O grande dilema, para não chamar de drama, do ex-prefeito de Salvador, ACM Neto, não é aquele que ele faz questão de frisar, em todas as entrevistas concedidas à imprensa: se José Ronaldo vai ou não ser o candidato a vice, na chapa por ele encabeçada para o Governo da Bahia. A questão é outra, senão vejamos. Ronaldo ser ou não candidato, nestas eleições é fato menor no processo. O que conta, mesmo, é quem vai apoiar, para o Palácio de Ondina, não sendo ele postulante a nenhum cargo eletivo em outubro, algo que parece estar muito próximo de se concretizar. Afinal, pode não ser vice em chapa alguma e isto não resolver absolutamente nada. Basta que anuncie que seu candidato preferido não será o da oposição.
ACM Neto tem pregado nas entrevistas, com razão, que para ser candidato a algo Ronaldo precisaria receber o apoio do eleitorado que nele votou e o elegeu por maioria em primeiro turno, no pleito municipal de 2024. O vice-presidente nacional do União Brasil tem dito que somente acredita em uma renúncia de mandato por parte do prefeito de Feira de Santana se houver apoio do povo, para esta decisão.
José Ronaldo, nesta altura do campeonato, já deve ter números de pesquisa em mãos, a propósito dele deixar ou não a gestão, entregando-a ao vice-prefeito Pablo Roberto, que comandaria o Poder Executivo por dois anos e oito meses. Nessa hipótese, o atual titular do Paço Maria Quitéria teria exercido o quinto mandato por apenas um ano e quatro meses. Portais de notícias e programas de rádio bem poderiam realizar pesquisa de opinião para mensurar o sentimento do feirense sobre o prefeito sair ou ficar.
Bem, não é do feitio de Ronaldo prometer e não cumprir. Como já escrevi aqui algumas vezes, o prefeito não deverá deixar a administração para ser candidato, até o final dos quatro anos, diante da ênfase com que fez o juramento em sua campanha. Claro, as especulações são normais, pois estamos falando de política, ainda mais, levando em conta que o próprio possível candidato a vice-governador, ou a senador, por alguma razão ainda a ser estudada, deixa todo mundo na dúvida, quando diz que está pensando qual decisão vai tomar - o suspense vai durar até o o início de abril.
Retornando ao ponto inicial, a grande questão é quem José Ronaldo vai apoiar para governador. O favoritismo nesses cenários, creio, é sempre da permanência onde o político está. A surpresa seria sair do local se encontra, especialmente no caso de alguém que há cerca de meio século faz parte de uma mesma sigla e, mais que isto, de um mesmo segmento, a direita. ACM Neto cometeu, em 2022, o grande erro de sua trajetória, ao desprezar o prefeito feirense e toda a sua influência regional para optar por uma ilutre desconhecida em sua chapa.
Pelo discurso adotado mais recentemente, dizendo inclusive não se sentir traído pelo companheiro de União Brasil, Ronaldo dá a entender que está bem mais propenso a seguir firme com a oposição ao governador Jerônimo Rodrigues. Alguém diz, "mas eles dois estão se relacionando muito bem, vai ser difícil o prefeito dizer não a Jerônimo". Negativo. o prefeito, águia em política, pode dizer simplesmente que tudo o que houve foi institucional, sem qualquer compromisso de ordem política, e estará tudo muito bem explicado.
O que está em jogo não é meramente uma resposta a ACM Neto por conta do que ele aprontou lá atrás. Trata-se de uma mudança de rumo radical, após Ronaldo ter construído uma vitoriosa história, ao longo de 50 anos. Um eleitor ronaldista, a propósito, tem uma justificativa interessante, para a permanência do prefeito na direita: "nós elegemos a ele, não ao PT. Portanto, ele não pode, agora, entregar-se à esquerda que nós ajudamos a derrotar".
