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Saúde

Um hospital de ensino: a residência médica no Clériston

15 de abril de 2015 | 08h 21
Um hospital de ensino: a residência médica no Clériston
Residentes têm aulas no próprio hospital

“Até a presente data, já formamos 293 médicos nas especialidades de Clínica Médica, Obstetrícia e Ginecologia, Cirurgia Geral e Pediatria”, contaAdelina Maria Cerqueira Néco, secretária da Coordenação de Residência Médica (Coreme) no HGCA. A Residência em Pediatria foi transferida em 2011 para o Hospital Estadual da Criança (HEC), mas seus residentes fazem ainda dois meses de treinamento em sala de parto e berçário no Clériston. A Residência Médica é uma espécie de pós-graduação para médicos e uma das formas pelas quais o Clériston contribui com a formação de profissionais de saúde.

Leia também: Estudantes de Saúde aprendem na prática estagiando no HGCA

Para o coordenador geral interino da Coreme, Francisco Freitas,a importância do programa para Feira e região está na “capacitação dos profissionais médicos no exercício da profissão em sua plenitude. Ampliando seus conhecimentos, exercitando suas habilidades e destrezas, desenvolvendo o senso de humanização, e assim devolvendo à sociedade um profissional preparado para desenvolver a atividade com maior compromisso, competência e responsabilidade”. 

 

Também é importante, conforme César Oliveira,coordenador da Residência em Clinica Médica “porque é uma política pública, de Estado, de capacitar mão de obra, formando os recursos humanos necessários para atuação na rede de saúde da Bahia. Estes programas têm um papel fundamental de formar especialistas nas áreas básicas para atender às demandas crescentes da população, evitando ou reduzindo a falta de profissionais.” 

 

Já Tereza Valois, supervisora da Residência Médica em Cirurgia Geral, lembra que “os médicos residentes vêm de todos os estados do país e muitos deles terminam fixando residência em Feira e nas cidades vizinhas”, levando a um aumento de especialistas no interior.

 

Osobstáculosnarealização da atividadesão, para Oliveira, “as limitações do próprio hospital, com escassez de recursos, falta de reconhecimento das atividades de ensino como um foco primário de prioridade e não apenas secundário,  as limitações do apoio diagnóstico e subdimensionamento da unidade, que impede a implantação de serviços especializados”.

 

Valoisé incisiva ao afirmar que as “as maiores dificuldades estão sempre relacionadas à falta de estrutura física, como número de leitos e salas de cirurgia insuficientes, limitação tecnológica, falta demédicos especialistas em algumas áreas 24h por dia, como radiologistas, falta de funcionamento de alguns setores 24h por dia, como ultrassonografia e as limitações de acesso à informação médica, biblioteca”.

 

Joyce Campodonio, que está se especializando em Ginecologia e Obstetrícia, exemplificaa carência:“Encontramos ainda dificuldades em conseguir a liberação, por exemplo, de alguns materiais para cirurgias uroginecológicas e da realização de exames como ressonância magnética, dosagem hormonal e de marcadores tumorais”.

Além disso, “temos que vencer o cansaço físico e mental, pois nossa carga horária é desgastante, principalmente no primeiro ano da residência”, lembra Nara Bernardes,estudante da Residência em Clínica Médica.

Valois destaca também a “falta conscientização maior dos funcionários do hospital da real importância da residência médica, de suas necessidades, efuncionamento”, desabafa a médica, que declara ainda que “com relação a alguns médicos do hospital, existe uma falta de conscientização da necessidade de todos estarem envolvidos e serem participantes neste processo de ensino”, visto que os alunos têm acesso livre a todos os pacientes.

 

Apesar disso, é muito grande o impacto do programa no HGCA, “primeiro, porque melhora de forma significativa a qualidade da assistência,pois estes Residentes têm carga horária de 60h semanais, permanecendo de forma integral ao lado do paciente; segundo, porque a presença de atividade de ensino exige contínua melhoria do padrão dos serviços; terceiro, porque a atividade de ensino faz com o que hospital receba uma remuneração diferenciada; quarto, porque as atividades de educação contribuem para que todo o corpo funcional acabe por ter informações e práticasmais atualizadas”, esclarece Oliveira.

 

Na opinião de Freitas,“uma unidade de saúde que tenha um programa de educação médica continuada eleva o seu desenvolvimento científico, a qualidade no atendimento e desenvolvimento de pesquisas, assim se caracterizando  um hospital de ensino, consequentemente, ampliando sua área de atuação e atendimento, estabelecendo melhores práticas de assistência”.

 

A Residência em Obstetrícia e Ginecologia é coordenada por Márcia Suely D’Amaral, que está de férias, sendo substituída por Zênia Maria Araújo Neves.

 

O grande hospital feirense ganhou sua residência multiprofissionalem 1991, com a interiorização de alguns programas de saúde, para consolidar o SUS e ampliar a formação de recursos humanos em áreas básicas.

 

Satisfação dos futuros especialistas

Apesardos percalços, Joyce se diz satisfeita, pois o programa “oferta pacientes com as mais variadas afecções, possibilitando um excelente aprendizado”, corroborado por “uma troca de confiança muito boa entre os pacientes e nossa equipe de residentes, sob supervisão direta de preceptores experientes”.Nara completa: “Temos um relacionamento muito bom com toda a equipe multidisciplinar da unidade e com os pacientes e familiares”e “um grupo de residentes tão amigo e comprometido, além de ter preceptores tão dedicados e acessíveis a qualquer hora, que isso é motivação constante para buscar sempre o melhor e vencer qualquer desafio”.

 

A respeito da importância do time, a residentedeclara: “Penso que os residentes em hospitais públicos não são ‘artigos de luxo’ porque, na maioria das vezes, a Residência toca boa parte do serviço, sendo peça fundamental na logística do serviço público”.

 

A admissão de novos residentes é realizada a partir de uma seleção realizada pela Comissão Estadual de Residência Médica (CEREM) .Os que forem selecionados recebem uma bolsa da Secretaria da Saúde da Bahia (Sesab), no valor de R$ 2.976,26. No HGCA, são quatro vagas, por ano, totalizando oito,para cada programa (área), sendo que a pediatria oferece apenas duas vagas. A residência em obstetrícia e ginecologia dura três anos( um ano adicional, para sub-especialização) , enquanto as outras são concluídas em dois

Estudantes de Clínica Médica: da esquerda para direita, Hyrlana Leal, Ricardo Peixoto, Nara Bernardes e Hanna Oliveira

 

Joyce Campodonio, futuraginecologista e obstetra.

 

Adelina Néco, secretária da Coreme

 

Prof César Oliveira e o interno Atila. Eles fazem estágio junto com os Residentes



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