Durante a leitura do seu voto, na
manhã desta terça-feira (9), o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo
Tribunal Federal (STF), enumerou 13 atos executórios que comprovam a existência
da organização criminosa golpista e sua ação coordenada e planejada para tentar
reverter os resultados das Eleições 2022, com o intuito de manter o ex-presidente
Jair Bolsonaro (PL) no poder.
Relator da ação, o magistrado foi o primeiro a votar hoje. Os
atos executórios que embasaram seu voto são:
1. Utilização de órgãos públicos para o monitoramento de
adversários políticos e execução da estratégia de atentar contra o Poder
Judiciário, especialmente a Justiça Eleitoral;
2. Atos executórios públicos ainda em 2021, como lives
e entrevistas com graves ameaças à Justiça Eleitoral e divulgação massiva de
desinformação sobre as urnas;
3. Discurso do ex-presidente Bolsonaro, no dia 7 de setembro
de 2021, no qual houve emprego de “grave ameaça”, na tentativa de restringir o
exercício do Poder Judiciário;
4. Reunião ministerial de 5 de julho de 2022, em que o
ex-presidente reafirma fraude no processo eleitoral e os possíveis cenários
para uma tentativa de golpe, buscando a adesão dos ministros de Estado. O
encontro incluiu o candidato a vice-presidente derrotado, Braga Netto, e os
comandantes das Forças Armadas;
5. Reunião com embaixadores, em 18 de julho de 2022, quando
Bolsonaro chamou diplomatas de outros países para desacreditar o sistema eleitoral
brasileiro;
6. Bloqueios de rodovias pela Polícia Rodoviária Federal
(PRF) no segundo turno das eleições, em uma tentativa de impedir eleitores do
Nordeste de acessar os locais de votação;
7. Utilização indevida da estrutura das Forças Armadas para
elaboração do relatório de fiscalização do sistema eletrônico de votação, do
Ministério da Defesa;
8. Atos executórios pós-eleição: incluiu diversos atos que
ocorreram após o segundo turno, dentre eles, o monitoramento de autoridades;
reuniões das forças especiais, os chamados kids
pretos; atos violentos em Brasília, nos dias da diplomação do presidente Luiz
Inácio Lula da Silva (PT) e do vice Geraldo Alckmin (PSDB); além do atentado a
bomba no aeroporto da capital federal;
9. Planejamento da Operação
Punhal Verde e Amarelo e do Plano
Copa 2022;
10. Atos executórios da Operação
Punhal Verde Amarelo e outras ações, incluindo o monitoramento do
presidente eleito e a apreensão de um discurso pós-golpe;
11. A minuta do Golpe de Estado e a apresentação do documento
aos representantes das Forças Armadas;
12. Atos de 8 de
Janeiro de 2023, na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, que resultou
na depredação das sedes dos Três Poderes da República;
13. Planejamento de um “gabinete de crise”, que seria
acionado após a consumação do golpe de Estado.
Próximos passos – Hoje, a Primeira Turma retomou o
julgamento que pode condenar Bolsonaro e mais sete aliados por uma trama
golpista que teria atuado para reverter o resultado das eleições de 2022.
O grupo faz parte do núcleo crucial da denúncia apresentada
pela Procuradoria-Geral da República (PGR), formado pelas principais cabeças do
complô.
O ministro Alexandre de Moraes votou, na manhã desta
terça-feira, pela condenação de todos os réus. Flávio Dino é o segundo magistrado
a proferir voto. Ele expõe suas considerações neste exato momento.
Até a próxima sexta-feira (12), devem votar, nessa ordem:
Luiz Fux, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin, presidente do colegiado e da sessão.
*Com informações da
Agência Brasil.