"Já é um sinal, uma pessoa que não votou em mim já dizer ‘olha, eu tô pensando em a gente poder caminhar juntos’. E isso dando certo quem vai ganhar é Feira de Santana”. A frase, atribuída ao governador Jerônimo Rodrigues é fresquinha, extraída, de acordo com noticiado em veículos como "Blog do Velame" e "Bnews", de uma entrevista coletiva concedida pelo chefe do Executivo Estadual no Circuito Osmar, nesta quinta, abertura do Carnaval de Salvador. E deve botar lenha na fogueira do pré-candidato da oposição, ACM Neto.
Não sabemos se o governador ouviu exatamente isto, do prefeito, ou se é uma forma de dizer, de Jerônimo, em relação à informação de Ronaldo, esta sim, efetiva, de que em março lhe daria resposta sobre quem ele vai apoiar na campanha que se avizinha. Certamente, os dois conversaram este assunto no recente encontro para festividades religiosas em Humildes. E Jerônimo resolveu tornar público, em pleno carnaval, o que ouviu do prefeito.
Com seu estilo rigoroso de segurar informações confidenciais, Ronaldo não deve estar confortável diante do fato de o governador revelar parte da conversa ao pé do ouvido. Mas agora está dito e fica a certeza de que o prefeito se encontra realmente matutando a ideia de apoiar a reeleição de Jerônimo e que, portanto, não é líquido e certo o que muitos defendem em seu grupo, que ele deixará para trás a desfeita que lhe fez ACM Neto quatro anos atrás, ao escanteá-lo da vice, em sua chapa, e irá apoiá-lo de novo.
José Ronaldo está determinado a realizar a maior de suas gestões à frente da Prefeitura de Feira e disposto a mudar de rota partidária, caso tenha segurança de que isto representará avanços em seu projeto. Claro, tudo é aposta, que pode dar certo, ou não. Com a experiência que detém, é difícil ele dar um passo em falso, nessa decisão. Da parte de Jerônimo, há muita disposição de buscar o importante apoio. Em julho do ano passado, ele já dizia ao portal feirense "De Olho na Cidade que “falta de convite não é".
Sempre que escrevo sobre Ronaldo e sua dúvida entre Jerônimo e ACM Neto, gosto de reiterar a opinião de que o prefeito não deverá ser candidato. Acredito que continuará no Paço Maria Quitéria, de onde vai apoiar um desses postulantes ao Governo do Estado. As chances de cada um, aparentemente, estão muito divididas, neste momento. Se fosse caso de pesquisa, poder-se-ia dizer, haveria empate técnico.
Nas redes sociais, sempre que o assunto é levantado, leitores reagem. Muitos dos seus seguidores renegam uma adesão de Ronaldo à reeleição do governador, mas há os que lhe são muito fiéis e que o acompanhariam, e votariam, em que ele venha a indicar, mesmo não simpatizantes do PT. Fala-se em março, mas eu acredito que ele somente decidirá mesmo em abril.
O prefeito de Salvador, ACM Neto, diz, reiteradamente, na
imprensa da Bahia, que o prefeito de Feira de Santana, José Ronaldo, vai
marchar com a candidatura dele para governador do Estado, em outubro. Em
entrevista recente durante sua visita a Humildes, para participar de festejos
religiosos, afastou qualquer dúvida sobre problemas no alinhamento político
entre os dois, inclusive diante da aproximação do titular do Paço Maria
Quitéria com Jerônimo Rodrigues.
“Eu não tenho nenhuma preocupação em relação à posição
política de Zé Ronaldo. Tenho absoluta certeza de que ele estará ao nosso lado
como sempre esteve”, afirmou ACM Neto, aos jornalistas, lembrando a trajetória
partidária comum de ambos, ao longo de suas jornadas: “Eu nasci no PFL e ele já
estava no PFL. Depois fomos juntos para o Democratas e agora para o União
Brasil. Tivemos a vida inteira uma única filiação partidária”.
