por volta das 7 horas. Surgiu no começo da manhã, ganhando altitude e encobrindo o céu que ganhou um tom esbranquiçado que, mais tarde, a luz do sol dispersou e tornou azul.

Alguns transeuntes – estudantes, trabalhadores – foram cautelosos, saindo agasalhados. Mas a névoa logo se dispersou e a temperatura cálida do final de abriu se impôs. Os termômetros marcavam 24ºC e a sensação térmica, no começo da manhã, confirmava os registros digitais.

Na Feira de Santana abril costumava ser mês chuvoso e de transição climática: as precipitações se avolumavam e a temperatura caía, prenunciando o inverno que, noutros tempos, era frio e marcado por garoas frequentes. Mas os tempos mudaram e a previsão dos regimes de chuva e de temperatura se tornou mais imprecisa, em função das temidas mudanças climáticas.

Mas, noves fora chuvas e céu encoberto, manhãs e tardes de outono são sempre magníficas. Sobretudo a partir da segunda quinzena de abril e até junho, quando o inverno se impõe junto com as celebrações juninas. Nos últimos dias, algumas manhãs e tardes foram cinematográficas, com o sol lançando seus raios cariciosos sobre o céu azul, limpo de nuvens, quase irretocável.

Nestes dias, o céu lança o convite de um mergulho às avessas, impossível de se concretizar. Nas copas das árvores, os pássaros urbanos saúdam a estação. No céu há também aves, – bem-te-vis buliçosos, carcarás predadores, urubus frequentes – mas seus perfis recortados, projetados contra a amplidão, contrastam pouco com o azul imaculado. O voo deles, porém, empresta alguma vivacidade ao cenário.

Na urbe, nós, animais humanos, avançamos pisando o cimento das calçadas, o asfalto e os paralelepípedos de ruas e avenidas. Mas pisamos de maneira diferente, sem a agonia e a agitação típicas do verão, quando o sol arde e desconforta. Há, em boa parte do dia, uma temperatura amena que torna as caminhadas mais tranquilas, sem o incômodo do calor.

Em suma, é outono e, quase sempre, faltam palavras para descrever sua beleza na Princesa do Sertão. Logo mais é inverno, as chuvas eventuais convertem-se em tímidas e mais frequentes garoas. Só o noticiário, porém, é que teima em prever, mais à frente, um novo El Niño, com chuvas torrenciais e ondas de calor.

Por aqui, no segundo semestre, conhecemos bem as indescritíveis ondas de calor...



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