No começo dos anos 2000, o noticiário abordava, com bastante
frequência, o escasso percentual de jovens brasileiros no ensino superior. Era
baixa, também, a quantidade de brasileiros com diploma universitário. Ninguém
imaginava que, nos anos seguintes, haveria um boom na oferta de vagas no ensino
superior privado, nem que as universidades públicas experimentariam uma rápida
expansão, alcançando, sobretudo, o interior do Brasil.
Na época, pouca gente dispunha de diploma de nível superior
na Feira de Santana. Desde então, a realidade mudou de maneira significativa,
no Brasil e por aqui também. O Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia
e Estatística (IBGE) trouxe uma atualização do cenário, registrando uma mudança
radical em um par de decênios. No levantamento, constatou-se que 67 mil pessoas
dispunham de diploma de nível superior na Feira de Santana. Representavam
14,41% da população com mais de 18 anos.
Entre o nível médio completo e o superior incompleto havia
muito mais gente: 193,8 mil pessoas, ou 41,6% do contingente. Somam-se a outras
69,3 mil pessoas - 14,88% – que avançaram pelo filtro do ensino fundamental,
mas que não concluíram o ensino médio. Só que é significativo, ainda, o número
daqueles que não concluíram o ensino fundamental: 135,3 mil, o que corresponde
a 29% dos feirenses com mais de 18 anos.
Quais as profissões que os feirenses com diploma
universitário abraçaram? O IBGE também traz respostas: 21 mil pessoas estão em
Negócios, Administração e Direito; Na sequência, 15,1 mil em Saúde e Bem-Estar
e 8,9 mil em Educação. O total, em alguma medida, reflete a demanda por
trabalho, sobretudo na Saúde, na Educação, na Justiça e em atividades
vinculadas à Administração Pública.
Mas há também profissionais de Engenharias (5,2 mil), Artes e
Humanidades (5 mil), Ciências Sociais, Comunicação e Informação (4 mil) e
Ciências Naturais, Matemática e Estatística (3,1 mil). Nestes segmentos,
obviamente, figuram profissionais da educação também, mas, sobretudo, a
mão-de-obra mobilizada pelas empresas privadas do município.
A mão de obra mais qualificada disponível no mercado feirense
viabilizou o incremento da produtividade, traduzindo-se em uma maior geração de
riquezas para o município. Alguns segmentos foram mais favorecidos, a exemplo
daqueles vinculados aos serviços de saúde e educação. Como efeito indireto,
ajudou a dinamizar o comércio e demais serviços, já que estes trabalhadores
recebem remunerações melhores.
Dispor de trabalhadores qualificados é um requisito essencial
para a dinamização econômica. A Princesa do Sertão, como se vê, avançou
bastante na oferta de educação superior ao longo deste século. O que falta,
então, para se dispor de um mercado mais atrativo para a mão de obra feirense?
Certamente, uma maior diversidade nas atividades econômicas.
Mas isso é assunto para outro texto...