O vice-presidente nacional do União Brasil, virtual
adversário do governador Jerônimo Rodrigues, pré-candidato à reeleição, parece
mais entusiasmado do que lhe permitiria a realidade. José Ronaldo jamais
declarou, nesses últimos meses, quem ele vai apoiar para o Palácio de Ondina.
Sendo filiado ao partido oposicionista, não deveria colocar dúvida, se esta não
existisse de fato. Na medida em que, perguntado, não afirma que irá marchar com
o representante de sua legenda, deixa margem para toda sorte de especulação e
um enorme suspense no ar.
Um repórter da rádio UP!, de Vitória da Conquista, que o
entrevistou dias atrás, pediu ao prefeito de Feira que lhe desse a
"manchete" da semana, respondendo se fica com Jerônimo ou caminha com
ACM Neto. Ronaldo pulou fora: "vou ficar devendo (a manchete). Acredito
que até o final de março (irá anunciar)". Disse que está "ouvindo
muita gente" e que não tomará decisão individual, mas sim "com o
grupo que pertenço".
É uma resposta no mínimo curiosa. O grupo a que ele pertence
é liderado justamente por ACM Neto. Ou não? Ouvirá, então, o ex-prefeito de
Salvador, se deve marchar com o próprio ou migrar para a base de Jerônimo?
Evidentemente, não. Na verdade, a prevalecer a lógica deste raciocínio, o
pré-candidato do União Brasil não deve fazer parte dos amigos e
correligionários que Ronaldo pretende ouvir sobre o tema.
Não esperemos para março a polêmica decisão. Ronaldo lembrou
que 2025 foi ano exclusivamente dedicado à gestão, mas que "falta arrumar
algumas coisas e acho que concluo até final de março". É a partir de
abril, ele mesmo diz, que "vamos fazer a política, mundo que eu gosto, que
abraço". Portanto, atenção, é abril, o "mês D". Em uma frase
curta e objetiva, descarta a hipótese de cruzar os braços diante do processo
eleitoral. "Vamos tomar uma atitude política sem nenhuma dúvida",
afirmou.
Uma declaração do prefeito pode alimentar esperanças em ACM
Neto. Para quem aposta em uma aliança com a oposição por causa da decepção de
2022, quando fora substituído surpreendentemente da chapa majoritária em que
era dado como certo seu nome candidato a vice-governador, Ronaldo garantiu não
considerar aquele episódio uma traição.
"Acho que se falar, ficou chateado, aborrecido, sim. Tornei público, nunca escondi. Traído não, é palavra muito forte". Argumentou que poderia ter sido (ele o candidato a vice), mas... "acho que sim, mas houve implicações políticas e partidárias". E garantiu não guardar mágoa, nem raiva, "de ninguém" (entenda-se, de ACM Neto). "É passado", resumiu.
As histórias, reais, da política, muitas vezes, são escritas por capítulos, exatamente como uma novela. Recentemente, encerrou-se a querela envolvendo o senador Ângelo Coronel e o PT e o final não foi feliz. Petistas lamentaram a perda, pois o aliado deixou o PSD e o grupo que se encontra no poder, na Bahia. O senador, protagonista da trama, deixou o time pelo qual jogou por tanto tempo reclamando da postura do técnico, do presidente, etc.
Na verdade, mal se encerrou o drama recente e Coronel já está atuando mais uma vez, no grande palco da política baiana. Está escalado, agora, para uma mini-série, cujo roteiro se desenrola sobre a escolha da legenda em que se filiará e estará disputando a reeleição. Ele tem várias opções e, diferentemente do que lhe era oferecido onde se encontrava, entre os novos correligionários tem livre arbítrio e múltiplas opções para seguir.
Deixou de ser um "merda", com perdão da palavra, cunhada pelo próprio, para se tornar prioridade, passe valorizado como aquele jovem jogador de futebol contratado por milhões de dólares para atuar na Europa, com direito a tapete vermelho e tudo o mais, em sua chegada.
