A expansão desenfreada das escolas médicas tem saturado o mercado, acirrando a disputa por pacientes. Esse cenário, somado à fragilidade emocional da sociedade, ao culto ilimitado à estética e à pressão por manter performance e libido sempre elevados, propiciou o surgimento de condutas antiéticas. Muitos profissionais têm recorrido ao charlatanismo e à exploração econômica, adotando práticas inócuas que visam apenas o próprio enriquecimento. Fique atento a estas práticas que, em muitos casos, servem apenas para esvaziar o seu bolso:
1. "Soroterapia" ou Detox Endovenoso
A moda dos "soros da beleza" ou "detox" é uma das maiores falácias atuais. A reposição de vitaminas, como o complexo B, pode ser feita via intramuscular (em farmácias, com custo médio de R$60 reais) ou até sublingual. O conceito de "detoxificação" por soro é inexistente na fisiologia humana.
2. Consulta com centenas de exames
Se um profissional solicita 80 ou mais de 100 exames antes
mesmo de ouvir suas queixas ou realizar o exame físico, desconfie. Na maioria
das vezes, reflete incompetência diagnóstica ou acordos comerciais com
laboratórios. A medicina baseada em evidências preza pela parcimônia: exames
devem ser pedidos para confirmar suspeitas, não como uma "pescaria"
aleatória de dados. Se a sua consulta começou com esse pacote, fuja
imediatamente pois sua chance de estar sendo explorado é altíssima
3. Modulação Hormonal "Anti-envelhecimento"
O uso de hormônios (testosterona, gestrinona, o "chip
da beleza") para fins puramente estéticos ou para interromper o
envelhecimento natural é condenado pelas sociedades de endocrinologia.
Frequentemente, esses hormônios são prescritos em doses suprafisiológicas,
mascarando sintomas temporariamente, mas trazendo riscos graves como danos
hepáticos, cardiovasculares e dependência hormonal.
4. Suplementação de Vitaminas em doses cavalares
A prescrição de "fórmulas magistrais" caríssimas, protocolos
Coimbra, contendo dezenas de substâncias manipuladas, é um sinal de alerta. Na
maioria dos casos, uma dieta equilibrada supre as necessidades vitamínicas. O
excesso de vitaminas (hipervitaminose) pode ser tóxico e não confere
"super-imunidade", apenas gera uma "urina cara".
5- Retirada de chumbo: a intoxicação por chumbo é raríssima e não existe com exames normais. Já presenciei uma paciente que pagou R$ 5000 reais para que o chumbo fosse retirado de seu corpo. A única coisa que ficou mais leve foi o bolso da paciente sem o dinheiro.
A boa medicina é baseada na escuta, no exame físico e na ética. Se a consulta parece mais um balcão de negócios, onde o foco está na estética e na venda de procedimentos imediatos, fuja. Você é um paciente, não um consumidor de milagres.