Tribuna Feirense

  • Facebook
  • Twiiter
  • 55 75 99801 5659
  • Feira de Santana, terça, 15 de junho de 2021

Segurança

Antes de apresentar cliente, advogado de funcionário do Atakarejo quer revogação do pedido de prisão

13 de Maio de 2021 | 17h 24
Antes de apresentar cliente, advogado de funcionário do Atakarejo quer revogação do pedido de prisão
Flagrados tentando furtar carne, Bruno e Yan teriam sido entregues a traficantes do Nordeste de Amaralina, por seguranças do Atakarejo, para serem executados (Foto: Reprodução)

O advogado Tales Bezerra, que representa um dos funcionários do Atakarejo, atualmente, considerado foragido pela polícia, disse que seu cliente só vai se apresentar quando o pedido de prisão expedido contra ele for revogado. O homem está sendo investigado por envolvimento nas execuções de Bruno e Yan Barros da Silva, após tentativa de furto de pacotes de charque em uma unidade do supermercado, localizada no bairro Fazenda Coutos, em Salvador.

De acordo com o G1, o jurista alegou que seu cliente está sendo ameaçado de morte. A polícia não revelou, até o momento, a identidade do acusado. "Eu defendo os interesses do meu constituinte, e ele está completamente ameaçado. Foi ameaçado de morte, está recebendo ameaças de todos os lados. Então, infelizmente, a gente não tem como apresentar o cliente sem os interesses dele serem atendidos", argumentou.

Tales Bezerra afirma que há disponibilidade de colaborar com o inquérito, mas que não apresentará seu cliente como réu. "Estamos aqui de boa fé, para reunir elementos probatórios para auxiliar nas investigações e, consequentemente, contribuir apresentando ele, mas não na condição de réu. Ele é testemunha", defendeu.

Conforme o G1, o advogado criticou a polícia e a Justiça. Ele disse que falta prudência na condução do caso, por parte dos dois poderes. E que vai solicitar a revogação da prisão, para, só então, o suspeito procurar a delegacia. "O que falta é a devida cautela, tanto do pessoal da investigação quanto do poder judiciário, para que possa negociar com a gente. A defesa está apta, quer auxiliar a Justiça. Até porque, um caso trágico desse, a gente precisa buscar a verdade. A defesa está aqui para trazer a verdade. Infelizmente, as investigações e todo o pessoal responsável estão sendo irrevogáveis quanto ao pedido da prisão temporária dele. Então, nós vamos adentrar os autos, vamos fazer o requerimento da prisão temporária", antecipou.

O advogado declarou não ter tido acesso aos autos e ao inquérito do caso, que ainda não foi concluído. "Até o presente momento, a defesa sequer teve acesso aos autos, acesso ao inquérito. Todas as informações que estão sendo apresentadas são completamente descabidas, que não representam a verdade dos fatos. O nosso cliente, que é funcionário da prevenção de perdas, não teve nada a ver com toda essa situação", afirmou.

Tales Bezerra salientou, ainda, que seu cliente não é segurança do Atakarejo, e sim funcionário da parte de prevenção de perdas do supermercado. Segundo o G1, ele afirmou que o homem chega a aparecer em uma das filmagens, com um termômetro na mão. "Na verdade, ele estava na imagem com um termômetro, aferindo a temperatura de pessoas. Inclusive, como já bem antes apresentado, a conduta dele é sequer omissiva. Ele pede calma. Está junto com o termômetro, tentando aferir a temperatura, e quando a confusão acontece, ele está pedindo calma, ele está pedindo para que a situação cesse", relatou.

De acordo com o advogado, o funcionário foragido trabalhava no estabelecimento há dois anos. "Ele é um menino, tem 22 anos, tem dois filhos para cuidar, estava trabalhando já há dois anos no mercado. Preenche todas as circunstâncias judiciais do artigo 59 do Código Penal. Para a gente, é uma surpresa. É necessário que haja cautela nessas investigações, porque a gente pode acabar, inclusive, trazendo um mal pior do que sentença condenatória", ponderou.