O pré-candidato a governador pelo União Brasil, ACM Neto, já declarou que Coronel tem livre escolha para disputar sua permanência no Senado. Em Humildes, onde esteve para participar de festividades religiosas do distrito feirense, o ex-prefeito de Salvador disse que as conversas com o ex-PSD se iniciaram e estão "evoluindo bem".
ACM Neto disse, ao portal "Correio 24h", que sua expectativa é que, ainda em fevereiro, tenha condições de "anunciar essa aliança, assim como informar por qual partido o senador deverá disputar as eleições deste ano”. Coronel é nome líquido e certo na chapa de oposição, tanto quanto o do pré-candidato a governador. Resta definir os postulantes a vice-governador e o segundo candidato ao Senado.
“Sincera e honestamente, não estou com o espírito ainda de pré-campanha. Aqui nesse momento eu só estou com vontade de dançar um pouquinho e pular um pouco”. Assim respondeu o prefeito de Feira de Santana, José Ronaldo, aos repórteres que o inquiriram, ontem, em Humildes, sobre sua possível candidatura a vice-governador, em chapa encabeçada pelo ex-prefeito de Salvador, ACM Neto. Os dois estiveram participando da Levagem da Lenha, festividade profano-religiosa no distrito feirense.
Esta, geralmente, não é a reação de quem está pensando em ser candidato a algo, restando tão pouco tempo para uma definição. Quando o político está às vésperas de uma definição importante o discurso é outro. Ao desviar-se dos repórteres dizendo “vamos falar de festa, rapaz, oxe", ele parece transmitir uma mensagem com o objetivo de informar algo como "esquece isto, nem estou pensando nisto".
Em 4 de abril se encerra o prazo para filiações partidárias e ACM Neto já avisou que, até lá, deverá estar com a sua chapa completa. Resta preencher as vagas de vice-governador e dos dois candidatos ao Senado. Para estas últimas, já se sabe que uma delas estará ocupada pelo senador Ângelo Coronel, agora integrando a oposição, deixou o PSD e, consequentemente, a base governista comandada pelo PT.
José Ronaldo jamais foi tão cobiçado, em sua longa carreira política. Devido à frustração de 2022, quando fora substituído na chapa do próprio ACM Neto por uma neófita em política, seu nome passou a ser cogitado como possível futuro aliado da base do governador Jerônimo Rodrigues, ministro-chefe da Casa Civil Rui Costa e senadores Jaques Wagner e Otto Alencar, o "quarteto fantástico".
Diferentemente daquela eleição anterior, agora ACM Neto deseja um vice que seja do interior e tenha força eleitoral nos municípios: José Ronaldo é este homem, a senha está clara. Esta deveria ter sido sua estratégia quando da primeira disputa que participou para o Palácio de Ondina. Mas ele cometeu o grande erro que todos reconhecem e estão cansados de saber. Acontece que, ferido na alma, o prefeito de Feira de Santana parece ser um sonho inalcançável para o pré-candidato a governador pelo União Brasil.
Afinal, foi grande a dor de Ronaldo diante da humilhação a que foi submetido lá atrás, por decisão do próprio ACM Neto. As palavras que ouviu dele naquela manhã, quando soube que não seria o candidato a vice, sendo trocado por alguém politicamente sem as menores credenciais, devem ainda ecoar em seus experientes ouvidos. Não bastasse este fato, tem um outro empecilho a ser considerado, o seu mandato na Prefeitura, apenas no segundo ano.
Seria o primeiro caso, provavelmente, no Nordeste, de um gestor de grande cidade a deixar o bastão para o vice em duas ocasiões - em 7 de abril de 2018 passou o cargo para Colbert Filho, se lançou ao Governo do Estado e sofreu uma dolorosa derrota, coisa rara em seu currículo. E se perder novamente, desta feita com ACM Neto, vai para um melancólico fim de linha. Por estas e outras, tenho escrito reiteradamente em artigos enfocando as perspectivas para o prefeito feirense que não acredito em que venha a encarar mais uma aventura dessa magnitude. Mas, é claro, tudo pode acontecer.