SEGURANÇAS E NARCOTRÁFICO - Até o momento, a polícia já efetuou oito prisões, todas por suspeita de implicação nos homicídios. Do total de detidos, três são funcionários do Atakarejo; os outros cinco são suspeitos de envolvimento com tráfico de drogas e de participação no crime. Segundo a família das vítimas, os seguranças do Atakarejo teriam entregado tio e sobrinho a uma facção criminosa que atua no complexo de bairros que formam o Nordeste de Amaralina. Um dia depois, eles foram encontrados mortos. Os corpos tinham marcas de tortura e de ferimentos à bala.

De acordo com o G1, na última segunda-feira (10), durante uma entrevista coletiva, a polícia confirmou a versão dos familiares de Bruno e Yan. No mesmo dia, os três funcionários do Atakarejo foram presos, em uma operação policial.

A polícia disse, ainda, que os seguranças tentaram extorquir a família das vítimas, pedindo R$ 700 para liberar os dois. Requisitados para investigação, três celulares foram entregues, pelo advogado do supermercado, no Departamento de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP). Segundo o G1, os aparelhos eram usados pelo encarregado de prevenção de perdas, pelos gerente de operações e pelo gerente geral.

Por meio de nota, o Atakarejo informou que instaurou uma sindicância e que os funcionários suspeitos de envolvimento no caso foram afastados, até a conclusão do inquérito policial.

Imagens do momento em que Bruno e Yan estavam sob o domínio dos seguranças do supermercado foram divulgadas nesta terça-feira (11). A Polícia Civil e a Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA) analisam o conteúdo. Conforme o G1, no vídeo, é possível ver que o segurança deu um mata-leão em uma das vítimas. A mãe reconheceu Yan nas imagens. Na gravação, ele está com as mesmas roupas, calçados e máscara com que aparece em uma foto, sentado no chão do Atakarejo, ao lado do tio, Bruno.

Na filmagem, diz o portal de notícias, Yan pede, todo o tempo, para sair e grita "não" reiteradas vezes. Depois, cai no chão e parece chorar. Não é possível identificar, no vídeo, se Bruno Barros, o tio que foi morto com ele, está no local. Mas as imagens revelam que ao menos seis pessoas assistem à cena, sem fazer nada. A filmagem foi interrompida abruptamente, com o jovem ainda ao chão.

O CRIME - Na noite do dia 26 de abril, dois corpos foram encontrados em uma localidade conhecida como Polêmica, periferia da capital baiana. Na ocasião, a polícia acreditava que a motivação do crime estava relacionada ao tráfico de drogas. No entanto, no dia 27, os homens foram identificados como sendo Bruno Barros e Yan Barros.

No dia 29 de abril, a mãe de Yan, Elaine Costa Silva, revelou que ele e o tio, Bruno, foram entregues aos traficantes, para serem executados, depois de flagrados, pelos seguranças do Atakarejo, tentando furtar os pacotes de carne. Ela divulgou mensagens de áudio onde Bruno diz a uma amiga  o que tinha acontecido e pedindo ajuda. No áudio, Bruno chegou a pedir à amiga que chamasse a Polícia Militar. A jovem diz que fez isso, mas a PM informou que não recebeu nenhum chamado informando o fato.

No dia 30, parentes e amigos das vítimas se reuniram, em manifestação, na rua onde eles moravam, em Fazenda Coutos. Depois, protestaram em frente do Atacadão Atakarejo, localizado no mesmo bairro. Segundo o G1, o grupo bloqueou a rua que fica próxima à Base Comunitária da PM, clamando por justiça. Eles entraram no supermercado portando cartazes com frases de protesto.

Ao tomar conhecimento das circunstâncias em que Bruno e Yan foram mortos, ainda no dia 30, o Ministério Público (MP) adotou as providências cabíveis, naquela fase preliminar de apuração, autuando uma notícia de crime e encaminhando-a ao Núcleo do Júri da Capital.



Segurança LEIA TAMBÉM

Charge da Semana

CHARGE DO BOREGA

As mais lidas hoje